A GENÉTICA DE HEROES

O Grito! procurou selecionar quais são as principais referências estéticas e narrativas de Heroes. Confira abaixo uma pequena lista de quatro grandes fontes do seriado.

X-men

A influência mais óbvia é a dos quadrinhos de mutantes da Marvel. Praticamente todo mundo explica Heroes como “É tipo os X-men”. Stan Lee, que distanciou a Marvel da DC Comics ao criar quadrinhos mais “realistas”, foi quem popularizou o conceito darwinista de “mutantes” como humanos com superpoderes que representariam um novo passo evolucionário. Relatando ainda as suas dificuldades e desafios em aprender a dominar seus poderes natos e conviver com as pessoas ditas normais.

Mas foi o britânico Chris Claremont que reinventou os X-men, transformando-os em um grupo multiétnico, com pessoas de vários países e explorando as mais diferentes culturas para justificar sua coexistência e mesmo referendar entre o público o quadrinho, abrindo os olhos ao público internacional que consome HQs produzidos nos EUA. A partir daí o sucesso cresceu o interesse de diferentes pessoas em ver nos mutantes um pouco de si mesmos. Disso se pôde extrair personagens e conflitos mais interessantes do que mantendo-os apenas dentro de um contexto norte-americano mais estreito, o que está presente de forma muito contundente em Heroes (basta observar as diferentes nacionalidades dos personagens).

Robert Altman

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O cineasta norte-americano trabalhou um bom tempo desenvolvendo a arte de criar narrativas em forma de grandes painéis, com muitos personagens que se cruzam ou não, como nos filmes Short Cuts e Prêt-à-Porter. Contudo o criador máximo desse tipo de constante vai e vem de personagens foi o italiano Ethore Scola que criou uma estética que pode ser vista em filmes como Magnólia e Babel. Heroes usa este recurso com maestria em que um herói vez ou outra está sendo colocado em xeque por outro.

Watchmen

Watchmen é o ponto máximo dos quadrinhos de super-heróis. A minissérie de Alan Moore, além de trabalhar as possibilidades dos super-heróis em um mundo realista e suas neuroses, tinha como trama uma conspiração que queria explodir Manhattan (uma verdadeira obssessão compartilhada pela indústria cultural e por Bin-laden) com o objetivo de unir o mundo.

Alguma semelhança com a trama principal de Heroes? Aliás, é muito bacana e pouco comentada os paralelos entre Nathan Petrelli e George Bush, e seu 11 de setembro. A série trabalha bem com o clima político e a questão de 11/9, principalmente em seu melhor episódio, o 20°, que se passa em um futuro fascista (aí a crítica a Bush é direta), e a mania dos norte-americanos por teorias da conspiração. O inconsciente da série passa pelas questões da alteridade e segurança, levantadas pelo atentado às torres gêmeas e a guerra contra o terror.

New Universe Marvel

Talvez a menos citada influência da série, e uma das mais importantes, seja a experiência (fracassada) da Marvel dirigida por Jim Shooter, na segunda metade da década de 80, de fazer um “novo” universo de super-heróis, muito mais realista. Durou três anos a empreitada das equipes Estigma, Psi Force e PN-7 em que um clarão, bem parecido com o eclipse da série dá partida ao Novo Universo e que tinha um vilão que desejava ser presidente dos Estados Unidos. Ele absorvia poderes de quem encontrava. Havia ainda uma loira com super-força e uma série de heróis desajustados.

Lost

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Só o sucesso de Lost explica como a TV norte-americana topou financiar uma série tão complexa e cara como Heroes, baseada em roteiristas e não em astros. Heroes foi implantado para concorrer com Lost nos Estados Unidos e está conseguindo abater a concorrente que tem uma séria crise de gerenciamento de segredos que simboliza um grande avanço de Heroes em relação aos perdidos na ilha. Heroes tem uma premissa muito mais livre no tempo e no espaço, e transformou o uso de “criar e revelar” segredos como gancho para prender o espectador em uma forma de arte.

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