DOWNEY DE FERRO
Robert Downey Jr. é o grande destaque de Homem de Ferro, filme que ameniza o discurso político do personagem nos quadrinhos
Por Paulo Floro

A escolha de Robert Downey Jr. (Assassinos Por Natureza, Chaplin) é uma das escolhas mais acertadas da Marvel em todas as suas adaptações. Assim, como Downey Jr., o personagem Homem de Ferro também tem problemas com drogas (não dispensa uma boa garrafa de uísque) e é um mulherengo incorrigível. É dele o grande destaque do filme, dirigido por Jon Fraveau, que ainda conta com um elenco famoso, com Gwyneth Paltrow, no papel de Virginia “Pepper” Potts, Terrence Howard como Jim Rhodes, o melhor amigo de Stark e ainda Jeff Bridges, como Obadiah Stane.

Principal cabeça das Industrias Stark, uma empresa de alta tecnologia que fabrica e fornece armas para o exército americano, Tony Stark é um milionário playboy que não se importa com as implicações sociais e a finalidade se seu equipamento. Durante uma visita ao Afeganistão, ele é atingido por uma das granadas que construiu, capturado por guerrilheiros locais e forçado a trabalhar para os inimigos. Ao invés disso, constrói uma armadura de ferro para que consiga escapar de seus inimigos. Essa experiência o faz repensar toda sua trajetória de belicista e o gênio milionário decide então construir um traje de alta tecnologia que o permita transformá-lo no homem de ferro.

O roteiro, apesar de por vezes se escorar nos efeitos especiais, tem um interessante link político, o que é coerente , já que o Homem de Ferro é, talvez, o personagem mais politizado da Marvel. Atualmente, nos quadrinhos, ficou cada vez mais explícito que Tony Stark representa o arquétipo do republicano reacionário. Na recente saga Guerra Civil (publicada no Brasil pela Panini), ele lidera uma cruzada em prol do registro de super-humanos, colocando em conflito vários super-heróis. Sem escrúpulos, o Homem de Ferro prende antigos amigos e se torna responsável direto (ou indiretamente) por algumas mortes, inclusive a do Capitão América.

Já no filme, existe uma clara mensagem anti-guerra. E, apesar da ótima interpretação de Robert Downey Jr., não temos a complexidade do personagem como nos quadrinhos. Em prol das bilheterias, temos um herói, assim, reto, com uma trajetória seguindo sem caminhos tortuosos. No entanto, mesmo com esse caráter anti-belicoso do filme, a truculência norte-americana não tarda a aperecer. Em uma das cenas, o Homem de Ferro entrega um bandido à população afegã, num claro menção ao linchamento.

A aparente busca por cenas memoráveis ou icônicas, cria bons momentos, como a perseguição do herói por caças, numa referência (quase homenagem) ao filme Top Gun. Ou quando ouvimos como trilha sonora o clássico “Iron Man”, do Black Sabbath. Esta é o primeiro filme rodado nos estúdios da Marvel, ao custo de U$$ 186 milhões. Pela construção do roteiro, deve agradar aos fãs do personagem nos quadrinhos e também ao público que nunca o leu. E se depender dos atores, temos aqui uma previsão acertada de que se tornará uma franquia de sucesso.

HOMEM DE FERRO
Jon Favreau
[Iron Man, EUA, 2008]

NOTA: 7,5

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