Horace Silver (Foto: Dmitri Savitski/ Divulgação)

NOVIDADE DO BLUE NOTE EM VERSÃO LIVE
Dois anos após lançar 6 Pieces Of Silver, em 1956, o pianista reuniu seu quinteto, se apresentou no festival de Newport e tem as gravações inéditas lançadas pela EMI
Por Fernando de Albuquerque

HORACE SILVER
Live at Newport 58
[EMI, 2008]

Em meados de 1955, Horace Silver e Art Blakey uniram forças numa tentativa de tornar o hard pop mais acessível às massas, adicionando ao gênero elementos do blues e da música gospel. O projeto (Jazz Messengers) teve vida curta, desembrando-se em prol da carreira individual dos músicos. Horace, porém, conservou a verve de hmaker – desta vez, aventurando-se por ritmos latinos e pelo soul jazz. O grande êxito viria com o groove arrebatador do single no clássico 6 Pieces of Silver, de 1956, de onde vem metade do repertório do histórico concerto e raro registro ao vivo no catálogo do pianista que agora o lança em CD com Live At Newport 58.

Hoje ele é considerado um dos principais pilares do piano moderno. E isso é devido a registros como esse no festival de Newport que aconteceu dois anos após o musicista colocar nas prateleiras do 6 Pieces Of Silver. Quatro peças estão no programa. A principal é “Señor Blues”, cujo groove sutil foi responsável por colocar Horace no mapa do jazz. Mas mesmo “The Outlaw”, que nunca ganhou destaque em seu repertório, aqui tem inegável charme. A bateria exuberante de Louis Hayes pavimenta o caminho para os solos de sax, trompete e do próprio Horace.

Horace é seguidos dos ensinamentos de Bud Powell e Thelonious Monk e toda sua sabedoria está expressa nesse CD. O disco capta o inspirado pianista à frente de um quinteto (Louis Smith no trompete, Junior Cook no sax tenor, Gene Taylor no baixo e Louis Hayes na bateria) durante a apresentação em um dos principais festivais de jazz dos Estados Unidos. É um set curto, pouco mais de 40 minutos, mas que entrou para a história da música e ainda hoje marca a audição.

Filho de pais nascidos em Cabo Verde (seu sobrenome inclui um Martin Tavares Silva), Horace trouxe heranças musicais européias e africanas e misturou tudo com o jazz americano. Essas idéias musicais arrojadas influenciaram muitos de seus contemporâneos e permitiram o surgimento de vários seguidores, entre eles dois brasileiros: o saxofonista Moacir Santos e o pianista Sérgio Mendes.

NOTA: 9,5

Horace Silver – Señor Blues

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