Exibição de Martírio no Janela: indignação que precisamos. (Divulgação).

Exibição de no Janela: indignação que precisamos. (Divulgação).

O festival revelou nesse domingo os premiados da sua nona edição. Martírio, do franco-brasileiro foi o grande vencedor. Na categoria de curtas, os prêmios principais foram para o mineiro , de Ana Carolina Soares, e o colombiano Cilaos, de Camilo Restrepo.

Nossa cobertura do Janela:
Câmara de Espelhos é pela vida das mulheres
Martírio e o cotidiano de guerra dos Guarani-Kaiowá
Curtas acendem indignação
Curtas destacam mudanças no cotidiano
Um olhar poético do Cinema Novo
Debate político abre o Janela
Curtas estão entre as melhores surpresas do festival
Entrevista Déa Ferraz, diretora de Câmara de Espelhos

Na competição de longas, o prêmio principal foi para Martírio (Brasil, 2016), do documentarista franco-brasileiro Vincent Carelli. “Por sua habilidade em reconstruir a história de um país que evita uma parte da sua própria história e que tem abusado de uma minoria desde muito tempo, após 25 anos de acúmulo de um material valioso de arquivo dos indígenas Guarani-Kaiowá, é importante para nós reconhecer a perpetuação da resistência e clamar, nos dias de hoje, por desobediência”, diz a justificativa do júri, formado por Fabienne Morris (produtora, curadora), Irandhir Santos (ator) e Paulo de Carvalho (diretor artístico do Festival Cinelatino na Alemanha).

O longa de Carelli também levou na categoria de melhor imagem pelo júri oficial do Janela, dividindo a premiação com (Argentina/Portugal/Brasil, 2016), de Eduardo Williams. Ainda entre os longas, o filme de Eduardo Williams foi laureado na categoria de melhor montagem.

Para o júri especial Janela Crítica, composto por nove jovens críticos, O Ornitólogo também foi eleito o melhor longa do festival. O curta franco-sul-africano The Beast (2016), de Michael Wahrmann e Samantha Nell, saiu com a premiação de melhor curta internacional pelo júri do Janela Crítica. Pela primeira vez este ano, os textos produzidos e publicados pelo Janela Crítica foram compilados pelo realizador e crítico Felipe André Silva na Revista Barbatana, por meio de uma seleta de críticas de filmes que geraram boas discussões.

Instituído pelo Janela em 2014, em homenagem ao amigo e crítico baiano João Sampaio, falecido em 2014, o Prêmio João Sampaio para Filmes Finíssimos que Celebram a Vida foi concedido nesta edição ao longa português O Cinema, Manoel de Oliveira e Eu, de João Botelho, aprendiz e amigo do mestre do cinema Manoel Oliveira, com quem conviveu por 40 anos.

Curtas

Formado pela jornalista e crítica de cinema Carol Almeida, pelo produtor e curador Pedro Marum (integrante do coletivo português Rabbit Hole) e pelo jornalista Nathan Reneaud (programador do Festival International du Film Indépendant de Bordeaux, na França), o júri de curtas nacionais elegeu o mineiro Estado Itinerante (MG), de Ana Carolina Soares, o melhor curta nacional. O júri especial do Janela Crítica também escolheu o trabalho de Ana Carolina como o melhor curta brasileiro. Além disso, o curta foi o preferido pela Associação Brasileira de Documentaristas e Curtametragistas de Pernambuco (ABD/PE), totalizando três prêmios no festival.

“Numa história cujo tema central é a violência doméstica contra as mulheres, esse filme trabalha com uma mise-en-scène que nos conta sobre como essa violência é algo que pode ser sentido no espaço público, seja ele a rua, um ônibus ou um bar. Ao escolher representar a presença masculina ora fora do quadro ora sem rosto – presença oculta mas manifesta na forma de uma voz ou inscrita nos sons, e ao usar a própria câmera como um corpo que, gradual e afetivamente se aproxima da personagem, a libertando em um memorável plano-sequência, ‘Estado Itinerante’ consegue lidar com um assunto delicado e poderoso, usando muitas vezes o que não é visto em cena para desvelar um tipo de violência que é, historicamente, inviabilizado”, diz o comunicado do júri de curtas nacionais do Janela.

Também foram concedidos prêmios, ainda de acordo com o júri de curtas nacionais, para Quando Os Dias Eram Eternos (São Paulo, 2016), de Marcus Vinicius Vasconcelos (melhor som); Na Missão, com Kadu (Pernambuco/Minas Gerais, 2016), de Aiano Bemfica, Kadu Freitas e Pedro Maia de Brito (melhor imagem), Se por Acaso (Rio de Janeiro, 2016), de Pedro Freire (melhor montagem), e A Moça Que Dançou com o Diabo (São Paulo, 2016), de João Paulo Miranda (menção honrosa/especial). O curta Na Missão, com Kadu foi agraciado, ainda, com o Prêmio Fepec (Federação Pernambucana de Cineclubes).

Na competição internacional de curtas, o júri formado por Marisa Merlo (idealizadora, diretora, programadora e produtora da Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba), pelo crítico Victor Guimarães e pela documentarista Mariana Lacerda premiou o colombiano Cilaos (2016), de Camilo Restrepo, como o melhor do festival. Ano passado, Restrepo já havia ganho o prêmio de melhor imagem com o curta La impresión de una Guerra.

Veja a lista completa dos premiados

MOSTRA COMPETITIVA DE LONGAS-METRAGENS:
Melhor Longa: “Martírio” (Brasil), de Vincent Carelli
Melhor Montagem: “O Auge do Humano” (Argentina/Portugal/Brasil), de Eduardo Williams
Melhor Som: “O Ornitólogo” (Portugal/França/Brasil), de João Pedro Rodrigues
Melhor Imagem: prêmio dividido entre “O Auge do Humano” (Argentina/Portugal/Brasil), de Eduardo Williams e “Martírio” (Brasil), de Vincent Carelli

MOSTRA COMPETITIVA DE CURTA-METRAGEM INTERNACIONAL:
Melhor curta internacional: “Cilaos” (Colômbia), de Camilo Restrepo
Melhor Imagem: “Yolo” (África do Sul/EUA), de Ben Russell
Melhor Som: “Manodopera” (Grécia), de Loukianos Moshonas
Melhor Montagem: “Scales in the Spectrum of Space” (EUA), de Fern Silva
Menção especial: “The Beast” (África do Sul/França), de Michael Wahrmann e Samantha Nell

MOSTRA COMPETITIVA DE CURTA-METRAGEM NACIONAL:
Melhor curta nacional: “Estado Itinerante” (MG), de Ana Carolina Soares
Melhor imagem: “Na Missão, com Kadu” (PE/MG), de Aiano Bemfica, Kadu Freitas e Pedro Maia de Brito
Melhor montagem: “Se por Acaso” (RJ), de Pedro Freire
Melhor Som: “Quando os dias eram eternos” (SP), de Marcus Vinicius Vasconcelos
Menção Honrosa/Especial do Júri: “A Moça Que Dançou com o Diabo” (SP), de João Paulo Miranda

PRÊMIO JANELA CRÍTICA:
Melhor curta nacional: “Estado Itinerante” (MG), de Ana Carolina Soares
Melhor curta internacional: “The Beast” (África do Sul/França), de Michael Wahrmann e Samantha Nell
Melhor Longa: “O Ornitólogo” (Portugal/França/Brasil), de João Pedro Rodrigues

PRÊMIO ABD (Associação Brasileira de Documentaristas e Curtametragistas de Pernambuco – ABD/PE):
“Estado Itinerante” (MG), de Ana Carolina Soares

PRÊMIO OFERECIDO PELO PORTOMÍDIA (120h de estúdio para finalização de imagem e/ou som concedido para o melhor filme pernambucano do festival):
“O Porteiro do Dia” (PE), de Fábio Leal

PRÊMIO FEPEC (Federação Pernambucana de Cineclubes)
Curta “Na Missão, com Kadu” (PE/MG), de Aiano Bemfica, Kadu Freitas e Pedro Maia de Brito

PRÊMIO JOÃO SAMPAIO PARA FILMES FINÍSSIMOS QUE CELEBRAM A VIDA
“O Cinema, Manoel de Oliveira e eu” (Portugal), de João Botelho

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