Revista O Grito!

Jazz Metal — Por Paulo Floro

Data: 16 de agosto de 2010

Ney Matogrosso + Trapalhões

Clássico! Esse Ney sim é legal. Um dos melhores momentos do cantor, sem falar nos Trapalhões.

Ney Matogrosso mais comportado

Ney Matogrosso reencontra público exigente em show mais comportado

Um Ney Matogrosso mais contido, discreto, cantou canções conhecidas da Música Popular Brasileira na noite deste domingo (15). Esta é a segunda vez que o cantor traz ao Recife o show Beijo Bandido e novamente no palco do Teatro Guararapes. A conhecida entrega do músico, a impecável direção artística e a iluminação de encher os olhos, tudo que se espera de Ney estavam lá, mas muitas de suas fãs saíram do espetáculo com a impressão de algo faltando.

O teatro estava lotado por elas, senhoras bem maquiadas que pagaram o ingresso de R$ 120 para curtir um Ney Matogrosso idealizado, exalando sexo e provocante em dancinhas. Mas a proposta deste espetáculo é menos corporal e mais de interpretação, uma excelência vocal, que não deixa de emocionar. Muita gente ainda estava na mente com o elogiado show anterior, Inclassificáveis, que tem até uma sugerida nudez total do cantor.

Mas, se Ney conseguiu se desvencilhar dos clichês atribuídos a sua persona, seu público parece mostrar interesse por sua criteriosa escolha de repertório, ainda que sinta falta do lado mais performático. Músicas pop como “Bicho de Sete Cabeças”, de Geraldo Azevedo e Zé Ramalho, “Medo de Amar” de Vinícius de Moraes, e “Fascinação”, sucesso na voz de Elis Regina, tiveram interpretações inspiradas, a que o público respondia com muitos aplausos e coro.

Neste Beijo Bandido, tudo é muito discreto: a banda no palco, um banquinho e Ney vestido com um bem cortado terno aberto estrategicamente para mostrar seu peito cabeludo. No momento mais sexy, dançou no palco. Mas, comportado, voltou à atmosfera mais clássica focada na sua voz. Emendou “Mulher sem Razão”, de Cazuza. O público gritava, “Toca Sangue Latino!!”, repetidamente.

Uma senhora ao lado da reportagem, dizia, “mas Ney nem falou com a plateia”. Na saída, um rápido fala-povo com as mulheres na faixa dos 60 anos que eram a maioria no teatro revelava uma das principais queixas desse público: “Ele nem trocou de figurino no palco”.

Com um público tão apaixonado e exigente, ninguém duvida que o próximo show de Ney Matogrosso é garantia de sucesso quando passar por Recife.

Mais uma cobertura desse final de semana para o JC Online. Legal ver as senhorinhas sentindo falta de um Ney mais sexy.

Céu no Recife

Show sempre foda da Céu nesse sábado em Olinda. Vagarosa é o melhor trabalho da cantora, mas este já é o terceiro show que faz na cidade. Quem se deu bem foi a Sem Loção.

Escrevi esse texto para o JC Online.

Aperitivo para Sem Loção, Céu confirma prestígio entre os alternativos

Sim, todos cantaram suas músicas, mas Céu não foi a protagonista da festa que levou o seu nome, Do Céu ao Inferno, promovido pelo projeto Mercado da Música, no Mercado Eufrásio Barbosa, em Olinda, nesta madrugada de domingo (15). Ela começou seu show por volta da 1h, quando os DJs da Sem Loção já tinham esquentado o público com hits da música pop.

Esta é a terceira vez que a cantora apresenta esse show no Recife, que tem seu último disco Vagarosa (2009) como alavanca. A última apresentação foi no palco do Rec Beat, no Carnaval deste ano. Esse é inegavelmente o melhor momento da cantora que, depois de ser revelada como nome promissor da música pop e ser elogiada pela crítica internacional, retornou este ano de uma turnê no exterior que passou por mais de seis países.

“Eu sei que vocês estão cansados dessa ladainha, mas eu amo estar aqui”, disse Céu. E deve amar mesmo. A plateia cantava todas as suas músicas, desde as canções mais alternativas de seu ótimo último álbum, até as mais populares do primeiro CD, quando ainda não tinha sido abraçada pelo público alternativo (ou “indie” como queiram).

No palco, hits do novo trabalho são mais interessantes, pois tem uma proposta mais desafiadora, de transpor as batidas dubs e os vocais lascivos criados em estúdio, para o palco. O primeiro disco homônimo tem uma digestão mais fácil, com hits que caberiam numa novela das 7, como “Malemolência” (‘menino bonito / menino bonito / ai’). Ou a ótima “Lenda”.

Mas são hits como “Cordão da insônia”, “Bubuia” e “Sonâmbulo”, mais recentes, que fizeram da cantora um nome revelante dentro do cenário pop. Mesmo tendo a pecha de “nome promissor entre as vozes femininas”, ela conseguiu se desvincular da atual geração de cantoras que seguem interpretando compositores e músicos de quando ainda não eram nascidas. Céu se cercou de personalidades da safra recente, como o baterista Curumim, Pupillo, da Nação Zumbi, Fernando Catatau, do Cidadão Instigado, sem falar do seu marido, o produtor Gui Amabis. Isso trouxe inovações ao seu som, que, com ares mais contemporâneos, encontrou ecos fora do País.

No inferninho que estava o Mercado Eufrásio lotado, com ventiladores soltando vapor de água, Céu ainda aproveitou para cantar uma música nova, que não revelou o nome. Saiu do palco ovacionada, mas seu show não teve o mesmo impacto de suas últimas vindas. Grande parte do público já se perguntava: “Já pode ir até o chão”?

BATIDÃO – Grife mais importante quando se trata de festas no Recife, a Sem Loção já tem seu público cativo, que dessa vez fez intersecção com apreciadores de Céu. Mas todos estavam lá, adolescentes, moderninhos e trintões ao som dos DJs Lala K, Rebel K e Original DJ Copy.

No som, um mix de hits trash com baile funk e pitadas de novidades da recente safra, como a banda Phoenix e Hercules and Love Affair (esses nem tão novos assim). O que importava mesmo era a descontração, a piada sempre engatilhada na forma de música e claro, algo dos anos 80 e 90, porque todo mundo merece ser feliz na pista de dança.

Ninguém viu sinal de Céu depois do show, e às oito horas da manhã, já não se tem noção de muita coisa em se tratando de Sem Loção. Um outro show da cantora no Recife possivelmente não terá muito a acrescentar ao público, mas Recife mostrou que este é o lugar ideal para ela estrear seu próximo trabalho.

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