Nas primeiras horas em , cheguei quase que de surpresa ao museu Colecção Berardo, um dos mais importantes de Lisboa. Localizado ao lado do famoso mosteiro dos Jerônimos (onde estão enterrados popstars de Portugal, como Vasco da Gama), o lugar tem diversos andares de exposições, além de um café e instalações ao ar livre. As fotos acima são obras da expô “A Culpa Não é Minha“, que tem a intenção de fazer um panorama da portuguesa.

Cerca de 100 peças mostram diversas técnicas, das mais tradicionais como a pintura e as video-instalações até algumas mais ousadas como manequins. Todas foram feitas a partir os anos 1990 e tem o corpo e o espaço como referência comum. Uma delas mostra uma mulher se despindo enquanto olha para um espaço vazio. Outro vídeo tem um homem recebendo diversas pessoas – rapazes e meninas – para beijá-lo. Há também muitas fotografias em que se evidencia o ser humano como foco de qualquer proposta.

Os criadores portugueses parecem querer dialogar com a chamada “vulnerabilidade” do corpo. O bom e necessário jogo de quebra cabeças da arte contemporânea se faz bem presente nessa exposição com peças que desafiam a lógica e o fácil entendimento de tudo. É como se os criadores denunciassem um estado atual das coisas da forma como veem e sentem, daí o nome da exposição.

A coleção pertence a António Cachola e estava guardada no no MACE, Museu de Arte Contemporânea de Elvas, desde 2007. Com curadoria de Eric Corne, chega pela primeira vez a Lisboa.