Controversas torres gêmeas servem de mote para discussão sobre futuro urbanístico da cidade

Por Paulo Floro
Da Revista O Grito!

Há cerca de dois anos, cineastas da nova cena recifense se juntaram para criar um projeto que acenderia um debate sobre o projeto urbano que vem sendo construído por aqui e que tem como maior símbolo as torres gêmeas construídas na região portuária, no Bairro do Recife. O curta [projetotorresgemeas] foi exibido nessa terça (8) no Janela Internacional de Cinema do Recife, no cinema São Luiz dentro de um especial de filmes que falavam sobre arquitetura e urbanismo, como Eiffel, de Luiz Joaquim e Menino Aranha, de Mariana Lacerda.

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Mais do que uma crítica contundente, o que há de mais interessante no curta é seu deboche, sua clara intenção de provocação. Incluindo aí a cena final, que para os mais críticos e ranzinzas pode prejudicar o “debate”. O que é exposto é que as transformações já foram iniciadas e seguem num ritmo crescente sob um múltiplos discursos, entre eles o do progresso, renovação, e ocupação, no mais curioso uso da palavra como se descaracterizar o espaço fosse algo benéfico a todos.

Sem nenhuma intenção de contemporizar, trazer outras vozes, o projeto assume uma posição clara e firme, e segura suas opiniões com bom humor. As soluções encontradas para expor isso à plateia chegam em diversos formatos e estilos, alguns mais felizes que outros, mas com uma unidade e montagem bem conduzida. A ideia maior é mostrar como poucos grupos empresariais definem o futuro da cidade, sem levar em conta a conservação da história arquitetônica local e o impacto que prédios como as torres gêmeas causam na paisagem da cidade (sem comentar o impacto no meio-ambiente, cheio de controvérsia).

O curta quer deixar claro que, sem pensar o futuro, Recife caminha para se transformar em uma cidade descaracterizada, sem personalidade, baseada puramente no conforto de algumas pessoas. Sem humor, sem viço. O projeto do filme teve início em abril deste ano, quando um blog foi aberto para chamar realizadores a enviarem material que daria origem ao projeto. Todos assinaram a montagem e direção coletivamente.

Cinco editores pegaram o material bruto e chegaram a uma edição final que foi exibido no Janela de Cinema. Segundo os realizadores, o intuito era propor um debate sobre as relações de poder no Recife, a partir de iniciativas que influenciam o cotidiano de quem reside na cidade. E conseguiram. O objetivo maior é que a iniciativa tão provocativa se torne um movimento para ninguém ficar passivo à mudança que chega, cada vez mais veloz.

[PROJETOTORRESGEMEAS]
Ana Lira, André Antônio, André George Medeiros, Auxiliadora Martins, Caio Zatti, Camilo Soares,
Chico Lacerda, Chico Mulatinho, Cristina Gouvêa, Eduarda Ribeiro, Eli Maria, Felipe Peres Calheiros, Fernando Chiapetta, Geraldo Filho, Grilo, Guga S. Rocha, Iomana Rocha, Isabela Stampanoni, João Maria, João Vigo, Jonathas de Andrade, Larissa Brainer, Leo Falcão, Leo Leite, Leonardo Lacca, Lúcia Veras, Luciana Rabelo, Luís Fernando Moura, Luís Henrique Leal, Luiz Joaquim, Marcele Lima, Marcelo Lordello, Marcelo Pedroso, Mariana Porto, Matheus Veras Batista, Mayra Meira, Milene Migliano, Nara Normande, Nara Oliveira, Nicolau Rodrigues, Pedro Ernesto Barreira, Paulo Sano, Priscilla Andrade, Rafael Cabral, Rafael Travassos, Rodrigo Almeida, Rebeca Mello, Tamires Cruz, Tomaz Alves Souza, Tião, Wilson Freirer
[BRA, Independente, 2011]

O filme foi disponibilizado online. Veja abaixo, em HD.

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