Cena de Jackie Brown, Tarantino em estado bruto. (Divulgação).

Cena de Jackie Brown, Tarantino em estado bruto. (Divulgação).

O festival Janela Internacional de Cinema do Recife anunciou sua tradicional programação de clássicos. Onze filmes compõem a sexta edição do Clássicos do Janela, que desta vez terão como tema “Filmes de Rua”, todos em cópias novas ou restauradas. A novidade deste ano é que a maior parte dos filmes ganhará duas exibições. Entre os destaques, estão produções de Alfred Hitchcock, Charlie Chaplin e David Lean.

O festival acontece nos próximos dias 6 a 15 de novembro. Como todos os anos, o Cine São Luiz, espaço de resistência entre os cinemas de rua no Brasil, será uma das salas de exibição, que, a partir dos próximos dias, contará com equipamentos de projeção digital e capacidade de apresentar filmes em 3D, incluindo novos processadores e amplificadores de som para formato Dolby 7.1.

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Outra novidade desta edição é que a maior parte dos clássicos ganhará duas sessões cada (exceto West Side Story e The Warriors). Entre os diretores que terão filmes exibidos estão Alfred Hitchcock, David Lean (Desencanto, filme que completa 70 anos, do mesmo diretor de Lawrence da Arábia), Charlie Chaplin, Carlos Saura, Quentin Tarantino e irmãos Cohen, além de títulos emblemáticos do horror, aventura e ficção-científica, entre eles Um Lobisomem Americano em Londres, de John Landis e A Pequena Loja de Horrores, na versão de 1986 por Frank Oz.

O terror b A Pequena Lojas de Horrores. (Divulgação).

O terror b A Pequena Lojas de Horrores. (Divulgação).

“Esse tema ‘filmes de rua’ é um assunto que vem se desenvolvendo recentemente e que se encaixa muito bem nas ações e nas discussões do Janela deste ano. Depois percebi que os Clássicos também trazem uma narrativa que acontece na rua. Desde ‘Desencanto’, de David Lean, sobre um homem e uma mulher, já casados, que se conhecem em Londres, iniciando um romance em que a rua tem uma participação muito forte, até ‘Jackie Brown’ e ‘O Grande Lebowski’, que se passam pelas ruas de Los Angeles. Esses dois filmes dos anos 1990 nos lembram que os clássicos podem estar mais próximos do que a gente imagina. Das dezenas de clássicos que o janela exibiu nos últimos seis anos, esses filmes são os caçulas e de anos muito próximos (1997-98). Até ‘Cría Cuervos’, de Carlos Saura, enclausurado em ambiente doméstico, mostra a cada 15 ou 20 minutos as ruas e o barulho urbano de Madri, como contraponto”, comenta Kleber Mendonça Filho, um dos curadores.

Entre as sessões de destaque, estão o suspense-aventura Intriga Internacional, filme da fase norte-americana de Hitchcock, e o musical Amor, sublime amor” (“West Side Story”), sobre gangues de uma Nova York ainda em formação e com trilha de Leonard Bernstein – ambos com exibições programadas com resolução de imagem 4k.

O festival ainda traz A Pequena Loja de Horrores (a primeira foi nos anos 1960, com Jack Nicholson). “Na mesma noite em que veremos o clássico Os Selvagens da Noite, de Walter Hill (lançado no Cinema São Luiz em 1979), faremos uma exibição especial da cópia restaurada do filme Amigos de Risco, de Daniel Bandeira. Esse é um filme marcante na produção pernambucana, está fazendo dez anos e ficou infelizmente fora de circulação após seu lançamento em festivais. Os laços cinéfilos entre “The Warriors” e “Amigos de Risco” são claros”, diz Kléber.

Cría Cuervos, de Carlos Saura. (Divulgação).

Cría Cuervos, de Carlos Saura. (Divulgação).

Veja a lista:

Clássicos do Janela 2015 – todos em DCP

Um Lobisomem Americano em Londres (An American Werewolf in London, Inglaterra/EUA, 1981, 97 min), de John Landis.
Dois estudantes americanos perdidos na Grã-Bretanha encontram o horror de um lobisomem numa noite de lua. Um amigo vira zumbi e o outro irá virar lobo nas ruas de Londres, numa rara mistura de terror sanguinário e humor sombrio. A trilha sonora e os efeitos especiais são incríveis.

O Grande Lebowski (The Big Lebowski, EUA, 1998, 117 min), dos irmãos Cohen.
“The Dude”, mestre maconheiro e preguiçoso conceitual, precisa esclarecer um engano absurdo que envolve o seu nome, Lebowski. A cidade de Los Angeles com seu ar entorpecido é o espaço urbano perfeito para essa comédia inesquecível. Um dos melhores filmes do irmãos Coen, donos de uma vasta filmografia.

Desencanto (Brief Encounter, Inglaterra, 1945, 86 min, p&b), de David Lean.
Tão discreta quanto poderosa, uma história de amor entre um homem e uma mulher casados acontece a partir de uma estação de trem e toma as ruas de Londres imediatamente após a 2ª Guerra. Eles vão também ao cinema. A obra prima de David Lean completa, em 2015, 70 anos.

As Luzes da Cidade (City Lights, EUA, 1931, 87 minutos, p&b), de Charlie Chaplin.
O amor do clássico vagabundo de Chaplin por uma garota que vende flores. O fato dela ser cega apenas aumenta o melodrama sublime dessa obra-prima que marca perfeitamente a transição do cinema mudo para o sonoro.

Cría Cuervos (idem, Espanha, 1976, 110 minutos), de Carlos Saura.
O retrato intimista de uma criança que acredita ter domínio sobre a vida e a morte da sua família. As ruas de Madri pontuam a respiração do filme, repleto de sentimentos maduros de amor e perda.

Jackie Brown (idem, EUA, 1997, 154 minutos), de Quentin Taratino.
Jackie Brown, mulher poderosa, domina uma situação que envolve criminosos, policiais e pelo menos um gentil admirador. Tudo gira em torno dela sob o comando dela, neste que é o filme mais próximo de um realismo palpável na obra de Quentin Tarantino, filmado no nível das ruas de Los Angeles.

A Pequena Loja de Horrores (Little Shop of Horrors, EUA, 1986, 84 minutos), de Frank Oz.
Numa rua pobre de uma paisagem urbana fictícia, uma pequena floricultura ganha uma estrela na sua vitrine: uma adorável planta carnívora que, como um produto rentável de mercado, só faz crescer, crescer, crescer, engolindo vivas as suas vítimas. Delicioso.

Intriga Internacional (North by Northwest, EUA, 1959, 136 minutos), de Alfred Hitchcock.
Um executivo do mercado publicitário em Nova Iorque (na mesma linha de tempo do excelente seriado Mad Men, que pesquisou esse filme de Hitchcock) vê-se envolvido numa trama espetacularmente absurda de mistério e intriga. Um dos filmes mais elegantemente divertidos do mestre do cinema, dos gráficos de Saul Bass na abertura à safadeza sofisticada do plano final.

Os Selvagens da Noite (The Warriors, EUA, 1979, 92 minutos), de Walter Hill.
A epopeia de uma gangue – Os Warriors – para voltar para casa numa noite eletrizante nas ruas de uma Nova Iorque do final dos anos 1970. O filme nos lembra que Walter Hill é um dos grandes diretores de ação do cinema americano.

Amor, Sublime Amor (West Side Story, EUA, 1961, 152 minutos), de Robert Wise.
Adaptação do mito de Romeu e Julieta para as ruas de Nova Iorque no início dos anos 1960, já tensas racialmente. Ela é branca, e ele é portorriquenho. A música de Leonard Bernstein, a decupagem clássica e tela larga fizeram a fama desse super musical hollywoodiano.

Sessão Especial : Fantasia (idem, EUA, 1940, 125 minutos), de Norm Ferguson.
A integração das grandes obras da música clássica com visuais extremamente criativos e originais da animação.

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