Não importa qual manequim você deseje usar nessa vida. Tirando as moçoilas que nasceram com a sorte de ter entrado na fila do metabolismo rápido duas vezes, você vai passar o resto dos seus dias fazendo contas matemáticas que exigem praticamente uma calculadora financeira e a fórmula – que parece simples – na verdade não é. Trata-se de gastar mais calorias do que se consome ao longo do dia.

Eu – pessoa que tenta ser disciplinada e vive em eterna guerra com minha amiga balança – me lasco. Venho andando pro trabalho. Faço o mesmo percurso de volta (dá mais ou menos coisa de 2km a 2,5 km em cada trecho) e inda levo os cães pra dar um rolé quando chego em casa.

Se eu fechar a boca consigo emagrecer. Se não, a queima calórica mal dá pra eu não assumir a minha porção Hipopocaré, o Rei da Galhofa. Não entrei na fila do metabolismo rápido. E ainda resolvi ser jornalista. Na próxima encarnação saberei fazer pedidos melhores, pois quero ter problemas novos. Portanto decidi que, se nascer de novo, quero ser linda, loira, rica e muito burra. E jornalista jamais, faz favor!
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E aí a gente ainda sofre com os espíritos de porco. Aquelas criaturas que te azucrinam, normalmente seus amigos, que nunca te chamam pra beber leite, malhar ou comer uma salada no self-service light da esquina. Dia desses aqui na empresa teve festinha de aniversário. Bolo crocante, coxinha, refrigerante, pastel de festa. Aí você pensa: Ah, mas só uma fatiazinha de nada…faz a conta aí: andar com os cães por 30 minutos te consome 150 calorias. Andar normalmente, sem ser acelerado, por meia hora, consomem outras 156.

Até aí tá lindo. Mas sabe quanto é a josta da fatia de bolo? Uma inocente fatia de bolo de cenoura com cobertura são 371 calorias. Significa que você, que pega o seu carrinho pra ir pro trabalho se danou, sequer vai ter a chance de queimar a fatia de bolo se não estiver matriculado em uma academia.

Eu, de minha parte, odeio academia. Sempre acho que as pessoas estão lá pelos motivos errados – estética e não saúde. No centrão, há algumas ‘cafuçulândias’ ao custo de R$ 30,00 ou R$ 40,00 mensais e onde a gente não corre o risco de topar com aquelas anoréxicas loiras bem cuidadas, mas em compensação fica tendo que dividir esteira com o povo da testosterona pura: os cafuçus que fazem halterofilismo.

O que me resta – e me deixa feliz – são as caminhadas e voltinhas de bike ao ar livre. Há poucas cidades cujos centros históricos sejam tão inspiradores quanto o do Recife, que também é uma cidade bastante arborizada. Mas, falando sério? Na próxima encarnação vou procurar a fila das loiras, lindas, ricas e burras. Ah, e com o metabolismo velocidade 10M, que é pra viver de comer picanha e tomar cerveja. E jornalista de novo não, ok? Já deu o que tinha que dar!

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