Revista O Grito!

Jazz Metal — Por Paulo Floro

Mês: junho 2009 (Página 2 de 9)

Mr. Catra, o macho alfa

Mulheres já brigaram por você?
Porra. Já quebraram carro, destruíram van, casa, fizeram o cacete.

Mas você é um puta cara feio, Catra.
É isso que fico impressionado [risos]. Não é possível que uma mulher queira uma coisa preta dessas suando em cima dela. Que é isso? Que coisa escrota, cara! Quando tu acaba, te olha no espelho, todo suadão, e ela te olhando com aquela cara feliz achando que você é a coisa mais linda do mundo. você fala: “Puta que o pariu! Deve tá de gozação!”. Por isso que mulher não precisa orar.

Mr. Catra, 21 filhos, cinco mulheres, nas páginas negras da Trip de Junho.

Coquetel Molotov, Julho de 2009

Série de resenhas que escrevi para a edição #06 da revista . A capa é de Guizado. A revista tem distribuição gratuita e pode ser conseguida pelo www.coquetelmolotov.com.br

GUI BORATTO – Take My Breath Away (Kompkt)
Desde que lançou “Beautiful Life” seu maior hit até agora, Gui Boratto não largou mais a alcunha de DJ mais bem-sucedido do País. Assim como o álbum anterior, Chromophobia, este Take My Breath Away também foi editado pelo selo alemão Kompakt, e já ganhou repercussão lá fora mesmo antes de um lançamento por aqui. Boratto continua firma nas experimentações do minimal house, gênero conhecido por uma elegante discrição e certas viagens hipnóticas, mas agora reforça seu intuito em botar as pessoas para dançarem. “Atomic Soda”, com batidas sujas, é a mais pesada do disco e é um chamariz para pistas, assim como “Besides”, cheia de barulhinhos. E se tem algo que o DJ e produtor brasileiro ficou conhecido é pelo seu talento em criar melodias de forte impacto no ouvinte, caso de “No Turning Back”. Aqui, sai o Gui Boratto esteta e entra o curador de temas emotivos e passionais.

JEMAPUR – Evacuation (W+K Tokyo Lab)
Toshiaki Ooi é um ilustre desconhecido no meio independente mundial, e isso não se deve ao fato dele ser japonês. Com seu projeto Jemapur, Ooi se aventura em estilos sem muito apelo pop, além de mostrar um claro interesse em experimentações de toda sorte. Com apenas 23 anos, ele lança este Evacuation, uma orquestra um tanto caótica, que vai do industrial ao Hip Hop, passando pelo Dubstep, ritmo em alta na cena eletrônica e o IDM. Para os que mantiverem a paciência durante toda a audição do álbum, vai poder conferir as boas intenções do rapaz. A principal delas é “Maledict Car”, música com tons psicodélicos, que ganhou até um bom videoclipe. “Panter Time” também é outra boa surpresa. Para quem quiser apostar no garoto, a filial japonesa da EMI comprou os direitos de distribuição deste disco.

THE VERY BEST – Esau Mwamwaya and Radioclit are the Very Best (Ghettopop/Green Owl)
Desde que a primeira década do século começou, a música pop já mostra sinais de que está interessada em ritmos menos ortodoxos. O projeto The Very Best é a prova de que a junção entre hits do Ocidente e a África é algo que pode render frutos criativos. A dupla franco-sueca Radioclit se uniu ao artista malauie Esau Mwamwaya e fez uma mixtape onde passeiam por canções de M.I.A. a Vampire Weekend. Mais do que ser um ótimo trabalho de copy+paste, o disco mostra de forma bem-humorada o quanto é rica a musicalidade africana e como ela se casa tão bem ao panorama pop atual. Entre divertidos remixes e samplers, ao menos duas músicas já são hits em pistas: “Kamphopo”, que remodela “Heart It Races” do Archicteture In Helsinki e “Get it Up”, que tem participação de M.I.A. e Santogold.

BURAKA SOM SISTEMA – Black Diamond (Enchufada/Sony-BMG)
O Buraka Som Sistema é uma banda de Portugal que ficou conhecida por reentroduzir o ritmo Kuduro na cena musical de Lisboa e, em menor proporção, no resto do mundo. Mas, os méritos da banda ainda vão além. Eles foram até a África, mais precisamente Angola e Moçambique e redescobriram novos estilos, entre eles o Semba, o Kalemba, entre outros. Nessa multiculturalidade, sobrou espaço até para o funk carioca, com a participação de Deize Tigrona em “Aqui Pra Vocês”. Tem muita gente apostando na proposta, até mesmo M.I.A., que canta em “Sounds Of Kuduro”. Resta saber o grupo terá fôlego para sobreviver após o estouro da bolha que foi o sucesso do kuduro.

N.A.S.A. – The Spirit Of Apolo (Anti-Records)
Este disco do N.A.S.A. era um dos lançamentos mais aguardados desde que foram divulgados seus participantes: Tom Waits, David Byrne, Karen O., dos Yeah Yeah Yeahs, Spank Rock, Chuck D, Lovefoxxx, do CSS, a onipresente M.I.A. e mais outra dezena. A ideia de juntar tanta gente de estilos tão díspares foi do norte-americano Squeak E. Clean e do brasileiro Zegon. Um caldo tão heterogêneo que vai do Samba ao Hip Hop poderia desandar para algo caótico, já que tantos estilos costurados comprometem um pouco da unidade do trabalho. Mas, conceitualmente, The Spirit Of Apolo é isso mesmo, um imenso caldeirão, onde as músicas funcionam, cada uma, como um hit em potencial. Em tempos de Last.FM e blogs de MP3, esta talvez seja a premissa dos tempos atuais. Ouça no random mode.

No Play – The Smiths

Para um feriado clichê, minhas armas.

Pop Portraits: Crystal Castles

CC no Coachella este ano.

Folha publica tiras de Liniers a partir de hoje

Hoje a Folha de S. Paulo começa a publicar as tiras do argentino

, sucesso de crítica no Brasil. Apesar de omitir este fato em sua matéria de apresentação do autor, Macanudo não é inédito no País. Já foi publicado pela revista piauí, além da editora Zarabatana, que lançou ano passado o primeiro volume das tiras.

A revista independente Graffiti 76% Quadrinhos também publicou Liniers, mas em outra série, Conejos de Viaje, e na língua original, em espanhol.

As tiras de Macanudo mostram personagens discutindo assuntos prosaicos da vida, com um quê de melancolia.

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