Jamie Lidell (Foto: Divulgação)

APENAS CORRETO
Jaime Lidell volta à ativa com um álbum que de tão comercial se torna insosso e pouco referente à seu passado de alquimista
Por Fernando de Albuquerque

JAMIE LIDELL
Jim
[Warp, 2008]

Tudo bem que Jaime Lidell é uma das revelações musicais do ano, mas seu novo disco, intitulado Jim, não tem nada que valha todo alarde que está sendo feito em torno desse inglês radicado em Berlim. Esse é seu terceiro disco que chega às prateleiras mantendo as influências funk e soul, agora, temperadas com uma forte pitada pop. Com direito a palminhas rápidas e estalar de dedos. Aquele espiritozinho de felicidade fake que dá aquela vontadezinha de começar a bater os sapatinhos embaixo de um restaurante.

O grande feito dele não está na musicalidade, mas sim no jeito de fazê-la. Lidell sabe manipular com organicidade música negra e instrumentos de computador criando uma espécie de poliritmia afrobeat em harmonias que alterna a submissão do soul ao funk e vice-versa. E aí poderíamos elencar Otis Redding, Curtis Mayfield, Prince, Felá Kuti e Herbie Hancocok como as principais ícones presentes na música dele.

Jim é um álbum direto e bastante econômico. São 10 músicas prontas para se tornarem hits ou mesmo figurar na lista das mais tocadas para solteirões de meia idade que paqueram senhoritas fogosas. E isso com uma receita que fará Jamie ganhar muito com as vendas de CDs. Ele mistura vocais bem calorosos e emotivos, com letras bem otimistas e prontas para encarar a praia de Copacabana com sungão ou suquine.

O fato é que Lidell é bom. Ele faz um soul modernoso com pitacos eletrônicos que ensaiam uma pista de dança meio morta, o que em certas músicas ganham um climinha cool, mas é como se faltasse algo. Há um sentimento de incompletude que faz com que Jim seja um álbum meramente correto, mas sem alma.

No mais, é torcer para Lidell não ser mal interpretado e acabar diluindo sua carreira. Com esse novo CD ele pode ser comparado à gente como Lauryn Hill e até Kanye West, gente que, vez ou outra, bebe na fonte do soul, trajando roupas da estação. Já Jamie pertence a um grupo mais substancioso que se faz de alquimista e mistura elementos bem díspares. Ah, o bunito aporta no Brasil em outubro, substituindo, no line-up do Tim Festival, a dupla Autechre que também é do selo Warp e cancelou a vinda por motivos bem obscuros. Ele se apresentará no palco TIM Lab, no primeiro dia do evento, sexta (21.10), com M Takara 3 e Vincent Gallo.

NOTA: 3,0

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