Baile dos artistas

Matéria para o JC Online. Já liguei o modo há tempos, mas hoje, carnavalizei por completo.

O maior clichê estilístico para matérias de Carnaval – “a irreverência do folião pernambucano” – nunca fez tanto sentido para o Baile dos Artistas, mas de uma maneira exagerada, deliciosamente exagerada. É a festa pela qual todos esperam, como uma senha para dizer: agora está tudo liberado. O baile, que abre a maratona de Carnaval, ganha o público pelo bom-humor, descontração, e pela falta de cerimônia para se divertir. Este ano, a cantora Gretchen foi a rainha dos artistas e o escritor Ariano Suassuna, o rei.

A diversidade do público que passou pelo Clube Português nesta sexta-feira (18) diz muito sobre as reais intenções do baile em ser um legítimo baile de Carnaval. Não é preciso pedir permissão e o glamour nada mais é do que uma opção qualquer para se fantasiar. Nos seus corredores e pista, a fauna é dominada pelo público gay, que nas variadas formas e tamanhos, desfilam travestis, drag queens e descamisados gog-boys. Nos camarotes, políticos, como o Governador Eduardo Campos e sua esposa, Renata, e a primeira-mãe e deputada, Ana Arraes, circulavam para além dos cercadinhos VIP aproveitando a festa. Também estavam por lá o prefeito João da Costa e o senador Humberto Costa.

Como se precisasse, o Baile dos Artistas assume sua vocação de falar diretamente ao público LGBT, com a entrada de Maria do Ceu, empresária e dona da boate Metrópole, na organização do evento. No concurso das fantasias, os dois primeiros lugares dialogavam contra a homofobia. Chiquinho, o vencedor da noite, veio com Kucita: dou porque não tenho prikita, em uma roupa que trazia um estratégico buraco atrás, onde estava escrito “com camisinha”. Thiago Vergete, o segundo lugar, apresentou uma sátira ao mito de Lampião com Lampeião – o rei do cabaço. Também carregava nas costas um letreiro enorma e colorido que dizia “Diversidade e Paz”.

Igualmente ousadas, as fantasias nas pistas traziam produções requintadas. Um casal vestido de diabo carregava tantos apetrechos e uma pesada roupa de borracha e papel machê que tinham dificuldade em andar. Como aconteceu ano passado com Avatar, o que mais se viu entre as produções desta edição foram pessoas vestidas do filme Cisne Negro, com tutu de bailarina e muitas plumas e penas. Num baile tão prestigiado, não há como não se sentir importante, no momento de maior visibilidade do ano, sobretudo para a população trans. “Trava, corre aqui vem falar com o jornal”, gritou uma travesti com lentes de contato branca. No camarote, Macarrão Slater disse antes de descer as escadas. “Isso aqui é nosso gala gay, meu amor. Somos nós que fazemos sucesso por aqui”, diz.

O maior clichê estilístico para matérias de Carnaval – “a irreverência do folião pernambucano” – nunca fez tanto sentido para o Baile dos Artistas, mas de uma maneira exagerada, deliciosamente exagerada. É a festa pela qual todos esperam, como uma senha para dizer: agora está tudo liberado. O baile, que abre a maratona de Carnaval, ganha o público pelo bom-humor, descontração, e pela falta de cerimônia para se divertir. Este ano, a cantora Gretchen foi a rainha dos artistas e o escritor Ariano Suassuna, o rei.

A diversidade do público que passou pelo Clube Português nesta sexta-feira (18) diz muito sobre as reais intenções do baile em ser um legítimo baile de Carnaval. Não é preciso pedir permissão e o glamour nada mais é do que uma opção qualquer para se fantasiar. Nos seus corredores e pista, a fauna é dominada pelo público gay, que nas variadas formas e tamanhos, desfilam travestis, drag queens e descamisados gog-boys. Nos camarotes, políticos, como o Governador Eduardo Campos e sua esposa, Renata, e a primeira-mãe e deputada, Ana Arraes, circulavam para além dos cercadinhos VIP aproveitando a festa. Também estavam por lá o prefeito João da Costa e o senador Humberto Costa.

Como se precisasse, o Baile dos Artistas assume sua vocação de falar diretamente ao público LGBT, com a entrada de Maria do Ceu, empresária e dona da boate Metrópole, na organização do evento. No concurso das fantasias, os dois primeiros lugares dialogavam contra a homofobia. Chiquinho, o vencedor da noite, veio com Kucita: dou porque não tenho prikita, em uma roupa que trazia um estratégico buraco atrás, onde estava escrito “com camisinha”. Thiago Vergete, o segundo lugar, apresentou uma sátira ao mito de Lampião com Lampeião – o rei do cabaço. Também carregava nas costas um letreiro enorma e colorido que dizia “Diversidade e Paz”.

Igualmente ousadas, as fantasias nas pistas traziam produções requintadas. Um casal vestido de diabo carregava tantos apetrechos e uma pesada roupa de borracha e papel machê que tinham dificuldade em andar. Como aconteceu ano passado com Avatar, o que mais se viu entre as produções desta edição foram pessoas vestidas do filme Cisne Negro, com tutu de bailarina e muitas plumas e penas. Num baile tão prestigiado, não há como não se sentir importante, no momento de maior visibilidade do ano, sobretudo para a população trans. “Trava, corre aqui vem falar com o jornal”, gritou uma travesti com lentes de contato branca. No camarote, Macarrão Slater disse antes de descer as escadas. “Isso aqui é nosso gala gay, meu amor. Somos nós que fazemos sucesso por aqui”, diz.

As atrações eram um convite à catarse. E buscaram referências trash este ano para deixar tudo ainda mais divertido. Almir Rouche cantou todo o repertório conhecido de frevo, mas foi ovacionado para sua versão de “Bad Romance”, de Lady Gaga. Cantou a lado da cantora paraense Gaby Amarantos a versão dela para “Single Ladies”, de Beyoncé, o “Hoje Eu Tô Solteira”. Em seguida, com quase meia hora de atraso entraram o É o Tchan. Saído do final dos anos 90, o grupo chamou todos a se soltarem e perderem a vergonha da lembrança de que todos ali, um dia, já colocaram o pudor no chinelo para irem até o chão no “Segura o Tchan”.

Entre uma apresentação e outra, a organização decidiu colocar gogo-boys para dançar hits pop como Lady Gaga e Black Eyed Peas. O público aprovou esse momento boate. Nos arredores da pista, um dos banheiros masculinos foi novamente depredado para servirem de espaço de “pegação”. Quando ainda era possível entrar, algumas pessoas quebraram as lâmpadas, dando o sinal para que o lugar fora tomado. Seguranças foram chamados para contornar a situação, mas o grande fluxo de entra e sai tornou iniviável. “Desta vez, eles também destruíram os fios, não temos nem como repor a luz”, disse um dos seguranças do lado de fora. Todos cruzaram os braços. O folião Marcelo, que tentava entrar no banheiro para fazer xixi levantou uma ideia para o ano seguinte. “Já que não tem como reverter isso, deveriam deixar alguém na porta entregando camisinha para quem entra”.

O maior clichê estilístico para matérias de Carnaval – “a irreverência do folião pernambucano” – nunca fez tanto sentido para o Baile dos Artistas, mas de uma maneira exagerada, deliciosamente exagerada. É a festa pela qual todos esperam, como uma senha para dizer: agora está tudo liberado. O baile, que abre a maratona de Carnaval, ganha o público pelo bom-humor, descontração, e pela falta de cerimônia para se divertir. Este ano, a cantora Gretchen foi a rainha dos artistas e o escritor Ariano Suassuna, o rei.

A diversidade do público que passou pelo Clube Português nesta sexta-feira (18) diz muito sobre as reais intenções do baile em ser um legítimo baile de Carnaval. Não é preciso pedir permissão e o glamour nada mais é do que uma opção qualquer para se fantasiar. Nos seus corredores e pista, a fauna é dominada pelo público gay, que nas variadas formas e tamanhos, desfilam travestis, drag queens e descamisados gog-boys. Nos camarotes, políticos, como o Governador Eduardo Campos e sua esposa, Renata, e a primeira-mãe e deputada, Ana Arraes, circulavam para além dos cercadinhos VIP aproveitando a festa. Também estavam por lá o prefeito João da Costa e o senador Humberto Costa.

» Blog Social1 marcou presença no Baile dos Artistas e destacou as fantasias mais criativas

Como se precisasse, o Baile dos Artistas assume sua vocação de falar diretamente ao público LGBT, com a entrada de Maria do Ceu, empresária e dona da boate Metrópole, na organização do evento. No concurso das fantasias, os dois primeiros lugares dialogavam contra a homofobia. Chiquinho, o vencedor da noite, veio com Kucita: dou porque não tenho prikita, em uma roupa que trazia um estratégico buraco atrás, onde estava escrito “com camisinha”. Thiago Vergete, o segundo lugar, apresentou uma sátira ao mito de Lampião com Lampeião – o rei do cabaço. Também carregava nas costas um letreiro enorma e colorido que dizia “Diversidade e Paz”.

Igualmente ousadas, as fantasias nas pistas traziam produções requintadas. Um casal vestido de diabo carregava tantos apetrechos e uma pesada roupa de borracha e papel machê que tinham dificuldade em andar. Como aconteceu ano passado com Avatar, o que mais se viu entre as produções desta edição foram pessoas vestidas do filme Cisne Negro, com tutu de bailarina e muitas plumas e penas. Num baile tão prestigiado, não há como não se sentir importante, no momento de maior visibilidade do ano, sobretudo para a população trans. “Trava, corre aqui vem falar com o jornal”, gritou uma travesti com lentes de contato branca. No camarote, Macarrão Slater disse antes de descer as escadas. “Isso aqui é nosso gala gay, meu amor. Somos nós que fazemos sucesso por aqui”, diz.

As atrações eram um convite à catarse. E buscaram referências trash este ano para deixar tudo ainda mais divertido. Almir Rouche cantou todo o repertório conhecido de frevo, mas foi ovacionado para sua versão de “Bad Romance”, de Lady Gaga. Cantou a lado da cantora paraense Gaby Amarantos a versão dela para “Single Ladies”, de Beyoncé, o “Hoje Eu Tô Solteira”. Em seguida, com quase meia hora de atraso entraram o É o Tchan. Saído do final dos anos 90, o grupo chamou todos a se soltarem e perderem a vergonha da lembrança de que todos ali, um dia, já colocaram o pudor no chinelo para irem até o chão no “Segura o Tchan”.

Entre uma apresentação e outra, a organização decidiu colocar gogo-boys para dançar hits pop como Lady Gaga e Black Eyed Peas. O público aprovou esse momento boate. Nos arredores da pista, um dos banheiros masculinos foi novamente depredado para servirem de espaço de “pegação”. Quando ainda era possível entrar, algumas pessoas quebraram as lâmpadas, dando o sinal para que o lugar fora tomado. Seguranças foram chamados para contornar a situação, mas o grande fluxo de entra e sai tornou iniviável. “Desta vez, eles também destruíram os fios, não temos nem como repor a luz”, disse um dos seguranças do lado de fora. Todos cruzaram os braços. O folião Marcelo, que tentava entrar no banheiro para fazer xixi levantou uma ideia para o ano seguinte. “Já que não tem como reverter isso, deveriam deixar alguém na porta entregando camisinha para quem entra”.

DINHEIRO MOLHADO – Os serviços deixaram a desejar no Baile dos Artistas, que cresce em número de público e importância a cada edição. Após os desfiles e cerimônias do início era tarefa árdua conseguir comprar bebida. Apenas três pessoas para atender a uma multidão que se espremia nas grades do bar. Sobre o balcão era possível ver pilhas de notas de real molhadas. Entre as opções de comida, a grande pedida do público foi pipoca de microondas, o que trouxe um cheiro forte e característico nos arredores da pista de dança. Nas outras opções, como espetinho e coxinha, as filas se formavam rápido.

O dia já estava claro quando o É O Tchan terminou sua apresentação. Num dia em que o Recife tinha agenda concorrida – show dos Backstreet Boys, Guaiamum Treloso com Nando Reis, Brega Naite de Carnaval – o Baile dos Artistas estava lotado. Isso serve para mostrar a importância que a festa ganhou nesses últimos anos. Se já ganha no carisma, precisa apenas se ajustar ao tamanho que se tornou.

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