Revista O Grito!

Holofotes —

Autor: Paulo Floro

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Joana Gatis: sexo e vingança no faroeste do Janga

O que te motiva a fazer um filme? Para a artista plástica e figurinista pernambucana Joana Gatis, 38 anos, foi raiva. O primeiro curta-metragem da diretora, Soledad, está pronto para começar a circular por festivais de cinema. Após trabalhar em dezenas de longas e curtas pernambucanos como figurinista, dentre os quais estão Baixio das Bestas e Febre do Rato de Claudio Assis, Joana dirigiu um filme de faroeste ao lado de mais dois amigos e uma grande equipe.

Foi num sonho que Joana teve a ideia inicial para Soledad, filme que leva o nome da personagem-título interpretada pela própria autora. Joana estava morando em São Paulo e, motivada por raiva, deu origem ao roteiro sobre vingança, sexo e violência. No retorno para Recife, ela encontrou na Praia do Janga, em Paulista, o cenário para o filme. “É um filme que tem muita coisa pessoal minha. É um desabafo meu sobre coisas pessoais”, contou.

“Tem muito do cinema spaghetti italiano. Eu gosto do faroeste tradicional, do Sergio Leone, porque ele tem uma pseudo-calma, uma tensão e sabe usar muito bem o tempo. E também tem muito do Mad Max, dos originais”, explicou Joana sobre as referências que serviram de inspiração para o roteiro de Soledad. O filme é completamente sem diálogos, pois segundo Joana, neste futuro não muito distante, as palavras foram esquecidas.

No meio do processo entraram dois amigos que colaboraram com o roteiro e também assinam a direção do filme: Flávia Vilela e Daniel Bandeira. Na primeira versão do roteiro, escrita em conjunto com Flávia, a atmosfera era puramente feminina e o desejo de vingança era muito mais latente. Com a chegada de Daniel, que lançou um terceiro olhar sobre a história, o faroeste ganhou outras arestas. “Daniel nos ajudou a fazer um filme possível de ser filmado, com um olhar mais técnico sobre as cenas”, contou.

A equipe contou com o talento de Dani Vilela e Diogo Costa na direção de arte, Andrea Monteiro no figurino, Tayce Vale na maquiagem, Pedro Sotero na direção de fotografia, Clayton Martin (da banda Cidadão Instigado) na trilha sonora, Daniel Bandeira na montagem, entre muitos outros.

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Cinema de mulher?

Recentemente no Recife houve uma forte discussão em torno de filmes dirigidos por mulheres, cujo foco da discussão era uma mostra de cinema segmentada. Joana, que há uma década trabalha com cinema, diz que sempre viu mulheres marcando presença nas produções e que dispensa o rótulo “cinema de mulher” pelo fato de não entender que um filme pertença unicamente a quem assina a sua direção, mas sim a toda a equipe envolvida no trabalho. “As mulheres não têm que se intimidar. Elas têm que fazer filmes. E tem que ter mais filmes feitos por todo mundo”, declarou ela. “Não tem que existir festival de mulher ou festival de homem”, completou.

Soledad é descrito por Joana como um filme feminino, mas que ela não concebe a ele o título de filme feminista, embora tenha convicção de que ele assim será chamado. A diretora estreante declarou: “Eu queria que não olhassem para o meu filme de modo diferente só porque uma mulher dirigiu. Para mim existe filme ruim e filme bom, independente de quem o dirigiu”.

“As mulheres não têm que se intimidar. Elas têm que fazer filmes. Não tem que existir festival de mulher ou de homem.”

A carreira de figurinista começou como assistência de moda em diversos trabalhos realizados em São Paulo, para onde ela mudou-se em 1997. O currículo acumula desde editoriais de moda a produção de figurino para TV. Sem nunca ter feito assistência de figurino para cinema, Joana entrou na equipe de Baixio das Bestas (2007) assinando o figurino do filme e vem traçando um caminho de sucesso desde então. O filme pernambucano mais recente com figurino produzido por Joana foi Amor, Plástico e Barulho (2012). Além de figurinista, ela é artista plástica e agora, cineasta. Seu talento se estende desde cerâmicas, arte herdada através da mãe, a telas e tecidos.

Nas telas pintadas por Joana, os corpos nus são elementos recorrentes. Em Soledad os corpos nus também estão lá. Ela não sabe explicar a recorrência do sexo em suas obras, mas assume que a sedução é algo que lhe interessa muito. O sexo é uma questão muito bem resolvida para a artista, que assume o gosto pelo tema e não nega falar sobre o assunto. Aliás, seu corpo serviu de inspiração para os desenhos do filme Deixem Diana Em Paz (2013) de Júlio Cavani.

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Ansiosa para ver o filme sendo exibido em telas grandes, Joana conta que a finalização foi um período de amadurecimento de tudo. Há 1 ano, os três diretores pensaram estar com o filme pronto, quando decidiram prolongar a estreia e trabalhar a montagem por mais algum tempo. A finalização excedeu o orçamento previsto para o filme, que foi de R$ 100 mil do edital Funcultura Audiovisual. O trio de diretores iniciou uma campanha de financiamento coletivo para arrecadar fundos para os trabalhos necessários para finalizar o filme e arrecadaram pouco mais de R$ 4 mil reais. A campanha contou com apoio de 54 pessoas.

“É um filme caro, se você assistir você verá”, conta Joana, explicando que sequências de tiroteio exigiram muitos efeitos de maquiagem e a arte do filme foi caprichada. O filme tem inclusive efeitos visuais, um capricho que poucos filmes podem ter. Soledad pode virar uma série de TV, caso os planos que Joana Gatis têm em mente se concretizem. A ideia está sendo trabalhada ainda na cabeça dela. O filme, ainda inédito, deve estrear em festivais de cinema no segundo semestre de 2015. A sessão de estreia no Recife ainda não está marcada, mas Joana prevê que deve acontecer em poucos meses.

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As coisas belas de Isadora Melo

O jeito tímido de Isadora Melo contrasta com a segurança e firmeza de sua voz. Basta alguns minutos para convencer o ouvinte sobre a verdade de seu canto, uma certeza que fica clara em cada interpretação. Um dos principais nomes da nova cena musical independente do Recife, Isadora está conectada ao círculo de nomes talentoso de sua geração. O seu primeiro disco, ainda inédito, tem tudo para se tornar um dos registros-chave para entender o bom momento desta nova safra.

Encontramos Isadora no Edifício Pernambuco em uma tarde de quarta-feira de muito sol no Recife. O local é um dos principais polos de economia criativa do Estado e se beneficia desses dias claros por causa de suas janelas largas e longas varandas. Isadora divide seu tempo entre a produção de seu disco de estreia e seu emprego de designer. Ela assinou cartazes do festival Excentricidades e trabalhou nas peças do longa A História da Eternidade, de Camilo Cavalcanti. Diz que está em um processo de escolher caminhos, assume a pouca experiência e avisa que está feliz.

“Escolhi a música por casualidade e me sinto feliz. É isso que quero fazer pelo resto da minha vida”, diz com a voz mansa, mas assertiva, sentada em um sofá confortável no andar sem divisórias e bem arejado do edifício. O disco está quase pronto e tem produção de Juliano Holanda, amigo e nome importante da nova geração de músicos pernambucanos. Ainda sem título, o álbum deve sair em setembro e terá ainda composições de Zé Manoel, Areia, Clara Simas, Hugo Linns, Paulo Paes e Caio Lima.

Tudo será gravado ao vivo com uma atmosfera acústica.

O trabalho terá um tom nostálgico, assume Isadora, fã de Elizete Cardoso – “a melhor cantora de todos os tempos” -, mas também irá trazer o olhar da cantora sobre coisas belas. “O disco é muito do que quero dizer e muito do que estou vivendo agora”. Como outros artistas de sua geração, Isadora olha o passado não como uma reverência, mas na busca de referências para compreender o presente. Um pouco da proposta artística dela está disponível no EP homônimo com três músicas.

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Teste, palco e turnê de supetão

Apesar de surgir como uma boa surpresa na música pernambucana, a história de Isadora Melo como artista começou bem antes, ainda criança. Sua lembrança mais remota é se empolgar com o clima dos bastidores e ensaios em trabalhos de seus pais. Ela é filha da atriz Sônia Cristina, que fez Manual Prático da Felicidade, entre outros e do cantor Karlson Correia. Estudou violoncelo no Conservatório Pernambucano de Música, mas abandonou para estudar para o vestibular.

Já no curso de design da Universidade Federal de Pernambuco se deparou com um cartaz para testes da peça O Baile do Menino Deus, uma das mais tradicionais do ciclo natalino do Recife. “Fui bem despretensiosa para a audição e consegui o papel. O diretor também me deu um solo”, lembra. “Foi meu primeiro trabalho profissional.” De zero experiência passou direto para um palco com 10 mil pessoas no Marco Zero, Centro do Recife. Ainda lembra bem daquele dia de estreia quando no momento em que tinha todas as atenções voltadas para si, errou a letra. “Eu errei a letra. Na verdade, achei que tinha errado e por isso parei e disse ‘ai meu deus'”, conta rindo.

“Escolhi a música por casualidade e me sinto feliz. É isso que quero fazer pelo resto da minha vida”

Foi no Baile que Isadora conheceu o bandolinista Rafael Marques, nome decisivo para seu ingresso na carreira de cantora. Ele estava precisando de uma cantora para seu projeto de chorinho, Arabiando. “A cantora tinha acabado de sair e eles estavam atrás de alguém para seguir em turnê”. Foi apenas um mês de ensaio e lá estava Isadora em Viçosa do Ceará em um festival cheio de nomes importantes do gênero. Estavam lá Jorge Cardoso e o Choro das Três, grupo de garotas de São Paulo sucesso no meio.

“Entrei sem saber nada de chorinho, mas acabou sendo uma experiência incrível. Eles já estavam no nivel de profissionalização muito além do que eu estava na época e isso foi incrível para mim.” A experiência do choro levou Isadora ao samba. Chegou a trabalhar com o Trio Pouca Chinfra e a Cozinha. Conforme a segurança crescia, seu círculo aumentou além dos gêneros que a colocaram no mundo da música. “O início da vida que estou vivendo hoje foi quando conheci Mery Lemos, hoje minha produtora. Ela procurava uma cantora para fazer os shows do novo disco de Juliana Holanda.

Nome importante da atual cena recifense, Juliano tinha cinco músicas cantadas por mulheres e precisava de uma cantora fixa para excursionar junto com sua banda. Na turnê, Isadora fez laços que se fortaleceram para gerar sua estreia em disco. “Juliano Holanda e Areia me instigaram a fazer outras histórias. Comecei a ampliar meus interesses e percebi que poderia experimentar na música outras experiências de vida que eu tinha”. Passado os shows, a cantora estava pronta para estrear ao vivo em um projeto onde sua voz era o centro de tudo.

Sexto andar e além

A estreia de Isadora Melo foi no Coletivo Sexto Andar em um show intimista com apenas sete músicas. Em seguida ela foi ao estúdio Muzak para registrar as faixas do EP. A repercussão foi boa e marcou o início da carreira solo. “Eu perguntei que nome daria para o projeto e Mery disse ‘coloca Isadora Melo mesmo’.” A afirmação foi acertada: a música reflete bem a personalidade da intérprete, que assume um estilo muito próprio já neste início.

“Apesar de não serem minhas as letras, consigo me conectar com que elas dizem e tornar aquilo parte de mim”, explica. “Tive sorte de trabalhar com Juliano que é um artista foda, muito talentoso”. Para quem começou de maneira despretensiosa, Isadora já enfrentou muitos desafios. Agora, é a vez do público desfrutar dessa visão das coisas belas que ela trouxe para seu canto.

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Conheça mais do trabalho de Isadora Melo:

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Pé Preto: Candeias não é para amadores

Se fosse apenas pela característica de ser bairro praiano povoado de tipos meio urbanos, meio caiçaras, Candeias, bairro de Jaboatão (cidade da Região Metropolitana do Recife), poderia ser berço de cantores de voz e violão reproduzidos aos montes em barzinhos bucólicos de beira-mar. Não que eles não existam.

Mas a verdade é que as diversas placas indicativas de que aquele trecho não é recomendado para banho nem tampouco para surfistas afoitos, devido à incidência de ataques de tubarões, bem que poderiam indicar “Atenção: aqui se faz boa música”. Citar Candeias é importante para falar sobre a Pé Preto, uma das bandas pernambucanas autorais mais criativas surgidas na leva dos anos de 2000 e que só agora lançam disco de estreia.

Funk americano, soul e afrobeat são algumas das principais influências sonoras. Formada atualmente por Filipe Niero (voz e letras), Vinicius ‘Lezo’ Nunes (baixo), Pedro ‘Chainha’ Sanchez (guitarra), Heverton ‘Bilisca’ Lima (bateria) mais Chico Rocha (guitarra), João Nogueira (teclas) Gilmar Black (sax), Enok Chagas (trompete), Marconi Tulio (trombone) e Júnior Do Jarro (percussão), a banda completa 10 anos em 2014, mesmo ano que vai enfim marcar a gravação do seu primeiro álbum. Entre viagens de integrantes e dedicação a projetos solos, a banda passou um tempo parada para agora retornarem com tudo. É Candeias que está impressa sutilmente no estilo de vida dos artistas que a habitam ou que de lá saíram para ganhar o mundo.

“A gente se conhece desde os 13, 14 anos. Começamos a tirar um som despretensiosamente nessa época e surgiu a ideia de fazer uma banda. Quando a gente tinha entre 18 e 16 anos, começamos a pensar o nome até que “Pé Preto” surgiu. Isso em 2003. A gente tava no colégio ainda, eu indo pra faculdade. Depois que a gente foi conceituar o nome” conta Vinícius Nunes, o ‘Lezo’, sobre o início com os parceiros Pedro ‘Chainha’ Sanchez e Heverton ‘Bilisca’.

“Em 2004 eu conheci Felipe Niero. Numa volta de carro, mostrei o Tim Maia Racional pra ele, que ficou muito empolgado. Sempre gostei de ir atrás de disco, pesquisar a respeito. Através do meu pai também conheci muitas obras de samba, funk, desde guri. Já Niero teve uma criação musical de muito samba, MPB, João Bosco, Chico Buarque, João Gilberto. E a influência de Pedro é mais rock’ n’roll, de Led Zepellin, Pink Floyd”, completa.

A banda até então era Vinícius e Pedro, quando Niero foi convidado a se juntar ao grupo, que não sabia que ele cantava. Foi ele que veio com a ideia de convidar o baterista Belisca, e recém-chegado de Brasília e tinha uma banda. Por coincidência, todos moravam muito próximos, coisa de um quarteirão do outro. “Conheci Niero e Glauco por causa de Iuri, que era baixista da Comuna (atualmente toca n’A Rua), e é amigo meu de infância, relembra.

Nessa época, a turma de Candeias costumava se reunir pelo menos uma vez por mês, aos domingos, pra levar jam sessions instrumentais que reunia na casa de alguém os futuros integrantes de bandas como Monomotores, Comuna, Pé Preto, Johnny Hooker. “Foi uma época muito construtiva. E muitos ainda tocam ainda hoje a carreira de músico: o próprio Johnny, Iuri (Pimentel), Amaro (Mendonça), Glauco, tá todo mundo de alguma forma ligado à música”, revela Vinícius.

O primeiro show aconteceu no extinto Capibar. O grupo seguiu ensaiando, entre covers de Jorge Ben e outras inspirações, com o primeiro vocalista (Cioba, que tocava na banda de reggae Malakai). Em um dos ensaios, o músico faltou, o que criou a oportunidade para Niero assumir o microfone pra cantar. Depois que a banda viu o potencial dele no vocal dele, ficou decidido que ele assumiria o posto. “A gente passou a tocar o Tim Maia Racional, umas coisas de Jorge Ben, Beatles”, relembra Vinícius.

No começo dos trabalhos, em 2006, a banda gravou um EP no Estúdio Flautin (SP). “Nessa temporada em SP, no bairro Perdizes, a gente ensaiava de 8 da manhã até 20hrs, de segunda a sexta, só parando pra almoçar. Eu tinha 20 anos, na época, Niero 19, Heverton (Bilisca) 18 e Pedro (Chainha) Sanchez 17. Fim de semana cada um tinha que ir prum lado! A convivência era intensa. A gente saia de noite, via alguns shows. Mas como em São Paulo tudo é distante, a gente não tinha carro e transporte encerrava de meia-noite, a gente ficava em casa tirando um som e bebendo cerveja. Vivendo música, acordando e dormindo com música”, relembra. Quando voltaram, depois de uns dois meses sem olhar pra cara do outro, por causa da convivência intensa em SP, os músicos alugaram uma sala em Candeias pra ensaiar todo dia, numa rotina que durou por uns 3 anos. “Niero foi fazer faculdade, eu comecei Engenharia de Som. Tocamos intensamente entre 2007 e 2009, em Recife, em Maraca, Pipa, datas fixas no Burburinho, na rua também. O público também por essa época começou a se formar: em boa parte, uma galera que curte surf, mergulho, praia”, conta Vinícius.

Em 2008 a banda participou de uma coletânea nacional em homenagem aos 40 anos do White Album, dos Beatles, com uma versão para a música “Sour Milk Sea”, de George Harrison. Entre shows pelos Estados vizinhos, gravou, em 2010, o programa Oi Novo Som Recife, no estúdio Fábrica, lançando uma versão de Trilha do Sumé, música de Lula Côrtes e Zé Ramalho, do disco Paêbirú. Em 2011, tocou como banda de apoio de Di Melo. No ano passado, o grupo fez uma temporada de 10 dias de shows em Fernando de Noronha.

O ano de 2013 foi o grande marco dos trabalhos da Pé Preto, que está em estúdio finalizando seu primeiro disco. Algumas músicas, como Estudando Uzôto e Galo Véi (duas das músicas de trabalho), já estão disponíveis no SoundCloud (soundcloud.com/pepreto).

Paralelo ao trabalho com a Pé Preto, os músicos levam outras atividades. Heverton ‘Bilisca’ toca em algumas bandas de reggae, e tem projetos de MPB também. Pedro toca com diversas bandas, Niero é engenheiro de pesca, e Vinícius toca o Estúdio Base.

Quando perguntado sobre quem anda fazendo um som por Candeias atualmente, destaca: “La Pedra, uma banda de reggae de Bilisca e Pedro e Felipe Monstrão (ex-Mandala). Também o pessoal da Monomotores e Quarto Astral. Uma galera que faz um trabalho massa, mas as vezes só fica tocando por Candeias.

Neste ano, a Pé Preto fez uma mini-turnê no Rio de Janeiro e, juntamente com Aninha Martins e Sem Peneira para Suco Sujo, foi destaque do Rec Beat Apresenta, uma espécie de prévia do festival pernambucano Rec Beat, que acontece durante o Carnaval. O evento surgiu da necessidade, segundo o próprio produtor Antonio Gutierrez (Gutie), de abrir espaço para bandas novas que não estavam na edição 2014 e da necessidade de celebrar a constante renovação da cena musical local.

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Em Cena: Ramonn Vieitez, Panda Eyes e Gabriel Azevedo

Ramonn Vieitez

O artista plástico Ramonn Vieitez é um nome que vem ganhando destaque no cenário artístico local. Com duas exposições realizadas este ano – no Instituto de Arte Contemporânea da UFPE e na Galeria Amparo 60 -, ele reafirma seu interesse pelo suportes clássicos e bidimensionais e no tratamento de questões pessoais na sua obra.

As pinturas e serigrafias de Vieitiz falam sobre o mistério da juventude, suas descobertas e sobre o amor. Boa parte das obras é resultado de uma investigação que ele vem desenvolvendo desde 2011. O artista mostra também uma busca poética sobre temas recorrentes de sua criação com a utilização de um personagem sempre presente nas pinturas.

Diferente de muitos artistas da nova geração, Vieitiz tem preferido aprofundar e explorar o máximo possível as técnicas tradicionais as quais tem se dedicado. Uma aposta corajosa que vem dando resultados positivos no universo onírico presente em suas obras, cujo foco são narrativas que contam coisas de sua própria vida.

Panda Eyes

Acaba de sair o primeiro álbum da banda pernambucana Panda Eyes. O disco está disponível para download com oito músicas compostas pelo grupo com produção de Rafael Borges e Roberto Kramer, integrantes da banda ao lado de Daniel Sultanum, João Penna e Bruno Saraiva.

O Panda Eyes atua na cena independente do Recife desde 2012, ano em que lançou um compacto com três músicas masterizadas por Dave Collins que já trabalhou com o The Police e Weezer.

A banda canta em inglês e tem influências do indie rock americano e do pós-punk inglês. Amigos de longa data, o disco Dream Police reflete a interação dos músicos e traz resultados bem instigantes a partir de arranjos simples, mas com letras e melodias criativas.

Gabriel Azevedo

A exposição Caos Navalha de Gabriel Azevedo foi a oportunidade do público conhecer um dos trabalhos mais instigantes do design a figurar na cena artística do Recife. O artista apresentou cerca de 30 quadros, manuais e digitais, personagens e elementos carnavalescos desconstruídos com texturas, colagens, nanquim, lápis de cor e tinta guache.

Gabriel tem uma carreira de trabalhos como ilustrador e designer gráfico e desenvolveu estampas e coleções para diversas marcas. Nessa sua primeira exposição ele valoriza as cores e texturas em obras que focam na construção e identidade do brasileiro e no nosso gosto pelas festas.

gabriel azevedo

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