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DE PROFUNDIS
Interpol retoma as referências perdidas do primeiro disco e se estabelece como uma das bandas mais importantes dos tempos recentes
por Paulo Floro

INTERPOL
Our Love to Admire
[Capitol, 2007]

O Interpol conseguiu seu espaço. Criou bases sólidas com personalidade e adquiriu respeito por parte da crítica e público. Com isso, já podemos aposentar todas as comparações com bandas do passado, que os nova-iorquinos fizeram referência (e reverência) nos dois últimos discos. Leia-se Joy Division, Echo & The Bunnymen, new romantics e a “aura pós-punk”. Esqueçamos!

O Interpol soa como Interpol. Se convertendo na banda mais soturna e pesada do rock atual. Talvez não seja tão convincente, mas é o mais justo. Our Love To Admire é o terceiro disco de uma carreira coesa e com muita personalidade. Mesmo sem alcançar um bom resultado no seu segundo disco, Antics, a banda nunca perdeu o rumo. Desde que ligou as guitarras rápidas em Turn On The Bright Lights e surpreendeu o mundo, o Interpol garantiu seu lugar, com algo original, encontrando milhões de pseudo-depressivos que ainda ouviam “Love Tear Us Apart” em boates, lá pelos idos anos 2000.

Our Love to Admire é um retorno ao início da banda. Diferente de Antics, com um apelo mais pop, dançante e limpo, o novo CD faz retorno às melodias tristes. As letras assumem um pessimismo quase masoquista. A atmosfera pesada do disco afasta a banda do pop tristonho, quase nostálgico de bandas como Wilco, Coldplay, entre tantos outros. É algo entre o desesperado e o melancólico.

A voz de Paul Banks continua sendo uma característica forte na identidade da banda, pontuando as músicas com um toque de dor. O baixo de Carlos D. assume a característica principal que faz qualquer amante da música pop reconhecer facilmente uma música do Interpol. Com Our Love to Admire, o grupo sedimenta isso. Convertendo-o em algo fundamental para a carreira do grupo. E são poucas as bandas do novo rock que conseguiram isso.Divulgação

O disco mantém uma unidade, com “No I in The Threesome” e “Scale” sendo as mais pesadas, com maior apelo emotivo e “All Fired Up” e “Heinrich Manouver” as mais dançantes. No entanto, o disco se arrasta um pouco com a quase chapada, “Wrecking Ball”, com seu grande número de efeitos, numa banda adepta da pouca produção nas músicas, como o Interpol.

Pode ser um pouco difícil se adaptar aos novos sons do Interpol, mas a banda encontrou o caminho certo. Não se rendeu à maneirismos fáceis de se aproximar de um público maior – o que seria mais óbvio agora que fazem parte de uma major – e fez o disco chave da carreira. Um belo exemplo.

NOTA: 8,5

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