Revista O Grito!

Jazz Metal — Por Paulo Floro

Data: 4 de junho de 2009 (Página 1 de 2)

No play – Bon Iver

Um herói para esta tarde.

Linkando e pintando

Gênio essa foto do Samuel Green fazendo referência ao Unknow Pleasure do Joy Division.

Catando mais na web, achei outro ilustrador, o Alan McDonald, fazendo link com música pop nessa foto.

A legenda te lembra algo?

Tem mais aqui.

Buraka Som Sistema @ Continente

A África foi hype ano passado, mas o grupo tomou de assalto a música pop – mais precisamente dos EUA – no início deste ano. Eles se utilizam do estilo kuduro, de Angola para promover misturas com outros ritmos como música eletrônica e funk.

Escrevi a matéria do disco novo, Black Diamond para a Continente de maio. Como a revista saiu das bancas, reproduzo o texto abaixo.

Efeitos sonoros em composição eclética
O grupo português Buraka Som Sistema, que mistura o kuduro de Luanda com música eletrônica e hip hop, lança Black diamond, disco bem-recebido pela crítica

Cantado em português, com uso de ritmos oriundos de países como Angola e Brasil, o grupo Buraka Som Sistema é um caso curioso de sucesso dentro do cenário pop internacional. Desde que lançou o disco Black diamond nos EUA, em fevereiro deste ano, a banda acumula êxitos. O mais recente é a escalação para um dos maiores festivais musicais do mundo, o Coachella, na Califórnia, que recebe mais de 170 mil pessoas em seus três dias de shows. A agenda da turnê ainda passa por mais 17 cidades até junho. A premissa básica foi misturar o kuduro, gênero nascido na periferia de Luanda, com música eletrônica e hip hop.

Natural da cidade de Amadora, um dos distritos de Lisboa, o Buraka Som Sistema fez sucesso em 2006 com o single Yah, despertando interesse de bandas e produtores europeus que os incluíram em seus sets. Depois de dois EPs lançados com tiragens baixas em Portugal, eles alcançaram inesperada repercussão com Black diamond, álbum que levou o grupo ao panorama da música eletrônica, quando propôs criativa mistura de música eletrônica com os ritmos tocados nas periferias de Luanda e Lisboa. O disco, ainda sem previsão de lançamento no Brasil, foi lançado pela multinacional Sony BMG, em parceria com o pequeno selo luso Enchufada. Até o momento, já alcançou disco de platina, com mais de 10 mil unidades vendidas apenas em Portugal.

A gênese desse sucesso faz parte de uma conjuntura pela qual passa a música do Ocidente, de buscar uma interação com a chamada “periferia” do mundo globalizado. Neste caldo de forte apelo étnico, produtores e DJs da Europa estão indo até a África em busca de novas sonoridades. Este novo tipo de “african pop” vem cheio de aparatos modernos, mas traz referências à música tradicional de países como Angola, Moçambique, Congo e Malauí.

A experiência antropológica do Buraka Som Sistema passa longe do puramente exótico. Surge num contexto de uma Europa cada vez mais miscigenada e tenta criar novos significados para a interação luso-africana, sem negligenciar anos de dominação europeia no continente. O kuduro angolano é o principal ponto de ligação. Ritmo de fortes influências tribais, ele ganhou roupagens modernas nas periferias portuguesas, como o electroclash, dance music e rap. O BSS aproveitou esse processo em ebulição e lançou o projeto que logo foi apelidado de “guettotech”.

A boa aceitação que o álbum teve na imprensa especializada tornou o kuduro conhecido entre outros públicos. Serviu também para apresentar ritmos que, mesmo soterrados sob roupagens modernas traz diversas ligações com uma África tradicional. A música “Kalemba (Wegue Wegue)”, resgata o Semba, ritmo tradicional de Angola e tem versos em quimbundo, uma das línguas bantas mais faladas em Angola.

Coletivo global
O sucesso do kuduro através do trabalho de produtores europeus tem semelhança com a trajetória do funk carioca no cenário internacional. Os portugueses do Buraka Som Sistema foram além e criaram com Black diamond uma espécie de sintonizador de tendências e ritmos oriundos da África, Brasil e Europa. Estão lá o funk, com a participação da cantora Deize Tigrona, os britânicos do Vírus Sindycate, a rapper anglo-cingalesa M.I.A., que toca a música cartão-de-visita da banda, “Sounds Of Kuduro”, além de cantoras angolanas e portuguesas, como Pongo Love, Puto Prata e MC Saborosa.

A banda consegue jogar luz sobre diversos artistas, que longe de ficarem presos ao moribundo rótulo de “world music” fazem parte do cenário da música pop, sem que com isso precisem se despir de suas origens locais. Mais do que um curioso sucesso do momento, o Buraka Som Sistema pode ser parte de uma nova ordem mundial na música popular mundial.

Byrne de saias

, de saia rosa em Vermont, na última segunda. A foto é de Graeme Flegenheimer. Trendy.

Bad bambi

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