TEMPO DE PARANOIA
Invasão Secreta, série da Marvel que começa este mês mostra o quanto a cronologia Marvel é coesa e legitima o talento de seu escritor Brian Michael Bendis, principal arquiteto de mudanças na editora
Por Paulo Floro

Uma raça alienígena se infiltrou durante décadas no planeta Terra e agora dá cabo de seu plano terrível para dominar o mundo. Com esta premissa quase simplória a Marvel concebeu sua nova saga Invasão Secreta, que traz a raça transmorfa skrull, conhecidos personagens da editora para o centro das atenções do Universo. No Brasil, as primeiras histórias começaram a sair neste mês nas revistas mensais publicadas pela Panini Comics. O sucesso da saga, que movimentou o mercado editorial norte-americano atende por um nome: Brian Michael Bendis.

O autor de Powers, Guerra Secreta e responsável pela melhor fase do Demolidor em 20 anos é, atualmente, o principal arquiteto de mudanças dentro da Marvel Comics. Ele inaugurou neste século uma nova fase, onde os acontecimentos mudam de fato a cronologia e cotidianos dos super-heróis. “O universo Marvel nunca mais será o mesmo”, afirmou Bendis ao site da revista Entertainment Weekly. Por mais clichê que a frase possa parecer, ele está certo se levarmos em conta as últimas sagas publicadas. Dinastia M, Guerra Secreta e Guerra Civil de fato provocaram mudanças significativas que até hoje repercutem. As duas mais importantes atingem quase todos os títulos da editora: a morte do Capitão América e a ascenção do Homem de Ferro como uma espécie de “comandante do mundo”.

Invasão Secreta também deixa explícito o quanto a cronologia Marvel é coesa, diferentemente de sua concorrente, a DC, que há décadas tenta colocar seu universo nos eixos, numa série de crises (a última saga Crise Final, não foi entendida nem pelos chefões da editora). Um olhar distanciado (leia-se não obcecado) só consente que se trata de um processo de implosão. Já na Marvel, as sagas seguem uma lógica mais fácil de acompanhar. Desde Vingadores: A Queda, que provocou uma revolução num dos mais conhecidos grupos da editora, até esta Invasão Secreta, tudo se entrelaçou de maneira coerente aos olhos do leitor. As vendas também responderam bem. A primeira edição de Invasão Secreta se esgotou na primeira semana de lançamento nos EUA.

Esta nova invasão skrull relaciona fatos dos primórdios da editora, como a Guerra Kree-Skrull, nos anos setenta, passando por diversos episódios importantes de grupos como Quarteto Fantástico, X-Men, Vingadores, e quase todo o elenco da editora. A convivência desses seres verdes de queixo serrilhado entre nós é tão antiga que eles estiveram presentes na edição número 2 da revista Fantastic Four, lançada em 1962 nos EUA (capa da edição ao lado).

Paranoia
A série de eventos que jogou o Universo Marvel para uma aparente desestruturação teve como intuito erodir a dicotomia herói-vilão que ainda persistia até o início desta década. Com o amadurecimento do público, autores como Brian Michael Bendis passaram a explorar a psicologia dos personagens além do “protejer a humanidade e fazer o bem”. O que ele e outros autores como Mark Millar e J. Michael Straczynski fizeram foi explorar uma vocação da Marvel em traduzir melhor a realidade nos quadrinhos.

E é na paranoia da atual sociedade norte-americana pós-11 de Setembro que Invasão Secreta se apoia. “A leitura que se deve fazer de Invasão Secreta é que não é possível saber em que podemos confiar, nem mesmo em nossos amigos e família”, afirmou Bendis à EW. A Marvel iniciou uma campanha promocional pesada meses antes da saga, com o slogan “em quem você confia?”. Nas fotos, personagens icônicos à penumbra denunciando serem skrulls. Houve até mesmo um marketing viral chamado de “embrace the change” (abraçe a mudança), que utilizava pessoas reais e levava em conta a presença dos skrulls na sociedade atual.

Invasão Secreta, assim como outras sagas recentes, especialmente a Guerra Civil, se assemelham aos anos 1980-90 para conduzir suas histórias, interligando todo o universo de títulos. Só no Brasil serão XX revistas para se acompanhar toda a série. Há quem reclame do estilo mercenário da Marvel, mas há um elogio ao fato de seus autores estarem tão bem alinhados, criando uma sensação de coerência à leitura. A Invasão Secreta segue numa minissérie em oito partes que chegou às bancas esta semana. Já no número de abertura, Brian Bendis subverte uma lógica comum desse tipo de leitura. Ao leitor, já são revelados os skrulls inflitrados e acontecem catástrofes como a destruição da sede do Quarteto Fantástico, o edifício Baxter. Vamos esperar para ver como Bendis irá prende a atenção nos próximos números.

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