NOVAS FRONTEIRAS ESTÉTICAS
Música brega consolida sua ressignificação enquanto produto cultural periférico para ocupar um novo papel no cenário fonográfico e festivo do Recife

Por Fernando de Albuquerque
Editor da Revista O Grito!, em Recife

Se no passado a tchurminha descolê ouvia Reginaldo Rossi e torcia o nariz para suas canções românticas, hoje, a coisa é bem diferente. Elevada à uma nova categoria, a música brega (da qual nosso querido intérprete de “Garçom”, supracitado, faz parte) saiu do ostracismo do subúrbio e ganhou a praça da primeira classe. Re-embalada sobre o ideário de uma estética trash-cult, o ritmo que faz a cabeça de quem sorrateiramente ganha o dia em Roda de Fogo, Buraco da Gata e Bola na Rede é a mais nova sensação da classe média consumista.

O fenômeno não é novo e começou lá atrás com bandas como Espelho Meu, Metade, Cia. do Calypso, Carta de Baralho e Lolita. Estas abriram o espaço de apresentação produzindo mega shows em locais institucionalmente dedicados ao consumo da classe média, como o Clube Internacional, que hoje é um verdadeiro celeiro dessas bandas. Ganhou status com o crescimento do consumo das músicas de Kelvis Duran, que já fez shows em festas consagradas pela “elite cultural consumista da capital”, como o Baile do I Love Cafusu. E iniciou sua consolidação com João do Morro, que acabou de chegar na bandeja de CDs da classe B, mas que ainda nutre certa ressalva de quem vai dar o play.

Um dos principais exemplos dessa institucionalização foi a festa “Segura a Chapa”, realizada na última terça-feira, 20 de abril, no Armazém 14. Tendo como principal atração a cantora Michele Melo, que já fez grande sucesso na cidade, o local cuja frequência começou meio tímida quase ficou lotada.

Michele Melo, a bombshell e front-woman da noite fez todo mundo dançar entoando seus novos hits, levando representates da plateia para o palco e mostrando, de meia-calça e cinta-liga, como é que se dança de verdade o ritmo que toma conta das massas. Colocando, em constante cerco, os limites entre os corpos dançantes dos indivíduos presentes. Destaque ainda para o resgate musical no set de Lady Khekhe, da festa Putz!, uma das organizadoras do encontro.

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