A banda Hurtmold sempre foi conhecida pela inventividade e por nunca estar à vontade em relação às convenções do som em que trafegam, no caso a música instrumental. Agora o grupo de jazz contemporâneo encontra um dos principais nomes da música mineira, Paulo Santos, em novo disco, Curado.

Lançamento do Selo Sesc, o álbum casa os timbres instrumentais de Paulo Santos com o peso do Hurtmold. Paulo Santos, de Belo Horizonte, tem 37 anos de atuação no grupo Uakti, onde ficou conhecido por criar e executar instrumentos feitos de tubos de PVC, madeira, metal e vidro. Nas últimas décadas, colaborou com Philip Glass, Paul Simon, Maria Bethânia, Milton Nascimento, entre outros. Já o Hurtmold, em 18 anos de carreira, une referências de rock e eletrônica em registros também cultuados no Brasil e exterior, e celebrados em parcerias com Marcelo Camelo, Rob Mazurek e Thomas Rohrer.

O projeto que une banda e artista mineiro nasceu no palco, a convite do festival Eletronika, na capital mineira, em 2008. Curado é o sétimo álbum da discografia do Hurtmold e primeiro trabalho em estúdio de Paulo desde o fim do Uakti, em 2015. Com 10 faixas (nove inéditas e “Bulawayo”, já gravada pelo Hurtmold), é uma obra de camadas e texturas memoráveis e transgressoras, desenvolvidas na estrada, em oito anos de shows pelo país.

“Esta mistura agregou o acústico ao eletrônico de forma harmônica”, explica Paulo, via e-mail, sobre a temporada no estúdio El Rocha, em São Paulo, no início de 2016. “O disco traz justamente uma valorização de timbres, além de apresentar uma forte densidade no desenvolvimento dos temas, arranjos e improvisações”, disse percussionista. Mauricio Takara completa: “A experiência permitiu ao Hurtmold imergir no universo de Paulo, muito próprio e completo”.

O disco sai pelo selo Sesc ao preço de R$ 20 e também pode ser ouvido pelas plataformas de streaming e no YouTube.

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