O Último Mestre do Ar é outra bola fora de M. Night Shyamalan

Depois de Harry Potter, assinar uma série multimilionária em Hollywood virou meta da vida de muitos diretores. M. Night Shyamalan ganhou a sua, depois de ter no currículo hits como Corpo Fechado e O Sexto Sentido. , que estreia nesta sexta-feira em todo o País, é a tentativa frustrada do diretor de colar suas referências de autor a uma saga de ação inspirada em um famoso desenho animado.

Quem não for um obcecado pelo desenho animado que deu origem ao filme (crianças e alguns marmajos) e for ao cinema em busca de uma experiência divertida em 3D, vai se decepcionar. Os recursos aqui são pífios, e torna a imagem escura sem necessidade. O filme tem o que projetores e técnicos chamam de “terceira dimensão recauchutada”, ou seja, a produção não foi pensada originalmente para usar a tecnologia.

A tática é o jeito que os estúdios encontram de alavancar as bilheterias, sobretudo um filme com apelo infantil como esse O Último Mestre do Ar. Mas o resultado é fraco. A história fala de quatro reinos que dominam os elementos água, ar, terra e fogo e têm entre seus moradores pessoas especiais que controlam os elementos. O equilíbrio é mantido por um ser chamado de Avatar, que faz a ponte entre o mundo espiritual, que garante a ordem no planeta.

Por algum motivo, esse Avatar desapareceu e seu retorno ao mundo, 100 anos depois, é o mote deste longa. Ele é um garoto, Aang, o novato Noah Ringer, que ainda não completou seu treinamento e precisa salvar o mundo dos tiranos do Reino do Fogo, que querem destruir tudo que há de espiritual para manter o controle. O filme tenta tocar em assuntos como preconceito racial, etnocídio (o Reino do Ar foi totalmente dizimado), mas é raso e chama atenção apenas pelos efeitos especiais feitos pela empresa de George Lucas.

No elenco se destacam Dev Patel, famoso como astro de Quem Quer Ser Um Milionário, e Ringer, que é um faixa-preta de kung-fu na vida real. O resto serve como escada para os efeitos especiais de encher os olhos nessa produção que é uma mistura nonsense de Matrix, Sete anos no Tibet e Senhor dos Anéis.

Shyamalan ainda tenta fazer uso da parte espiritual da história como forma de linkar com seus outros filmes que tratam do “desconhecido”, como A Dama da Água e Corpo Fechado. Mas é um trabalho que não retoma a relevância desse diretor que foi elogiado no início da carreira com Sexto Sentido (1999).

O AVATAR ORIGINAL – Desenho que deu origem ao filme, Avatar – O Último Mestre do Ar fez bastante sucesso no Brasil e foi exibido pelo canal Nickelodeon e, na TV aberta, pela Globo. Mesmo sendo mais antigo, o filme não pôde usar o nome original por causa do longa de James Cameron de mesmo nome que estreou ano passado.

Texto publicado no JC Online.

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