Iron Maiden (Foto: Dudu Schnaider/Divulgação)
Comoção: Até suítes do motel vizinho ao local do show foram reservadas para fãs do Iron Maiden (Foto: Dudu Schnaider/Divulgação)

UMA DONZELA QUE AINDA ARRASTA MULTIDÕES
Apostando em repertório de sucessos, Iron Maiden termina a turnê no Brasil com show em Recife
Por Lidianne Andrade

IRON MAIDEN – Somewhere Back In Time
Jockey Club – Recife
[31 de março de 2009]

Uma legião de camisas pretas tomou conta das ruas pernambucanas na noite da terça-feira, 31 de março. Um marco para a história do metal e para os fãs da donzela de ferro: Iron Maiden esteve no Recife finalizando sua passagem pelo Brasil. Os reis do metal estiveram antes em São Paulo, Rio de Janeiro, Manaus e Belo Horizonte, em shows homéricos. Para muitos, um sonho realizado de anos de escuta em CDs e ver notícias em revista e pela rede. Foram três meses de espera desde a marcação oficial da data, uma agonia para comprar ingressos e incertezas quanto à capacidade de Recife de comportar um show de tal porte. Tudo confirmado com saldo positivo às 21h15 da noite, quando o primeiro solo de Janick Gers ecoou do Jockey Clube do Recife.

A abertura pouco importava, principalmente com um rock melódico quase country sem sal de Lauren Harris, divulgando o álbum Calm Before The Storm, cujo único mérito é ser filha do baixista Steve Harris. Meia hora foi tempo suficiente (mantido em todas as apresentações da moça em sua passagem pelo Brasil) para mostrar a quer veio, dar tchau e deixar o espetáculo começar. Se fosse uma outra banda, dava até para desconfiar do que viria pelo opening acts. Comparando a idade da ninfa com a do mais novo integrante da banda, os 24 anos da jovem soam até irônicos. Muito ainda para caminhar e agradecer ao pai e os tiozões. E muita educação da multidão em frente ao palco que não vaiou em nenhum momento.

Iron Maiden (Foto: Dudu Schnaider/Divulgação)

O ESPETÁCULO
Com pontualidade quase britânica e mais de 30 toneladas de equipamento no palco, o Iron Maiden inicia seu espetáculo. Olhando ao lado, de leve para não ser percebido, notam-se olhos vermelhos e lágrimas singelas até da galerinha da Imprensa. “É o Iron Maden, cacete!”, grita uma voz ao presenciar a trupe, Bruce Dickinson (vocal, 50), Steve Harris (baixo, 53), Nicko McBrain (bateria, 56), Adrian Smith (guitarrista, 52), Dave Murray (guitarra, 51) e Janick Gers (guitarra, 56).

Bruce Dickinson é motivo de devoção de muitos fãs. A sua voz é forte como um trovão e constante como os melhores tenores do mundo. Para iniciar a apresentação, nada menos que “Aces High”, explorando pontos altos da sua potência vocal. A voz limpa e clara como em gravação de CD saiu do microfone para fazer os fãs delirarem e lembrar o quanto o Madien ainda tem para oferecer.

O set list do show foi mantido o mesmo de todos as outras apresentações da turnê e trouxeram só sucessos de começo de carreira, preterindo novas canções por músicas que fizeram da banda um fenômeno mundial. “Children of the Damned”, “The Number Of The Beast” (com corinho no “Six Six Six”) e Run To The Hills, entre outras.

No mar de camisas pretas que cobriu o chão de terra do Jockey Clube, os telões foram a salvação. Mesmo para os beneficiados ou pagantes da pista Premium, pouco dava para ser visto do rosto dos cinqüentões a olho nu. Luz atrás, na frente, do lado em cima dos músicos, só mesmo no telão para ver quem estava em que lugar.

O palco lotado de equipamento e tanta luz mal deu para ver as piruetas e correrias do Bruce. Pouco espaço para Steve Harris e seu baixo Fender branco, que corre por todo o palco, fazendo a galera delirar. Até o famoso boneco Eddie veio ao Recife na versão gigante, deixando o espaço ainda menor! E olha que nem deu para a pirâmide presente no show de Sampa.

Era só a multidão reconhecer a introdução que começava a gritaria. Um dos destaques do show foram os 13 minutos de agitação com “Rime of The Ancient Mariner”. O delírio do público começou já na intro, com o solo de Harris. Com a sempre presente em turnês “Hallowed Be thy Name” não foi diferente. E algumas lágrimas a mais de emoção de ver o clássico repetido 30 anos depois rolaram pupilas abaixo.

Como todo bom show, teve bis um, bis dois e o bis três. No terceiro foi o fim mesmo, com “Sanctuary” e a promessa de uma volta em 2011. Contrariando possíveis preconceitos de metaleiros unidos com cara de mal, a multidão que deixou a área ao som de “Look on the Bright Side of Life”, dos britânicos do Monty Pyton foi tranquila.

Iron Maiden (Foto: Dudu Schnaider/Divulgação)

SCREAM FOR ME RECIFE!
Com mais de 20 anos de carreia, o Iron Meiden levou pais, filhos, netos e irmãos ao show. Muita criança suspensa nos ombros e velhões exibindo tatuagens e camisas antigas guardadas para uma ocasião especial.

Segundo dados da assessoria de imprensa, um público de 18 mil foi ao show. Olhando nas fotografias, umas 50 mil cabeças. Gente de todos os lugares do Estado e vizinhança. Em Natal, uma caravana de 350 pessoas, mesmo para um show em dia útil. “Tenho sorte que meu chefe também curte e está aqui”, brinca o paraibano Paulo Lorenço, em Recife por dois dias para garantir um bom lugar na fila.

Olhando as imagens de outros shows, o público ficou muito comportado. Nem tanto na abertura, emburancando no Jockey pela impaciência dos 19 minutos de atraso de abertura dos portões. “A gente só entrou porque ficou com medo dos seguranças fazerem sacanagem e perder o lugar na frente”, comenta Filipe Cézar, um dos invasores que garantiu seu lugar coladinho à grade que dividia a pista comum da Premium.

Iron Maiden (Foto: Dudu Schnaider/Divulgação)O SHOW
O show da ultima sexta foi o penúltimo da turnê Somewhere Back in Time, que percorreu 38 países em 91 apresentações, todas com públicos avassaladores. Único no nordeste, os fãs do Iron Maiden não podiam perder a oportunidade. Foi a hora de quebrar os cofrinhos.

Para chegar mais perto dos caras, foram necessários desembolsar R$ 360 reais para a pista Premium, a mais cara. No meio do povão e distante algumas dezenas de metros do palco, R$ 150 bastava, ambos os valores com entrada de estudante. Parcelando nas compras on-line, pedindo emprestado, valia tudo para não perder a oportunidade. “Parcelei para estar na pista Premium e não me arrependo. O cartão a gente vê depois!”, brinca o fã João Paulo, desde cedo para garantir ainda mais visibilidade. Cedo quer dizer 8h da manhã, quando uma multidão de fãs começou a aglomeração em frente ao local. Claro que havia os peregrinos de dois e três dias, mas estes estavam tão lá na frente que nem deu para entrevistar na noite.

Show grande, público maior ainda, cambistas à solta. Muitos também ‘quebraram seus porquinhos’ para comprar entradas Vips de 360 reais e saíram no prejuízo. Afinal, quem vai para um show de metal com 360 reais em dinheiro no bolso? Desespero para vender até o fim do show. “Vai por duzentos”, grita um uns minutos antes do inicio. No meio do show, ainda tinha uns oferecendo por 50 reais entrada na Premium, segundo contam os amigos e pais encarregados de buscar os participantes da festa. No final, arrependimento de não ter investido em uma barraquinha de cerveja ou caipfruit.

Quem não conseguiu diminuir a perda dos cambistas, fez de tudo para acompanhar a festa: valia subir em árvores ao redor do Jockey, sentar na portaria para espiar um pedaço do telão, entre outras firulas. A Rua Gomes Taborda vai demorar a esquecer do episódio. A abertura aconteceu mesmo na rua, com caixas de som de carro e barraquinhas de MP3 com Iron em alto e bom som. Muitos moradores montaram barraca de bebida com isopores improvisados. Em uma outra casa, um cartaz impresso do monstro Eddie anunciava cachorro quente à venda. No motel The Place, em frente ao Jockey e com vista panorâmica em suas suítes de primeiro andar, muitas janelas abertas e cabeças espiando o show com vista panorâmica. O porteiro garante haver reservas com semanas de antecedência para a noite.

De mercado paralelo, rolou desde venda de banhos para as caravanas até bandeiras e CDs piratas do Iron. Correntes de bijouteria, bandanas, valia de tudo para lucrar. “Vendi 10 camisas e ainda nem começou o show. Cada uma a 20 conto, quero que eles voltem ao Recife!”, fala o comerciante Silvinho, com um sorriso de orelha a orelha. De fã a vendedor de cerveja, todos clamam pelo Iron Maden Recife 2011. É ficar na torcida.

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