I LOVE YOU BUT I’VE CHOSEN DARKNESS
Fear Is on Our Side
[Secretly Canadian, 2006]

Os acordes inicais de “The Ghost” já avisa: este é um disco não muito feliz. Podemos imaginar que este I Love You But I’ve Chosen Darkness veio para engrossar a fileira de bandas darks e tristes que emulam Joy Division (aka Editors, Interpol), mas o ILYBICD vem de Austin, Texas e são melancólicos por opção. Bem longe do glamour britânico e do hype nova-iorquino. Até mesmo o selo Secretly Canadian parece apostar nessa tristeza, já que tem o Antony and the Johnsons no seu cast. Produzido por Paul Barker, do Ministry, o disco tem todo um contexto musical oitentista, e o produtor ajudou a banda a encontrar o entreposto perfeito entre a morbidez pós-punk e a melancolia de um Ian Curtis. Não há nada animado nesse disco, que puxa o ouvinte numa montanha-russa desesperada e sombria. “Lights” tem o mesmo baixo inquietante de “Disorder” do Joy Division, e é uma canção que trata de amor de uma maneira desesperançosa. Mas o disco também traz outros temas, como a morte em “Long Walk”. Com isso, este Fear is Our Side não tem pretensões em buscar uma finalidade para tanta agrura, e é neste ponto que está sua maior virtude, ele é sincero em sua sonoridade. Não há uma faixa do disco que faça concessões às regras do pop. Prova disso é que a banda escolheu “According To Plain” como single de divulgação e ainda coloca um clipe escuro e confuso pra rodar na TV. Nesta faixa quase dá pra sentir as profundezas, aliás no disco todo. É impossível não ser atingido por esta escuridão, cheia de texturas e melodias que não encontramos qualquer hora após ouvir “We Choose Faces” e “Last Ride Together”. É necessário questionar, que um dos discos mais belos do ano vêm de uma banda melancólica do Texas? O que importa é que esse é o registro mais tocante do ano. Logo na primeira audição praticamente envolve o ouvinte e chega sem rodeios, direto naquilo que tentamos esconder, sejam frustrações, mágoas, prazeres guardados, tudo num âmbito muito particular. Para o I Love You But I’ve Chosen Darkness, as trevas estão com todos. [Paulo Floro]

NOTA:: 8,5

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