Jay-Z é legítimo “chefão” do Hip-Hop americano
Por Paulo Floro

JAY-Z
American Gangster
[Roc-A-Fella, 2007]

Em uma das cenas mais representativas do filme O Gangster, o outrora poderoso e rico traficante Frank Lucas sai da prisão em 1991, após 15 anos e encontra uma Nova York sem o glamour dos anos de ouro quando comandava a venda de heroína. A cena dura menos de um minuto, mas o que chama atenção é o hip-hop que se ouve ao fundo.

Com uma trajetória desconhecida de muitos, Frank Lucas já foi tema de várias letras do rap norte-americano. Jay-Z fez mais. Ele criou um disco conceitual baseado no filme de Ridley Scott, que dá nome ao seu disco. Jay-Z após assistir ao filme, viu muito em comum entre sua trajetória e a de Lucas. Ambos homens de negócio, o rapper, diferente do traficante retratado no filme soube “abandonar” as drogas a tempo.

Com este disco, Jay-Z recupera sua credibilidade, abalada desde seu último álbum, Kingdom Come (2006). As letras, intercaladas por diálogos do filme, contam a ascenção e queda de um dos maiores criminosos do Harlem. Este é o primeiro álbum conceitual do rapper, e o cuidado com a construção fez de American Gangster um disco rico em preciosismos. Para quem assistiu o filme, é uma experiência prazerosa encontrar as referências espalhadas em cada música.

Jay-Z também encontrou uma nova direção a seguir em seu rap já tão famoso. Como o filme é ambientado no fim dos anos 1960, o rapper bebe muito em nomes do soul e da música black americana. A faixa-título tem sampler de “Short Eyes” de Curtis Mayfield, enquanto “American Dreamin” sampleia “Soon I’ll Be Loving You Again” de Marvin Gaye. E, como bom gangster que é, Jay-Z juntou toda a “família” no álbum. Nas, The Neptunes, Jermaine Dupri, Kanye West, Lil Wayne e, é claro, Beyoncé.

Quando nos debruçamos sobre os avanços estéticos e formais (nas rimas e nas melodias) que Jay-Z trouxe ao Hip-Hop, encontramos mais outra característica em comum com o gangster Frank Lucas. Jay-Z praticamente anula seus concorrentes, dando a eles uma míriade de conceitos e idéias, que reprocessadas, dão origem a bons resultados. Seu poderio está longe de terminar e, se depender de discos tão bem acabados e com ótimas propostas como esse American Gangster, sua influência ainda se fará presente por muito tempo. Excelente.

NOTA: 9,0

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