Hot Chip (Foto: Divulgação)

Cansados da pista de dança, o Hot Chip não empolgou o próprio público
Por Paulo Floro

HOT CHIP
Made In The Dark
[Astralwerks, 2008]

hot-chip-capa-made-in-the-dark.jpgQuando o Hot Chip surgiu, em 2004, com Coming On Strong, já se avizinhava uma pujante transformação no dance-rock que colocaria a música eletrônica em uma nova e eletrizante fase. Os ingleses estiveram no centro do furacão quando lançaram The Warning, em 2006, sucesso de crítica e público e que os transformaram em gigantes no pop independente. Este novo passo, o disco Made In The Dark, estaciona a banda, apesar de algumas boas idéias.

Os primeiros singles até fazem paralelo com o disco anterior, principalmente o primeiro single “Ready To The Floor”, com seu ritmo construído em crescendo, como “Over and Over”. “Shake a Fist” também tem uma resposta boa na pista, mas após essas duas faixas, começa a crescer a frustração no ouvinte que esperava uma seleção revigorada de electro-indie. Ao menos na idéia, a banda foi feliz, já que apostou em outros ambientes e experimentou novos sons, duas coisas que fãs puristas definitivamente não gostam.

O Hot Chip em Made In The Dark parece ter cansado um pouco da pista de dança, ou ao menos da obrigação de corresponder ao que se espera de um grupo de eletrônica. Neste caso, então, o problema é mais de público e de como a banda dialoga com ele. O Radiohead foi eficaz em direcionar seus ouvintes para novas propostas. O Hot Chip, que parece ficar cada vez maior em relação ao seu tímido início não consegue fazer o mesmo. Por hora, eles são apenas uma banda de rock que se vende como eletrônica. As mudanças são notórias até mesmo nos hits. É preciso alguns minutos para a música engendrar em uma batidão sacolejante.

As baladas que preenchem o disco até quase o final, se nota uma elaboração nas letras e um maior número de referências – inclusive ao LCD Soundsystem, o norte da banda no início da carreira. Algumas são até minimalistas, lembrando um pouco Kraftwerk, mas tudo resvala numa experiência enfadonha. A lista de influências, que vai de Beatles ao rap experimental do Black Dice não formou um caldo muito coeso num dos discos mais esperados da música eletrônica recente.

NOTA: 7,0

Hot Chip – Shake A Fist
[audio: 02.Hot Chip-Shake A Fist.mp3]

Sem mais artigos