Revista O Grito!

Jazz Metal — Por Paulo Floro

Data: 3 de maio de 2010 (Página 1 de 2)

Da liga dos jornalistas com cojones

Comercial do Reporters Without Borders. Daqui.

Um ensaio sobre a adolescência por Laís Bodanzky

Por Rafaella Soares

O Cine PE dá muita sorte a Laís Bodanzky. Foi em uma sessão de 2001, no mesmo festival, que seu primeiro filme, Bicho de Sete Cabeças, teve uma repercussão absurda e ganhou nada menos que nove prêmios, incluindo Melhor Filme, Direção e Ator para Rodrigo Santoro.

Na sessão dessa quinta-feira (29), foi a vez de a diretora estrear “As melhores coisas do mundo” (2010), prometido como a resposta anti-Malhação das telas. De fato, para a frequencia jovem, maioria expresiva desta edição do festival, a escola, se já não é mais uma realidade, tá logo ali, em lembranças recentes.

Não é o retrato de uma geração, mas vá lá, retrata uma parcela de jovens de São Paulo, brancos, classe média, com seus pais professores, antropólogos, esclarecidos, que trabalham para prover uma vida confortável que inclui a versão fictícia do colégio Equipe – “reaça” (reacionário), para um dos genitores, mas ainda assim esfera que ambienta a vida dos protagonistas na maior parte do tempo.

O filme revela o cotidiano de um grupo de jovens muito simpáticos e parecidos com gente de verdade, como diz a música de Renato Russo. Os irmãos Pedro (Fiuk, filho de Fábio Júnior, também cantor, ator adolescente hypado) e Mano (Francisco Miguez, revelação prazerosa) são protagonistas de uma trama que parece previsível até a separação dos pais, quando eles passam a viver dificuldades de relacionamento e até experiências com bullyng.

A forma como as coisas são mostradas, sem arquétipos maniqueístas, é o que há de mais positivo no filme. Tudo parte de um roteiro simples, mas a condução é muito boa, sem clichês enfadonhos e cheio de ternura. Aliás, é uma satisfação ver os atores Paulo Vilhena (o professor de música de Mano) e Denise Fraga (a mãe dos adolescentes) em papéis naturais, no caso dele, e contida, no caso dela. A jovem Gabriela Rocha (Carol) é outra descoberta fofa, além do sempre bom Caio Blat.

Encontrar o tom ficcional em situações cotidianas é um achado. Nisso, o filme é muito bem sucedido. A trilha sonora é outro detalhe bacana. Depois de se verem representados em “As melhores coisas do mundo”, os mais jovens podem pensar: em cinema, não precisa recorrer a histórias mirabolantes de vampiros pudicos para envolver. E aos mais ou menos jovens, recomendo carregar o playlist com uma certa canção de uma certa banda de Liverpool, de um álbum com o nome da famosa rua londrina, para ouvir no fim da sessão.

Texto publicado no JC Online, na sexta (30).

Cine PE 2010, um fim

Fotos que fiz na premiação do Cine PE ontem, no Cine São Luiz, em Recife. Foi legal cobrir o festival nessa semana que passou, mas entrega de prêmios é sempre uma coisa monótona. Laís Bodansky, de As Melhores Coisas do Mundo fez o arrastão dos prêmios.

Born Free é M.I.A. com mais raiva

M.I.A, Born Free from ROMAIN-GAVRAS on Vimeo.

M.I.A. sempre batendo a real. Lançado na segunda passada (26), o clipe é dirigido por Romain Gravas, filho do diretor Constantin Costa-Gravas (Z) e autor de “Stress”, do Justice. Um claro contraste com seus hiper-coloridos vídeos de seus discos anteriores, a cantora anglo-cingalesa agora irrita a vista com uma violência explícita. É uma clara intenção em continuar malquista entre o norte-americano médio, o público, segundo ela, “conformado”.

O mote do vídeo é mostrar a violência da polícia dos EUA. Um esquadrão prende diversos garotos ruivos, levando-os a uma espécie de campo da morte. Um deles leva um tiro na cabeça, não deve ter mais que 11 anos. Outro explode e os pedaços voam na tela.

MIA sempre foi uma ativista dos direitos humanos e a política nunca se afastou de suas músicas, mesmo as mais simples. É uma militância que gerou dois ótimos discos, Arular e Kala. Com este “Born Free”, a cantora passa a um momento menos coloridos que trabalhos anteriores, onde misturava raegge, funk, electro e hip-hop em embalagens com muita cor e excesso de informação, seja em clipes, capa de single, website. A MIA de agora é menos alegre, não quer mais usar de cinismo, ironia pra criticar. Quer usar das mesmas atrocidades pra atacar seus desafetos; vocal mais sujo, mais roqueira e menos electro, enfim.

“Born Free” é um bofetão na cara. Tenhamos medo onde MIA quer chegar.

50 anos de quê?

Ótima HQ de Daniel Carvalho que saiu no Correio Braziliense no sábado (1º), relacionado aos 50 anos de Brasília. Seria legal que mais jornais dessem espaço para esse pessoal novo.

Tem mais trabalhos legais dele no Flickr. Via Gomez.

Página 1 de 2

Jazz Metal é um blog da Revista O Grito!. Todos os direitos reservados. © 2013–2019