Novo trabalho da banda continua apostando no dance e synth-pop, mas agora com alguns momentos introspectivos

retorna hedonista e reflexivo, mas segue fazendo hits jogação como nunca
NOTA8

A banda inglesa Hot Chip nunca se conformou em ser enquadrada dentro de uma única cena musical. Até mesmo a pecha de ícones da pista, com faixas hitadas, nunca foi suficiente para o grupo. O novo álbum, A Bath Full Of Ecstasy, reforça o interesse do grupo em soarem hedonistas e reflexivos, contraditórios, até.

Se por um lado ainda temos músicas que convidam para a jogação, em outras temos momentos mais introspectivos e climáticos como há muito a banda não experimentava. O que fica, evidente, no entanto, é a presença bastante segura da assinatura do Hot Chip, como se tivessem finalmente refinado um processo que leva a um estilo muito marcado, mas ao mesmo tempo aberto a experimentações.

O synth-pop segue presente como no caso de “Melody Of Love”, agora com toques gospel e também em “Positive”. O mesmo pode ser dito do dance alternativo, que fez a fama deles, aqui representado por “Spell”, uma faixa que pega emprestado de Prince o tom sexy. As surpresas aparecem quando a banda tenta experimentar, caso da minimalista “Clear Blue Skies” e apoteótica “No God”, que encerra o trabalho.

Inspirados, o grupo entrega um disco com reflexões sobre o sentido da vida, o que dialoga com o título curioso do álbum, com um duplo sentido (uma banheira cheia de êxtase/ecstasy). Ao final, parecem dizer que o que nos resta é nos banhar nesse êxtase, esses pequenos momentos de alegria. O disco conecta esse escapismo da pista de dança com um toque de realidade em um dos melhores trabalhos da banda desde One Life Stand (2010).

HOT CHIP
A Bath Full Of Ecstasy
[Domino, 2019]
Produzido por Rodaidh McDonald e Philippe Zdar

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