Revista O Grito!

Jazz Metal — Por Paulo Floro

Mês: dezembro 2010 (Página 1 de 2)

Grafites lusos

Mais grafites que encontrei nos muros de . Gostei desse recorte pop que fiz. E pra gostar ainda mais da cidade, descobri que no final de janeiro quando voltar, acontecerá uma exposição de quadrinhos com um panorama da produção recente do país.

Confra de Star Wars

O elenco de em momento relax. Falando nisso, já estou em férias. Por isso, mantenho a postagem do blog meio caótica. Volta em fevereiro a todo vapor, junto com a Revista O Grito!

Paris Underground

Daria para fazer um best of dos artistas que se apresentam no metrô de . Mas este cara foi o que encontrei de melhor até agora. Reparem na bateria improvisada com garrafas plásticas. E o estilo hipsterchic ajuda a compor o visual mais indie entre os músicos underground (literalmente) da cidade.

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Osgemeos @Lisboa

nos muros da parte histórica de . Vale a pena essas descobertas pop em Portugal.

Bando de Dois, a melhor HQ do ano

Minha coluna de quadrinhos no JC Online este ano. Em fevereiro tem mais.

Como acontece todos os anos, a Revista O Grito!, de Recife, escolheu as obras em quadrinhos mais importantes do ano que passou. A eleição, organizada por mim e por outros editores da revista tem a proposta de mapear a produção editorial do mercado de HQs nacional. Para isso, convida críticos e especialistas na área para contribuir com suas listas individuais. Este ano, , do quadrinhista foi a mais bem votada.

A obra de Danilo mostra uma maturidade precoce deste artista que ingressou há pouco no universo das HQs. Antes, ele era conhecido apenas pelo seu personagem Necronauta, um espécie de super-herói sobrenatural. Nesta sua primeira narrativa longa, ele trouxe boas ideias narrativas, numa história com muita ação e ritmo.

A história também aposta no inusitado e coloca os quadrinhos à frente de outras mídias no que diz respeito a novos olhares sobre o cangaço. A trama trata de Tinhoso e Cavera di Boi, dois cangaceiros que tiveram o bando exterminado. Eles agora querem vingança e também esperam recuperar as cabeças dos companheiros, para que assim, eles possam descansar em paz.

Beyruth quis trazer ao cangaço referências do western norte-americano, onde a realidade é deixada de lado em favor do entretenimento mais urgente. “Queria fazer o que o faroeste americano faz com suas histórias, tornando aqueles cenários e personagens em algo maior do que são. Se você conhecer o cowboy de verdade verá que é bem diferente daquilo. Aí eles vão e colocam o Clint Eastwood como um super-herói”, disse ele em entrevista à Revista O Grito!.

Outras boas HQs nacionais, tiveram destaque na lista. Uma delas é Cachalote, talvez a mais comentada do ano. Escrita por Daniel Galera e desenhada por Rafael Coutinho, é uma narrativa não muito fácil sobre cotidiano e relacionamentos. Fazendo uma comparação ruim, é como um filme de arte em que se precisa de dedicação para penetrar. Obra corajosa e ousada para o nosso mercado. Foi ajudada pela forte campanha de marketing da Companhia das Letras, que esse ano investiu bastante em quadrinhos.

Gefangene, de Koostela é outro destaque. Poucas vezes li uma narrativa tão tensa em tão poucos quadros. Fala de diversas situações em que as liberdades individuais são retiradas, como as prisões. Não há diálogos. As tiras de Orlandeli também marcaram 2010. Muda tudo o que se espera de uma simples tirinha de humor. E como esquecer de Laerte? Este ano, o autor de Piratas do Tietê fez de si mesmo um personagem e provocou a sociedade com suas tiras e vida pessoal. Experimentalismo e ousadia em assuntos que nossas mentes talvez ainda não estejam preparadas. Muchacha foi seu livro mais importante, mas toda a sua produção vale a pena, sobretudo as tiras diárias que saem no jornal Folha de S. Paulo.

Anos acompanhando quadrinhos, não lembro de ter visto um ano com tanta qualidade. Listas como essa publicada nesta quinta-feira (23) são ótimas para fomentar debates sobre nosso mercado editorial. E que 2011 seja ainda mais incrível.

Paris loves Mimi

Fiquei impressionado com a repercussão que , filme de teve aqui em . Desde que cheguei, encontrei diversas vezes a imagem de Le Meaux, a atriz burlesca que interpreta a si mesma no filme. Ela está na capa da Les InRockuptibles desta semana. Dá pra ler aqui. Tem as famigeradas tradicionais listas de melhores do ano.

A culpa não é minha, diz a arte em Lisboa

Nas primeiras horas em , cheguei quase que de surpresa ao museu Colecção Berardo, um dos mais importantes de Lisboa. Localizado ao lado do famoso mosteiro dos Jerônimos (onde estão enterrados popstars de Portugal, como Vasco da Gama), o lugar tem diversos andares de exposições, além de um café e instalações ao ar livre. As fotos acima são obras da expô “A Culpa Não é Minha“, que tem a intenção de fazer um panorama da portuguesa.

Cerca de 100 peças mostram diversas técnicas, das mais tradicionais como a pintura e as video-instalações até algumas mais ousadas como manequins. Todas foram feitas a partir os anos 1990 e tem o corpo e o espaço como referência comum. Uma delas mostra uma mulher se despindo enquanto olha para um espaço vazio. Outro vídeo tem um homem recebendo diversas pessoas – rapazes e meninas – para beijá-lo. Há também muitas fotografias em que se evidencia o ser humano como foco de qualquer proposta.

Os criadores portugueses parecem querer dialogar com a chamada “vulnerabilidade” do corpo. O bom e necessário jogo de quebra cabeças da arte contemporânea se faz bem presente nessa exposição com peças que desafiam a lógica e o fácil entendimento de tudo. É como se os criadores denunciassem um estado atual das coisas da forma como veem e sentem, daí o nome da exposição.

A coleção pertence a António Cachola e estava guardada no no MACE, Museu de Arte Contemporânea de Elvas, desde 2007. Com curadoria de Eric Corne, chega pela primeira vez a Lisboa.

Some people are gay

Recado do Ian…

Gaza para não esquecer

Matéria que fiz para minha coluna de quadrinhos no JC Online. HQ mais incrível que li este ano.

No novo livro do cartunista e jornalista , o autor tem um interesse especial nas notas de rodapé. Conhecido por retratar em quadrinhos o conflito árabe-israelense, ele sempre focou no lado humano da guerra, dando voz a pessoas comuns, o que na cobertura diária dos jornais, ganham apenas poucas linhas, “notas de rodapé”.

Em Notas sobre Gaza, lançado pela Quadrinhos na Cia., ele denuncia algo que parecia relegado ao esquecimento dentro das notícias diárias sobre as batalhas e atentados na região. Em 1956, soldados israelenses praticaram duas chacinas nas cidades de Khan Younis e Rafah. Centenas de civis palestinos desarmados foram mortos pelo exército com metralhadoras e cassetetes.

A obra é a mais importante do autor, que já escreveu outras HQs sobre o conflito entre Israel e Palestina. Demorou sete anos para ser feita. Sacco decidiu retirar da obscuridade esses dois episódios, que segundo ele, podem ajudar a entender a escalada de violência entre os dois povos. Ele entrevista testemunhas que viveram aqueles dias e conta em riqueza de detalhes a crueldade com que Israel efetuou o massacre.

É uma HQ de denúncia, e Sacco tem todo o cuidado de fazer uma apuração cuidadosa. No final do livro, inclusive, há documentos da ONU que afirmam que os soldados teriam atirado em uma multidão em pânico. Já de acordo com o primeiro-ministro israelense, as tropas lutaram contra rebeldes armados, ainda que não tenha ocorrido uma única baixa em suas tropas.

O livro ainda traz cenas do cotidiano da Faixa de Gaza, como as demolições das casas, os atentados terroristas e a ocupação de colônias judias onde antes existiam casas árabes. Sacco trouxe um novo tipo de jornalismo, ao usar as entrevistas como parte da narrativa e também por usá-las em suas reflexões sobre um conflito que cada vez mais, parece longe de um fim.

As HQs têm se mostrado um campo fértil para mostrar histórias sobre conflitos e guerras. Saccoé um dos expoentes desse tipo de narrativa, com obras pautadas pelo jornalismo e olhar investigativo. O JC Online fez uma lista com histórias em quadrinhos que trazem um olhar diferenciado sobre diferentes momentos da história em que as liberdades foram ameaçadas.

Batman vs WikiLeaks

E se o WikiLeaks vazar as identidades secretas? Daqui.

Rússia em 2018

O blog mais legal da passada, o Copa Que Interessa, depois de meses calado, voltou a blogar com o anúncio das duas novas sedes. Esse anúncio do SerraLeoa.Org adianta a enxurrada de críticas que a Rússia deve receber até o dia dos jogos.

O universo, por El Guincho

Organizando a lista de melhores vídeos do ano, relembrei o quanto gosto desse “Bombay”, do . Mostra como a boa e velha colagem, base de todo videoclipe, ainda funciona tão bem.

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