Revista O Grito!

Jazz Metal — Por Paulo Floro

Mês: janeiro 2011 (Página 1 de 2)

Brochella 2011

Começaram a aparecer os cartazes fake do Coachella, e claro, o mais engraçado deles, o Brochella. Só coisa rara. No meio de tanto lixo, achei engraçado a tiração de onda com o Claps Your Hands Say Yeah e o Editors.

Finlândia e a diversão comedida

O maior choque do mundo é sair da Rússia e ir para a vizinha Finlândia. Enquanto os russos sabem como se divertir, em Helsinki tudo fecha cedo, a venda de álcool é monopólio do Estado e não é permitido beber em público. Apenas uma loja pode vender bebidas com teor alcóolico maior que 4.7, como vodka, conhaque, licores, uísque. Chama-se Alko e existe em muitos lugares do país. E fecha cedo. Em alguns lugares, funciona entre 9h e 16h.

A bebida típica da cidade, o Minto, só pode ser encontrada nesses lugares, ou comprada em drinks em bares e restaurantes.

Por outro lado, sauna é uma hobby nacional, uma atividade comum em praticamente todas as casas finlandesas. É normal ficar nu em lugares como esse, mesmo entre pessoas de sexos opostos, sem nenhum constrangimento. Mas tudo sem conotação sexual, lógico. Nas saunas públicas, a vigilância cobra bastante respeito. Existe apenas uma sauna gay em toda a capital, Helsinki, a Vogue. Mas a sacanagem liberada custa caro. Os preços começam em exorbitantes 16 euros.

Me chamem de terceiromundista antiquado, mas esse politicamente correto + qualidade de vida não rola pra mim.

Amy desencontrada

Perdi o show de Amy Winehouse por causa das férias. Acompanhando a performance da cantora no Brasil através da internet, encontrei reações diversas, mas a grande maioria, de alguma forma, apontam alguma reflexão crítica do que se tornou Amy nos últimos anos.


Não param de falar do tombo…

Reconstruindo seu espaço após um hiato de dois anos de anti-profissionalismo e de um inferno particular que atingiu dimensões extraordinárias, Amy ainda não expõe vocais em sua melhor forma. Ela precisou dos afinados cantores de apoio para dar corpo às suas canções durante quase toda execução. Em contrapartida, nos momentos em que mais expressava sua voz, era fácil cantar. Tão fácil que ela aparentemente não sentia as lástimas que bradava. Com o olhar alheio, Amy permaneceu no automático. Até mesmo a mais dramática de suas composições passou como uma canção leve por ela, como um deboche de seu passado tão recente.
Mariana Tramontina, no UOL

Essa expectativa em ver algo se repetir – Amy tropeçar, Janelle Monae dançar igual ao clipe e Mayer Howthorne “ser fofo” – garante que o mais do mesmo deu ao público o que eles precisavam para uma ótima noite. É o que explica, por exemplo, o desagrado do público em outras praças pela apresentação de Winehouse, que subiu no palco e só cantou, sem tropeçar ou errar. Uma conjunção que daria o argumento perfeito ao mais chato ouvinte de Bach de que “nada disso é música”. Mas é. Música que emociona mais pela teatralidade que pelas próprias canções, mas que cumpre suas centenas de funções que vão de combustão a escapismo social.
Bruno Nogueira, no Pop Up.

Em se tratando de Amy, não sabemos onde termina o exagero da cobrança por um show impecável (estamos falando da mesma estrela?!) e onde começa a condescendência dos fãs. Indiferente aos boatos, agouros e apetites salivares de abutres, Amy entrou no palco, com seu andarzinho trôpego (é charme ou involuntário? E pode dizer isso sem acrescentar que não aprovamos seu estilo de vida, mas faz parte dela, como as tatuagens no corpo?), um tanto tímida, metida num vestido colado, e mandou o medley Shimmy Shimmy Ko Ko Bop com Just Friends.
Rafaella Soares, na Revista O Grito!

O primeiro balé Kirov

Nessa sexta, assisti a uma apresentação do balé Kirov, aqui em São Petersburgo. Eles encenaram “Le Corsaire”. Por mais que eu tivesse ido sem expectativas, a experiência de estar no Teatro Mariinski é semelhante a ir a um primeiro grande show de rock quando adolescente.

Criado por um decreto imperial de Catarina, A Grande, foi erguido em 1873. Sofreu inundações e incêndios e foi reconstruído cinco vezes. Até chegou a ser bombardeado durante a Segunda Guerra Mundial. Foi o maior do mundo durante décadas, e hoje, conserva ainda a aura do império russo, sobretudo pela decoração interior, com ouro, estátuas e muito ornamento.

Sobre a peça, bem, confesso, que gostei bastante, mas esperei que os bailarinos dessem mortais no ar, como a ginástica olímpica. E sendo educado no teatro recifense, brinquei que também fiquei aguardando a hora em que os atores ficassem nus. Sô doente?

Trans-Siberiana para retardados: Guia Vice da Rússia

Por um momento, quase caí na loucura de fazer a famosa Trans-Siberiana, uma das maiores viagens de trem do mundo, que vai de Moscou até a Mongólia (ou a China), e que chega até o outro extremo da Rússia, Vladivostoky.

Fiz apenas uma viagem de trem na Rússia durante esta minha estada aqui. Foi de Moscou a São Petersburgo, e apesar dos comissários simpáticos, e do restaurante, que vendia cervejas bálticas a preços pagáveis, a experiência não é das mais confortáveis. Sobretudo se for feita no inverno, cujo frio chega aos menos alguma coisa, sempre, e à noite, quando a viagem dura 13 horas.

A Vice fez um guia da Rússia, na sua edição especial sobre o país. Destaco a parte que fala da Trans-Siberiana (em inglês). Claro, os textos estão lotados do conservadorismo-cool que é a cara da revista, mas a leitura rende risadas.

(S)—Siberian Express

Many an enterprising trekker has harbored a romantic notion of taking the Siberian Express across Russia to Mongolia or Beijing. This is what is known as “retarded.” Try it and see.

Here is what your seven days will be like. Day One: Train takes off. Shitty Moscow apartment blocks give way to birch-tree forests. Guy in your compartment gets drunk and won’t stop asking, “America good? Yes?” Day Two: More drunks in tracksuits pour into your compartment, one guy passes out on your backpack. Day Three: Mongolian shuttle-tradrs board the train. They pile huge bags full of cheap goods they’re taking back to Mongolia. They stink like BO, vodka, and dried fish. Day Four: Mongolians start drinking heavily. They fight and yell at each other. You ask to be moved. The conductor demands a bribe which you don’t have. You go back to your room and guard your shit by sleeping on your pretty new Jansport. Day Five: Your camera is missing. The stench in your room is so bad you can’t even sleep. You move into the corridor where the air’s slightly less fetid and sleep while sitting on a little stool. A cop jabs you with his stick and makes you move back to your room. A Mongol woman and her two babies are now asleep on your bed plank. Day Six: The bathroom in your wagon looks like Bobby Sands’s prison cell, with shit and vomit sprayed everywhere and the toilet backed up. Your iPod is gone and so are your Pumas. Day Seven: You can’t take it anymore. You disembark somewhere near Khabarovsk. Only then do you realize that your passport, wallet, credit cards, and underwear have been stolen. It’s time to call mom and dad and ask them to spot you a ticket back home.

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