Revista O Grito!

Holofotes —

Joana Gatis: sexo e vingança no faroeste do Janga

O que te motiva a fazer um filme? Para a artista plástica e figurinista pernambucana Joana Gatis, 38 anos, foi raiva. O primeiro curta-metragem da diretora, Soledad, está pronto para começar a circular por festivais de cinema. Após trabalhar em dezenas de longas e curtas pernambucanos como figurinista, dentre os quais estão Baixio das Bestas e Febre do Rato de Claudio Assis, Joana dirigiu um filme de faroeste ao lado de mais dois amigos e uma grande equipe.

Foi num sonho que Joana teve a ideia inicial para Soledad, filme que leva o nome da personagem-título interpretada pela própria autora. Joana estava morando em São Paulo e, motivada por raiva, deu origem ao roteiro sobre vingança, sexo e violência. No retorno para Recife, ela encontrou na Praia do Janga, em Paulista, o cenário para o filme. “É um filme que tem muita coisa pessoal minha. É um desabafo meu sobre coisas pessoais”, contou.

“Tem muito do cinema spaghetti italiano. Eu gosto do faroeste tradicional, do Sergio Leone, porque ele tem uma pseudo-calma, uma tensão e sabe usar muito bem o tempo. E também tem muito do Mad Max, dos originais”, explicou Joana sobre as referências que serviram de inspiração para o roteiro de Soledad. O filme é completamente sem diálogos, pois segundo Joana, neste futuro não muito distante, as palavras foram esquecidas.

No meio do processo entraram dois amigos que colaboraram com o roteiro e também assinam a direção do filme: Flávia Vilela e Daniel Bandeira. Na primeira versão do roteiro, escrita em conjunto com Flávia, a atmosfera era puramente feminina e o desejo de vingança era muito mais latente. Com a chegada de Daniel, que lançou um terceiro olhar sobre a história, o faroeste ganhou outras arestas. “Daniel nos ajudou a fazer um filme possível de ser filmado, com um olhar mais técnico sobre as cenas”, contou.

A equipe contou com o talento de Dani Vilela e Diogo Costa na direção de arte, Andrea Monteiro no figurino, Tayce Vale na maquiagem, Pedro Sotero na direção de fotografia, Clayton Martin (da banda Cidadão Instigado) na trilha sonora, Daniel Bandeira na montagem, entre muitos outros.

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Cinema de mulher?

Recentemente no Recife houve uma forte discussão em torno de filmes dirigidos por mulheres, cujo foco da discussão era uma mostra de cinema segmentada. Joana, que há uma década trabalha com cinema, diz que sempre viu mulheres marcando presença nas produções e que dispensa o rótulo “cinema de mulher” pelo fato de não entender que um filme pertença unicamente a quem assina a sua direção, mas sim a toda a equipe envolvida no trabalho. “As mulheres não têm que se intimidar. Elas têm que fazer filmes. E tem que ter mais filmes feitos por todo mundo”, declarou ela. “Não tem que existir festival de mulher ou festival de homem”, completou.

Soledad é descrito por Joana como um filme feminino, mas que ela não concebe a ele o título de filme feminista, embora tenha convicção de que ele assim será chamado. A diretora estreante declarou: “Eu queria que não olhassem para o meu filme de modo diferente só porque uma mulher dirigiu. Para mim existe filme ruim e filme bom, independente de quem o dirigiu”.

“As mulheres não têm que se intimidar. Elas têm que fazer filmes. Não tem que existir festival de mulher ou de homem.”

A carreira de figurinista começou como assistência de moda em diversos trabalhos realizados em São Paulo, para onde ela mudou-se em 1997. O currículo acumula desde editoriais de moda a produção de figurino para TV. Sem nunca ter feito assistência de figurino para cinema, Joana entrou na equipe de Baixio das Bestas (2007) assinando o figurino do filme e vem traçando um caminho de sucesso desde então. O filme pernambucano mais recente com figurino produzido por Joana foi Amor, Plástico e Barulho (2012). Além de figurinista, ela é artista plástica e agora, cineasta. Seu talento se estende desde cerâmicas, arte herdada através da mãe, a telas e tecidos.

Nas telas pintadas por Joana, os corpos nus são elementos recorrentes. Em Soledad os corpos nus também estão lá. Ela não sabe explicar a recorrência do sexo em suas obras, mas assume que a sedução é algo que lhe interessa muito. O sexo é uma questão muito bem resolvida para a artista, que assume o gosto pelo tema e não nega falar sobre o assunto. Aliás, seu corpo serviu de inspiração para os desenhos do filme Deixem Diana Em Paz (2013) de Júlio Cavani.

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Ansiosa para ver o filme sendo exibido em telas grandes, Joana conta que a finalização foi um período de amadurecimento de tudo. Há 1 ano, os três diretores pensaram estar com o filme pronto, quando decidiram prolongar a estreia e trabalhar a montagem por mais algum tempo. A finalização excedeu o orçamento previsto para o filme, que foi de R$ 100 mil do edital Funcultura Audiovisual. O trio de diretores iniciou uma campanha de financiamento coletivo para arrecadar fundos para os trabalhos necessários para finalizar o filme e arrecadaram pouco mais de R$ 4 mil reais. A campanha contou com apoio de 54 pessoas.

“É um filme caro, se você assistir você verá”, conta Joana, explicando que sequências de tiroteio exigiram muitos efeitos de maquiagem e a arte do filme foi caprichada. O filme tem inclusive efeitos visuais, um capricho que poucos filmes podem ter. Soledad pode virar uma série de TV, caso os planos que Joana Gatis têm em mente se concretizem. A ideia está sendo trabalhada ainda na cabeça dela. O filme, ainda inédito, deve estrear em festivais de cinema no segundo semestre de 2015. A sessão de estreia no Recife ainda não está marcada, mas Joana prevê que deve acontecer em poucos meses.

As coisas belas de Isadora Melo

O jeito tímido de Isadora Melo contrasta com a segurança e firmeza de sua voz. Basta alguns minutos para convencer o ouvinte sobre a verdade de seu canto, uma certeza que fica clara em cada interpretação. Um dos principais nomes da nova cena musical independente do Recife, Isadora está conectada ao círculo de nomes talentoso de sua geração. O seu primeiro disco, ainda inédito, tem tudo para se tornar um dos registros-chave para entender o bom momento desta nova safra.

Encontramos Isadora no Edifício Pernambuco em uma tarde de quarta-feira de muito sol no Recife. O local é um dos principais polos de economia criativa do Estado e se beneficia desses dias claros por causa de suas janelas largas e longas varandas. Isadora divide seu tempo entre a produção de seu disco de estreia e seu emprego de designer. Ela assinou cartazes do festival Excentricidades e trabalhou nas peças do longa A História da Eternidade, de Camilo Cavalcanti. Diz que está em um processo de escolher caminhos, assume a pouca experiência e avisa que está feliz.

“Escolhi a música por casualidade e me sinto feliz. É isso que quero fazer pelo resto da minha vida”, diz com a voz mansa, mas assertiva, sentada em um sofá confortável no andar sem divisórias e bem arejado do edifício. O disco está quase pronto e tem produção de Juliano Holanda, amigo e nome importante da nova geração de músicos pernambucanos. Ainda sem título, o álbum deve sair em setembro e terá ainda composições de Zé Manoel, Areia, Clara Simas, Hugo Linns, Paulo Paes e Caio Lima.

Tudo será gravado ao vivo com uma atmosfera acústica.

O trabalho terá um tom nostálgico, assume Isadora, fã de Elizete Cardoso – “a melhor cantora de todos os tempos” -, mas também irá trazer o olhar da cantora sobre coisas belas. “O disco é muito do que quero dizer e muito do que estou vivendo agora”. Como outros artistas de sua geração, Isadora olha o passado não como uma reverência, mas na busca de referências para compreender o presente. Um pouco da proposta artística dela está disponível no EP homônimo com três músicas.

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Teste, palco e turnê de supetão

Apesar de surgir como uma boa surpresa na música pernambucana, a história de Isadora Melo como artista começou bem antes, ainda criança. Sua lembrança mais remota é se empolgar com o clima dos bastidores e ensaios em trabalhos de seus pais. Ela é filha da atriz Sônia Cristina, que fez Manual Prático da Felicidade, entre outros e do cantor Karlson Correia. Estudou violoncelo no Conservatório Pernambucano de Música, mas abandonou para estudar para o vestibular.

Já no curso de design da Universidade Federal de Pernambuco se deparou com um cartaz para testes da peça O Baile do Menino Deus, uma das mais tradicionais do ciclo natalino do Recife. “Fui bem despretensiosa para a audição e consegui o papel. O diretor também me deu um solo”, lembra. “Foi meu primeiro trabalho profissional.” De zero experiência passou direto para um palco com 10 mil pessoas no Marco Zero, Centro do Recife. Ainda lembra bem daquele dia de estreia quando no momento em que tinha todas as atenções voltadas para si, errou a letra. “Eu errei a letra. Na verdade, achei que tinha errado e por isso parei e disse ‘ai meu deus'”, conta rindo.

“Escolhi a música por casualidade e me sinto feliz. É isso que quero fazer pelo resto da minha vida”

Foi no Baile que Isadora conheceu o bandolinista Rafael Marques, nome decisivo para seu ingresso na carreira de cantora. Ele estava precisando de uma cantora para seu projeto de chorinho, Arabiando. “A cantora tinha acabado de sair e eles estavam atrás de alguém para seguir em turnê”. Foi apenas um mês de ensaio e lá estava Isadora em Viçosa do Ceará em um festival cheio de nomes importantes do gênero. Estavam lá Jorge Cardoso e o Choro das Três, grupo de garotas de São Paulo sucesso no meio.

“Entrei sem saber nada de chorinho, mas acabou sendo uma experiência incrível. Eles já estavam no nivel de profissionalização muito além do que eu estava na época e isso foi incrível para mim.” A experiência do choro levou Isadora ao samba. Chegou a trabalhar com o Trio Pouca Chinfra e a Cozinha. Conforme a segurança crescia, seu círculo aumentou além dos gêneros que a colocaram no mundo da música. “O início da vida que estou vivendo hoje foi quando conheci Mery Lemos, hoje minha produtora. Ela procurava uma cantora para fazer os shows do novo disco de Juliana Holanda.

Nome importante da atual cena recifense, Juliano tinha cinco músicas cantadas por mulheres e precisava de uma cantora fixa para excursionar junto com sua banda. Na turnê, Isadora fez laços que se fortaleceram para gerar sua estreia em disco. “Juliano Holanda e Areia me instigaram a fazer outras histórias. Comecei a ampliar meus interesses e percebi que poderia experimentar na música outras experiências de vida que eu tinha”. Passado os shows, a cantora estava pronta para estrear ao vivo em um projeto onde sua voz era o centro de tudo.

Sexto andar e além

A estreia de Isadora Melo foi no Coletivo Sexto Andar em um show intimista com apenas sete músicas. Em seguida ela foi ao estúdio Muzak para registrar as faixas do EP. A repercussão foi boa e marcou o início da carreira solo. “Eu perguntei que nome daria para o projeto e Mery disse ‘coloca Isadora Melo mesmo’.” A afirmação foi acertada: a música reflete bem a personalidade da intérprete, que assume um estilo muito próprio já neste início.

“Apesar de não serem minhas as letras, consigo me conectar com que elas dizem e tornar aquilo parte de mim”, explica. “Tive sorte de trabalhar com Juliano que é um artista foda, muito talentoso”. Para quem começou de maneira despretensiosa, Isadora já enfrentou muitos desafios. Agora, é a vez do público desfrutar dessa visão das coisas belas que ela trouxe para seu canto.

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Conheça mais do trabalho de Isadora Melo:

Coletivo Surto & Deslumbramento: Forçando os limites

O cinema, como todo mundo sabe, é uma arte coletiva e no cinema feito em Pernambuco, em especial, esse trabalho coletivo ultrapassa os limites do set de filmagem e tem sido apontado como o “cinema da brodagem” pela estreita relação existente entre os realizadores locais. O apoio mútuo de cineastas, atores e técnicos a cada novo filme já se tornou uma marca da nossa produção audiovisual e se revelou uma estratégia eficiente para superar as dificuldades técnicas e financeiras na realização de filmes num estado que, apesar do apoio governamental, enfrenta os obstáculos contumazes do cinema brasileiro.

E é nesse contexto que surge, no Recife, o Surto e Deslumbramento, um coletivo de realizadores formado por Chico Lacerda, Rodrigo Almeida, Fábio Ramalho e André Antônio. Com um detalhe: o grupo, em seus primeiros trabalhos audiovisuais, vem quebrando padrões estéticos e de conteúdo caros à produção pernambucana e questionando os procedimentos usuais de realização e difusão. Irreverência, olhar crítico, desmitificação, ironia e muita pinta são as tintas preferidas dos quatro rapazes, autores, entre outros, de Mama, Estudo em Vermelho, Canção de Outuno e Casa Forte, filmes que estão chamando a atenção dos internautas e dos espectadores dos festivais onde eles tem sido exibidos.

 

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O Início

A semente da produtora Surto e Deslumbramento brotou meio por acaso quando Chico, Rodrigo, Fábio e André estavam fazendo mestrado no PPGCOM-UFPE, no final da década passada. André trabalhava com montagem, mas Chico era o único que já tinha realizado alguns filmes. Todos, porém, participavam ativamente das sessões do cineclube Dissenso e nos debates pós-exibição descobriram afinidades a partir dos filmes e de referências imagéticas compartilhadas. As conversas se prolongavam nas mesas dos bares quando eles se reuniam para sobretudo “falar mal do debate”, lembra Chico.

“Falar mal”, segundo André, na verdade era externar um certo desconforto em relação a produção local, um ponto de convergência entre os quatro. “Naquela época nós achávamos o cinema pernambucano muito heterossexual e politicamente careta, uma ideia de política bem conservadora e que às vezes desconsiderava as outras políticas ou tentava ler essas outras políticas numa única chave”, completa Rodrigo.

Até aquele momento ainda não havia um desejo conjunto de fazer filmes. Isso, no entanto, mudou em 2012 quando Chico, Rodrigo e André foram a Córdoba, na Argentina, participar do encontro da Associação Argentina de Estudos de Cinema e Audiovisual (ASAECA). Apenas Fábio não estava lá. Em meio a muitas farras, algumas das brincadeiras entre eles girava em torno da música Mama, de Valesca Popozuda. “Sabrina, uma amiga em comum, não gostava da música e nós ficávamos cantando Mama e conversando sobre ela. E então acabávamos tendo discussões sobre feminismo por conta da letra da música abordar o tema sexo de uma maneira totalmente não convencional”, recorda Rodrigo.

As discussões sobre Mama mesclavam-se com conversas sobre cultura pop, reality shows e foi daí que surgiu a ideia de fazer um filme sobre tudo isso. André conta que inicialmente foi meio de brincadeira. “Dissemos: vamos fazer um clipe sobre Mama com Sabrina nua em Itamaracá imitando um clipe de Chris Isaac e com um extraterrestre se masturbando, inspirado pelo ET Bilu. Mas como eu tinha vontade de rodar um filme com dois amigos bebendo vinho num gramado, quando voltamos da Argentina resolvemos colocar esse meu projeto adiante e coloca-los conversando sobre Mama”.

“Você pode atingir uma excelência de imagem com câmeras que são amadoras e baratas.”

As filmagens transcorreram de maneira bastante livre em dois dias com imagens captadas na casa de Chico em Vila Velha, Itamaracá, e na casa de André. O filme não teve roteiro, mas os planos eram pensados e a conversa foi dirigida por André. “Enquanto bebíamos, fomos pedindo para Pedro, um amigo nosso, fazer poses lânguidas pela casa e no dia seguinte, de ressaca, filmamos Rodrigo e Chico comentando sobre a letra da música da Valesca. Logo em seguida eu fiz o primeiro corte e já compartilhei com os meninos, trabalhamos na montagem e lançamos Mama na internet”, relembra.

O filme foi divulgado entre amigos. Rodrigo tinha contato com as pessoas e foi recolhendo opiniões e repassando para os demais integrantes do grupo. “Isto nos deu força para pensarmos em realizar novos trabalhos”, conta Chico que, na época, tinha feito, entre outros, Hipnose para Leigos, A Banda e Doce e Salgado, esse último fruto de uma oficina com a cineasta Maria Pessoa. Antes de partir para um novo projeto, Rodrigo fez, em janeiro de 2013, três vinhetas para o bloco I Love Travesti, organizado por ele e Johnny Hooker. Mas a edição foi feita mais uma vez conjuntamente, com todos dando opinião até se chegar ao resultado final. Segundo Fábio essa é uma marca do grupo, discutir exaustivamente as realizações tanto presencialmente quanto on line. “É um processo dinâmico e que funciona muito bem, mesmo quando um de nós não está no Recife, não fica de fora”. Ocorreu assim também com a nova versão do documentário Eternamente Elza, de Alexandre Figueirôa e Paulo Feitosa, remontado por Chico, a pedido dos realizadores, e relançado no You Tube em 2013. O filme acabou sendo selecionado e exibido no Mix Brasil e no For Rainbow, em Fortaleza.

Quebrar os padrões

Cada vez mais motivados, o grupo resolveu partir para a realização de Estudo em Vemelho. “Foi a primeira vez onde a gente começou esse processo de, numa postura de autor, jogar a ideia e começar a discutir a partir dela”, diz Chico. O trabalho foi longo e mais uma vez o ponto de partida foi uma referência do universo pop. Chico conta que era fascinado pelo clipe Wuthering Heights, de Kate Bush, e queria refaze-lo. “O desafio, porém, era como torna-lo um curta e inseri-lo dentro de um discurso que fosse interessante? Então eu trazia textos para os meninos lerem e levamos uns seis meses de discussão só para construir o roteiro. Já as filmagens e a montagem foram mais rápidas porque já estava tudo planejado”.

O curta foi lançado também na internet, configurando a estratégia do grupo contra uma certa postura de sempre pensar a distribuição de qualquer filme – longa ou curta – seguindo uma lógica comercial. “Para nós passou a ser um ponto de honra quebrar com o padrão de primeiro enviar o filme para um festival e só depois para os outros canais. Não achamos que disponibilizar de graça vai acabar com a carreira do filme. É um gesto de generosidade que vai de encontro a uma certa mesquinhez de ficar segurando, guardando a obra”, defende Chico.

Segundo Fábio, com Estudo em Vermelho eles conseguiram demonstrar ser possível quebrar o senso comum de uma lógica da escassez baseada na falta de lugares para mostrar o filme e a obediência a uma hierarquia rígida da sala de cinema sobre outros espaços de visualização. Um dos argumentos dos cineastas para isso é a garantia do controle nas condições técnicas ideais de exibição, o que para Fábio é uma falácia, porque em muitas mostras a qualidade da projeção é muito ruim.

Mesmo sendo lançado na internet, Estudo em Vermelho foi exibido na Mostra de Tiradentes e em muitos festivais. “Eu acho muito louco os diretores de curta operarem numa lógica de longa. É meio nosense alimentar apenas um certo público privilegiado, um público autorreferente. Hoje, para se ver filmes como os nossos ou você está inserido no circuito dos festivais ou conseguiu contrabando de link, então é muito antidemocrático, de certo modo é uma panelinha”, diz Fábio.

Chico observa que muita gente se espanta quando ele diz que o filme que está no festival também já foi disponibilizado na web. “Gosto muito de saber que os nossos filmes estão se comunicando com públicos variados”. Para ele, usar a internet como principal veículo de difusão é também uma forma de quebrar com certas místicas em torno do cinema. “Estudo em Vermelho é um filme feito a partir de um videoclipe e de vários textos já existentes, imagens de arquivo que se misturam com as nossas, então nada mais natural que ele entre nesse mar de imagens de onde saiu.”

Fluido e misturado

As relações entre os meios audiovisuais e seus desdobramentos políticos e estéticos é uma questão sempre presente na trajetória da Surto e Deslumbramento. No episódio ocorrido em 2012, quando cinéfilos e cineastas locais ficaram indignados com a possibilidade do último capítulo da novela Avenida Brasil ser exibido no cinema São Luiz, Fábio, André, Chico e Rodrigo discordaram abertamente dessa posição. “Em vez de se questionar a presença de uma produção da TV Globo num espaço público, num primeiro momento a discussão tomou um rumo muito conservador onde ficou claro que havia preconceito com a televisão e com um produto midiático massivo, o debate mostrava a impossibilidade de uma certa visão estética capaz de incorporar essas referências, uma visão elitista e segregacionista”, observa Fábio.

Para o grupo, por exemplo, ao se falar de referências e influências imagéticas não faz mais sentido separar cinema, televisão e internet. Entre eles há o consenso de que tais referências de uma maneira geral são muito diluídas, vindo de gifts, clipes, games, vídeos do You Tube, etc.. Eles observam que ainda há uma resistência muito grande de reconhecer isso enquanto uma possibilidade de inspiração. “As pessoas sempre perguntam, no momento em que você está fazendo um trabalho, quais foram os filmes que te influenciaram e eu acho que, além dos filmes, existe uma carga de momento muito mais transversal, todavia as pessoas tem uma certa dificuldade de pensar num viés mais fluido e misturado”, completa Rodrigo.

Neste sentido, os integrantes da Surto e Deslumbramento estão sempre atentos aos acontecimentos em sua volta. Foi isso que os aproximou de Sócrates Alexandre, ou Sosha, como é mais conhecido. Ao encontra-lo, Fábio, Chico, André e Rodrigo ficaram encantados pela maneira como ele conseguia mostrar nos seus trabalhos, divulgados no You Tube, um Recife completamente novo e vídeos com trilhas sonoras muito bem escolhidas. Segundo André, os vídeos de Sosha dialogam com os filmes em super 8 de Jomard Muniz de Britto, mas sem ter uma relação fetichista com a bitola. “Eu vejo um diálogo tão grande entre o filme Noturno em Ré(cife) Maior, de Jomard e os filmes de Sócrates porque tem essa coisa de andar pelas ruas com a câmera sem muita decupagem, uma câmera performatizando e mudando o ambiente da cidade”.

O encontro com Sosha repercutiu no grupo, pois questionou o modo tradicional deles próprios encararem o cinema e resultou numa parceria na realização do curta Metrópole. “Quando Sosha perguntou se eu tava com o ovo coçando para fazer um filme com ele, eu disse tou”, lembra André. A sugestão foi repassada para o resto do pessoal e ficou acertado que Sosha ficaria responsável pelas filmagens e a Surto e Deslumbramento pela montagem final. O filme foi rodado em um dia e o grupo embarcou no espírito da produção. “Marcamos para fazer as imagens durante o dia e Sosha chegou às três da tarde e passou horas se maquiando. Quando questionamos se não haveria problema por conta da luz, ele respondeu: ‘não, dá prá ir, vamos’, e assim foi feito”, conta Chico. Metrópole foi exibido no Recifest, no FestCine e no Cinerama no Rio de Janeiro.

Casa Forte

O filme seguinte do grupo foi Casa Forte, dirigido por Rodrigo, e que mesclou os processos das primeiras produções da Surto e Deslumbramento. Rodrigo conta que a ideia surgiu da observação dos nomes dos edifícios nos bairros de Casa Forte e Parnamirim, muitos deles ligados ao período colonial e ao ciclo do açúcar em Pernambuco, como Senzala do Megahype. “Eu fiquei receoso que fosse mais um filme sobre prédios recifenses”, lembra. Para escapar disso, Rodrigo acrescentou a ideia de mostrar um rapaz que tivesse uma relação fetichista em relação a negros, um sinhozinho moderno, mas que, ao mesmo tempo, pensasse o corpo negro enquanto um corpo de desejo e estabelecesse um jogo invertido onde o personagem negro subvertesse essa situação.

Inicialmente, Rodrigo queria rodar o filme em super 8. “Como era um filme sobre fetiche, eu queria pensar simultaneamente no fetiche da imagem, mas Chico me convenceu que quase ninguém iria fazer essa leitura e foi uma decisão acertada”, reconhece. Com os textos prontos e os atores escolhidos, um casal de amigos, ele e Chico fizeram um mapa dos prédios a serem filmados. “Em três dias concluímos esta parte. A parte final com os protagonistas resolvemos fazer nos jardins do casarão da Fundação Gilberto Freyre, mas deu tudo errado porque não nos deixaram entrar. Foi quando lembrei do casarão no Açude do Prata, em Dois Irmãos, e desta vez deu tudo certo, era como se os planos que eu tinha imaginado acontecessem ali na hora”, conta Rodrigo.

Casa Forte recebeu em 2014 diversos prêmios, como o de Melhor Filme Pernambucano no II Recifest, a Menção Honrosa do júri oficial do 25º Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo e tem circulado em diversos festivais e mostras pelo Brasil. Em novembro do ano passado foi ainda exibido no 23th New York Queer Experimental Film Festival. O filme marca também o início de uma reflexão maior do coletivo sobre os processos de realização, pois apesar de algumas dificuldades terem sido resolvidas pela criatividade, para os novos projetos que estão em andamento há necessidade de novos aportes técnicos.

É o que está acontecendo com a realização de Como Era Gostoso Meu Cafuçu, também dirigido por Rodrigo. É o primeiro filme do grupo com uma decupagem mais próxima da narrativa clássica. Como tem diálogos, as gravações na rua com som direto foram muito difíceis e na iluminação o jeito está sendo usar um tripé com lâmpada normal. “Eu tenho uma câmera Canon 60D, mas para o filme de Rodrigo pegamos uma 5D emprestada, a melhor entre as amadoras”, diz Chico. Rodrigo também comprou uma steadycam. “Às vezes é muito ruim pensar em fazer um plano e não poder executá-lo por falta de recursos”.

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Desafios

Outro desafio para a Surto e Deslumbramento vai ser rodar o primeiro filme com apoio financeiro. O projeto do curta A Seita foi aprovado pelo Funcultura. André explica que escreveu o roteiro pensando que iria fazer o filme sem dinheiro como Estudo em Vermelho, cujo custo foi de apenas R$ 240, mas por conta dos cenários, do figurino, da necessidade de uma direção de arte e uma fotografia mais cuidadosa, acabou inscrevendo o projeto. Como a lógica do edital exige definição das funções, indicação dos técnicos que vão participar da realização, a produção ganhou um caráter mais profissional. O grupo, no entanto, garante que isso não significará uma mudança do tipo de atitude que eles mantém até o momento. “Eu conversei com Breno César, que deverá fazer a fotografia, e deixei bem claro a intenção de ter uma câmera maleável. Queremos ter a mesma liberdade dos outros filmes. Engessar numa coisa tecnicamente bem feita só pra entrar num circuito profissional, não é nada interessante”, afirma André.

Continuar pensando em filmes de baixo orçamento é uma premissa da qual os quatro rapazes não abrem mão. Chico reconhece que a tecnologia permite um padrão de qualidade de imagem, mas a partir daí o refinamento não está necessariamente ligado com o dinheiro gasto. “Você pode atingir uma excelência de imagem com câmeras que são amadoras e baratas.” Uma atitude mais solta pode coexistir com a sofisticação na hora de pensar a imagem, defende Fábio. E o fato do projeto ter apoio do Funcultura não significará quebrar o modelo de distribuição adotado hoje pelo coletivo. “Quando A Seita ficar pronto vai ser lançado primeiro na internet. Se o filme já está pago na feitura dele, então por que ficar segurando como se fosse um filme comercial?”

Enquanto A Seita não vem, a Surto e Deslumbramento toca o projeto As Quatro Estações, nascido também no meio de uma farra. “Estávamos bêbados e começamos a tirar a onda com os cinéfilos daqui que curtem essa relação meio religiosa com o cinema, com o São Luiz como templo e frases do tipo: esse é um filme para ver de joelhos. E no meio dessa conversa sobre cinefilia resolvemos parodiar as Quatro Estações, do Eric Rohmer, para passar no Janela com o pessoal da primeira fila ajoelhado”, lembra rindo Rodrigo. Brincadeiras a parte, o projeto para cada um dos integrantes do grupo fazer um filme sobre uma das quatro estações do ano já rendeu o curta Canto de Outono.

O filme foi rodado no Rio de Janeiro por André no período em que ele esteve cursando disciplinas do seu doutorado. Mostra um rapaz numa festa em um clima de melancolia e há também uma narração de fundo de trechos do poema Canto de Outuno, de Baudelaire. “Eu queria aprofundar minha pesquisa do diálogo entre cinema e pintura e como criar com a montagem uma atmosfera, um ambiente, porque a festa filmada era alegre, mas ao colocar uma trilha diferente e trabalhar com uma luz artificial, criei uma contraposição”. André diz que a montagem foi demorada por conta de sua visão romântica de deixar as imagens fluírem sem sua intervenção, e para corrigir as lacunas foi preciso longas conversas e observações feitas por todos do grupo, mas ao final do processo ele gostou do resultado. O filme foi exibido no Recifest, no Curta Taquary e já está disponível na internet.

O próximo da lista a ser montado será Inverno. Chico fez as imagens em Montréal durante o doutorado sanduíche no Canadá, mas ainda não as montou, pois nas últimas semanas estava concluindo Virgindade, que acaba de ser lançado. Neste trabalho mais recente, Chico lança mão de histórias de sua adolescência e infância. “São memórias sexuais antes de eu ter feito sexo realmente”.

E assim a Surto e Deslumbramento segue sua trajetória, trabalhando com poucos recursos, lidando com as contingências, mas não se furtando a pensar sobre o que está realizando. E mostrando ser possível a experimentação em que a tônica não é necessariamente fazer o melhor filme com o melhor equipamento, mas variar o fazer. E a aposta na criação coletiva e livre está dando certo. Uma sessão com todos os filmes do grupo foi realizada no Rio de Janeiro em novembro último no Curta Cinema. Embora ainda se considerem quase estreantes, Chico, Fábio, André e Rodrigo ficaram surpresos quando receberam o convite. “Ficamos em estado de choque. Como assim? A gente já vai ter uma retrospectiva?”

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Cinema de frangagem

Dois dos traços mais marcantes dos filmes realizados pelo coletivo Surto e Deslumbramento são o deboche e o evidente interesse do grupo por uma sensibilidade gay explorada de forma explícita. A começar pelo nome do coletivo. O “Surto” é uma brincadeira com o Vurto, projeto dos documentaristas Marcelo Pedroso e Felipe Peres que tinha, entre outros objetivos, realizar vídeos para analisar o contexto político e social. “Nós concordávamos com o conteúdo político, mas não gostávamos do formato dos vídeos. Eles não causavam surpresas, não eram interessantes e não dialogavam com a lógica de compartilhamento de imagens na internet. Eles eram feitos com esta intensão, mas eram pesados”, argumenta Fábio.

E no espírito de paródia que reina no grupo, Rodrigo propôs criar outra produtora com o nome Deslumbramento, desta vez tirando onda com a Alumbramento, produtora cearense responsável pela realização de filmes como Estrada para Ítaca e Os Monstros.”Os filmes deles nos incomodavam porque são sempre sobre quatro amigos numa situação de realismo lacônico, uma coisa super hétero. Então dissemos: vamos marcar diferença. Não queremos nada com esse realismo lacônico, nossa proposta estética é a do artifício, do exagero, da frangagem”, relembra Chico. Depois de algum tempo a brincadeira acabou, mas ficou os dois nomes.

A postura a favor de uma sensibilidade gay é algo que toca os integrantes do grupo naturalmente. Ela já foi colocada antes mesmo do coletivo se constituir formalmente, quando Chico e Rodrigo participaram do projeto Torre Gêmeas, um longa reunindo a visão de diversos cineastas sobre os dois enormes edifícios construídos no Cais de Santa Rita, no Recife. O trecho deles é uma longa cena com dois rapazes lado a lado, enquadrados da barriga até as coxas, se masturbando até ejacularem. “Houve um incômodo muito grande quando mostramos a cena para Marcelo Pedroso, Felipe Peres e Grilo. Até Grilo que tem a cabeça bem aberta ficou meio sem jeito”, lembra Chico. Eles não queriam colocar a cena, depois queriam deixa-la bem curta, mas Chico brigou para que entrasse o plano completo. “Para contornar eu tive que inventar um discurso político relacionando falo e poder, então eles disseram ok”. Mesmo assim, quando o filme foi exibido surgiram vários comentários dizendo que a cena era um tiro no pé porque tirava a seriedade do filme.

Para André a postura do grupo não tem nada a ver com o ativismo gay nos moldes tradicionais. “Quando penso num projeto, não penso se vai ter um gay na história ou dois homens se beijando. Estou interessado na pesquisa estética que eu quero desenvolver e praticar, que tem a ver com a beleza, com o artificialismo, é bem pintoso, ou seja, é fora dos padrões héteros”. Fábio observa que fazer um filme inspirado em Valesca Popozuda ou Kate Bush é um indício de que não é necessariamente o corpo gay em cena quem define essa sensibilidade. “São ícones e para a galera hétero entender esse contexto não é fácil”.

O estranhamento, porém, não ocorre apenas entre os heterossexuais. Chico destaca que os festivais gays criaram um certo público que espera temas envolvendo diretamente as questões homossexuais. Ele acha curioso, por exemplo, Estudo em Vermelho ter sido exibido na Mostra de Tiradentes, no Curta Cinema e não ser aceito no Mix Brasil, no Rio Gay e nem no For Rainbow. “No meu ponto de vista a falta de um rótulo hétero é um problema maior do que a existência do rótulo gay. É preciso tirar a norma do hétero porque enquanto norma ele some. Ele não é marcado”, diz Chico, que gosta de afirmar o rótulo gay, mas para problematiza-lo.

Fábio observa que nos filmes da Surto e Deslumbramento a questão não é brigar pela representação do personagem gay, mas mostrar que se o gay é um nicho, já que não se consegue escapar a essa marca de gênero, o hétero também é um nicho e os filmes de macho dialogam com um tipo de sensibilidade heterossexual, portanto não se pode reivindicar para eles uma suposta universalidade.

FICHA TÉCNICA
Autorretratos por Surto & Deslumbramento.
Site oficial: http://deslumbramento.com

Aninha Martins: Não quero ser a cantora fofinha

Visceral e verdadeira, essas palavras definem com precisão a cantora Aninha Martins. Aos 24 anos ela está naquele momento decisivo da carreira de qualquer artista: seguir a onda para ver onde vai dar ou trabalhar a emoção que nasce de sua voz para fazer o que realmente deseja? Ver suas apresentações e os primeiros shows que vem realizando não deixa pairar dúvidas. Aninha vem traçando um caminho singular, ainda de buscas, é verdade, mas com uma vitalidade e energia que nos leva a não temer darmos uma de adivinho: essa moça vai longe.

Aninha sempre foi balançada para o lado das artes. Na escola já gostava de participar de apresentações teatrais e de dança. Fez cursos de teatro e até então a música estava presente na sua vida pelos discos do Pink Floyd que o pai gostava de ouvir em casa, nas idas ao Abril pro Rock no dia do heavy metal ou aos shows do Cordel do Fogo Encantado até quando, em 2006, com apenas 18 anos, encontrou o Sabiá Sensível.

Eu quero estar podre, suada no palco, o povo vem me entregar uma toalha e eu digo não!

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Participar do grupo formado por Germano Rabelo, Anaíra, Vina, Enio, Hugo, Karla e Vicente marcou profundamente Aninha. A banda ficou conhecida na cena recifense por suas performances lúdicas e pelas canções com letras bem humoradas. O Sabiá investia no trabalho vocal, quase todos os integrantes cantavam, e também na interpretação das histórias contadas pelas composições de Germano a exemplo de “Capivara” ou “Magaiver Profissão Perigo”.

A vivência coletiva, o improviso e a liberdade criativa é algo ainda vivo na memória de Aninha. “A gente improvisava, brincava, os shows eram meio caóticos, mas eram incríveis. Tudo era muito espontâneo. Teve um show no Iraq que no meio da apresentação rolou uma briga entre nós e parecia uma performance, mas não era. Depois a galera ficou dizendo ‘pô devia ter gravado esse show, ficou muito massa'”.

Com o fim do Sabiá, Aninha se sentiu um pouco desamparada e resolveu entrar no Conservatório Pernambucano de Música para estudar canto popular. Nos dois anos em que ficou lá, ela começou a aperfeiçoar a voz. “Eu gritava muito e passei a cantar melhor e sem dor”. Outro ganho positivo foi as pesquisas que realizou sobre a música brasileira e que a levou a se interessar por gravações antigas das primeiras décadas do século XX e a fazer apresentações cantando antigos chorinhos.

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Ao deixar o conservatório, depois do estímulo com a linha performática vivida com o Sabiá, participar de oficinas de trabalho corporal com voz e movimento, foi o caminho mais natural para Aninha voltar ao teatro. Por conta da reaproximação com as artes cênicas acabou sendo convidada para substituir Natasha Falcão no musical infantil Caxuxa no papel de Graxa, uma engraxate sonhadora, que canta a música final do espetáculo. Por esse tempo também foi chegando cada vez mais perto da nova cena musical pernambucana. Trabalhou com D Mingus e a Fantástica Kazoo Orquestra e acompanhou Matheus Mota. Foi neste período que Juvenil Silva a convidou para participar da Noite do Desbunde Elétrico no ano passado.

Ritmo frenético na nova fase

A apresentação no Desbunde assinala o início da nova fase de Aninha Martins. “Meu primeiro grande show foi no Desbunde Elétrico, lá em Dois Irmãos. Foi meio caótico, nem eu nem a banda estávamos muito preparados, mas como a gente foi com muita verdade e eu tava muito feliz, o povo gostou. Isso rendeu frutos incríveis como o vídeo da Ostra Monstro. Foi também a partir do Desbunde que Gutie [Antonio Gutierrez, produtor do Rec-Beat] viu a gente e chamou pro Recbeat. Paulo André [produtor do Abril Pro Rock] tava lá, e rendeu uma filmagem com um cara de uma banda de Nova York que veio fazer um documentário sobre a música daqui e fui uma das entrevistadas, foi bem legal.”

De 2013 para cá, Aninha está num ritmo frenético. Antes do Rec Beat no carnaval deste ano participou do Cena Beto apresenta O Boratcho é mais embaixo, na Galeria Joana D’Arc, onde fez dupla com Matheus Mota; no Solar da Marquesa, em Olinda fez o Sexta Feira 13 ao lado do Ex-Exus e já está com banda fixa que a está acompanhando, formada pelo tecladista Hugo Coutinho e o baterista Vicente, ambos tocando com ela desde a Sabiá Sensível, e mais Rodrigo Padrão na guitarra, Aline Borba na flauta e o baixista Vitor Geovani. Também participou do Outros Críticos ao lado da cantora Isaar.

Minha música trata de questões existenciais. E a questão da mulher é uma busca.

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Mas sem dúvida, um dos momentos mais importantes para Aninha foi dividir a mesma noite do Rec Beat, no domingo de carnaval com a banda americana Jonathan Dolls e o paulistano Arrigo Barnabé, um dos músicos que ela mais admira. “O show do Rec Beat foi fuderoso, tocar ali naquele palco no carnaval no mesmo dia de Arrigo, com mesmo equipamento, palco incrível. Era o dia do Quanta Ladeira, era no domingo, foi lotado”, lembra entusiasmada.

O Ocupe Estelita também deu um grande prazer para Aninha na apresentação que ela fez em apoio ao movimento em julho último. “O show no Estelita foi o meu segundo grande show solo, deu um público muito bom e eu gostei dessa experiência de estar na mesma altura do público e poder trabalhar realmente o olho no olho, conversar com eles interagindo comigo”.

Cena Beto, Abril pro Rock, Recbeat, Estelita, show com Isaar, essas experiências estão delineando os passos de Aninha. O teatro, segundo ela, está sendo decisivo para moldar sua atuação no palco. “Eu agora estou mais braba”, diz rindo. “Gosto de sair do lugar da cantora fofinha. Eu quero estar podre, suada no palco, o povo vem me entregar uma toalha e eu digo não queeero!. No último show do Pai da Mata, a banda colocou sangue na boca, enquanto escorria o sangue eu cantava. Eu gosto dessas coisas assim, que é muito da energia do teatro. Eu estou inteira, o corpo é meu, eu estou ali daquele jeito porque eu gosto de dançar no palco, mas eu não sou uma bailarina, eu treino o corpo e eu danço desse jeito”.

Em suas buscas e pesquisas, Aninha Martins vai de Bessie Smith a Maria Bethânia, e não esconde seus afetos pelas vocalistas que acompanhavam Itamar Assumpção, por Vânia Bastos, e entre as revelações mais recentes cita os nomes de Tulipa Ruiz, por ser uma cantora visceral como ela, sem esquecer a performance de Karina Buhr. “A bicha no palco arrasa”. A presença dessas cantoras no universo de preferências de Aninha revelam também a sua afinidade com um tema central que a vem mobilizando tanto nas apresentações que vem fazendo quanto na elaboração do projeto Esquartejada, assim como o seu primeiro disco: o feminino. “Minha música trata de questões existenciais. E a questão da mulher é uma busca. Quero trabalhar mais sobre isso”, diz.

Mulher e sangue

A questão da mulher para a cantora, contudo, ganha um olhar peculiar, fruto de sua trajetória artística pessoal. Ela escolhe as músicas e Rodrigo Padrão faz os arranjos. “No carnaval eu cantei uma música de Paulinho do Amparo que é Ó Linda Morte, Carnaval Caveira que cabe muito no meu repertório”. O parceiro Germano também é lembrado por “Útero” que narra a história de uma pessoa que vivia no útero da mãe e não queria se desvencilhar proque tinha uma história triste.

Outro compositor de quem Aninha quer incluir músicas é Goemon. Ele participou da vanguarda paulistana nos anos 1980 com Arrigo Barnabé. “Conheci as canções dele através de Graxa e Juvenil. É bem bizarro, uns teclados muito anos 80 e as letras sei lá, tem alguma coisa que me puxa meio pra morte, as letras dele são foda, ‘Belzebu’, ‘Satã Tinhoso’, eu gosto dessas linhas meio assim”. Eu já canto ‘Paola’, sobre um travesti e agora quero cantar ‘De porrada em porrada'”.

Com a espontaneidade que vem marcando sua atuação, Aninha é enfática: “são aspectos que acredito e vivencio, são questões bem pontuais assim tipo Paola a travesti, o útero, a mulher que quer fagocitar e engolir um homem, o Esquartejada, mulher e sangue porque tem sangue na boca. Essa música ‘De Porrada em Porrada diz: ‘de puro ódio você me bateu um murro na boca’, toda relação de mulher e homem, de violência. Coisas que estão aí”.

E para levar seus projetos a cabo Aninha está se preparando. Diz que pisou no freio para ir com mais calma, mas já sabe as músicas as quais quer trabalhar. “Quero trabalhar timbres, timbre de tudo. Voz com timbre, flauta com timbre, baixo com timbre. Não que seja tão timbrístico assim, mas que soe diferente”.

E quer no horizonte convocar as amigas para compartilhar a experiência. “Eu gosto das vozes femininas e noto que as mulheres são meio desunidas. Sei lá, eu vejo que os meninos são bem unidos na cena, por isso eu sempre tento trazer as mulheres para os meus shows. A gente não é amiga, mas se entende. Quando vai fazer a coisa entende o timbre da outra, compartilha”.

gutie ANTÔNIO GUTIERREZ (GUTIE)“Acho que Aninha Martins traz um grande diferencial entre as novas cantoras que surgiram recentemente no país. Ela se diferencia principalmente no timbre de voz e na postura cênica. Ela tem consciência da importância das performances ao vivo e explora muito bem isso. E também sabe escolher muito bem seu repertório. Aposto muito no futuro dela. E esses foram os motivos de ela ter subido no palco do Rec-Beat deste ano.”
juvenil JUVENIL SILVA“Acompanho Aninha desde muito tempo, quando estávamos começando. Particularmente acompanhei e observei o desempenho evolutivo dela desde dos tempos da “Sabiá”, acreditando que aquela menina podia e pode muito mais. Como postura artística acho ela uma potencia deslumbrante, e pronta pra tudo que possa pintar. Estou ansioso por um disco dela, e tenho boas expectativas, pois o que ela faz é forte e apaixonante. Quase irresistível. Muito orgulho dela…”

 

FICHA TÉCNICA
Maquiagem: Elton Abrahmovic.
Aninha Martins veste: Acervo Pessoal.
Agradecimentos: Galeria Mau Mau e Irma Brown.

Pé Preto: Candeias não é para amadores

Se fosse apenas pela característica de ser bairro praiano povoado de tipos meio urbanos, meio caiçaras, Candeias, bairro de Jaboatão (cidade da Região Metropolitana do Recife), poderia ser berço de cantores de voz e violão reproduzidos aos montes em barzinhos bucólicos de beira-mar. Não que eles não existam.

Mas a verdade é que as diversas placas indicativas de que aquele trecho não é recomendado para banho nem tampouco para surfistas afoitos, devido à incidência de ataques de tubarões, bem que poderiam indicar “Atenção: aqui se faz boa música”. Citar Candeias é importante para falar sobre a Pé Preto, uma das bandas pernambucanas autorais mais criativas surgidas na leva dos anos de 2000 e que só agora lançam disco de estreia.

Funk americano, soul e afrobeat são algumas das principais influências sonoras. Formada atualmente por Filipe Niero (voz e letras), Vinicius ‘Lezo’ Nunes (baixo), Pedro ‘Chainha’ Sanchez (guitarra), Heverton ‘Bilisca’ Lima (bateria) mais Chico Rocha (guitarra), João Nogueira (teclas) Gilmar Black (sax), Enok Chagas (trompete), Marconi Tulio (trombone) e Júnior Do Jarro (percussão), a banda completa 10 anos em 2014, mesmo ano que vai enfim marcar a gravação do seu primeiro álbum. Entre viagens de integrantes e dedicação a projetos solos, a banda passou um tempo parada para agora retornarem com tudo. É Candeias que está impressa sutilmente no estilo de vida dos artistas que a habitam ou que de lá saíram para ganhar o mundo.

“A gente se conhece desde os 13, 14 anos. Começamos a tirar um som despretensiosamente nessa época e surgiu a ideia de fazer uma banda. Quando a gente tinha entre 18 e 16 anos, começamos a pensar o nome até que “Pé Preto” surgiu. Isso em 2003. A gente tava no colégio ainda, eu indo pra faculdade. Depois que a gente foi conceituar o nome” conta Vinícius Nunes, o ‘Lezo’, sobre o início com os parceiros Pedro ‘Chainha’ Sanchez e Heverton ‘Bilisca’.

“Em 2004 eu conheci Felipe Niero. Numa volta de carro, mostrei o Tim Maia Racional pra ele, que ficou muito empolgado. Sempre gostei de ir atrás de disco, pesquisar a respeito. Através do meu pai também conheci muitas obras de samba, funk, desde guri. Já Niero teve uma criação musical de muito samba, MPB, João Bosco, Chico Buarque, João Gilberto. E a influência de Pedro é mais rock’ n’roll, de Led Zepellin, Pink Floyd”, completa.

A banda até então era Vinícius e Pedro, quando Niero foi convidado a se juntar ao grupo, que não sabia que ele cantava. Foi ele que veio com a ideia de convidar o baterista Belisca, e recém-chegado de Brasília e tinha uma banda. Por coincidência, todos moravam muito próximos, coisa de um quarteirão do outro. “Conheci Niero e Glauco por causa de Iuri, que era baixista da Comuna (atualmente toca n’A Rua), e é amigo meu de infância, relembra.

Nessa época, a turma de Candeias costumava se reunir pelo menos uma vez por mês, aos domingos, pra levar jam sessions instrumentais que reunia na casa de alguém os futuros integrantes de bandas como Monomotores, Comuna, Pé Preto, Johnny Hooker. “Foi uma época muito construtiva. E muitos ainda tocam ainda hoje a carreira de músico: o próprio Johnny, Iuri (Pimentel), Amaro (Mendonça), Glauco, tá todo mundo de alguma forma ligado à música”, revela Vinícius.

O primeiro show aconteceu no extinto Capibar. O grupo seguiu ensaiando, entre covers de Jorge Ben e outras inspirações, com o primeiro vocalista (Cioba, que tocava na banda de reggae Malakai). Em um dos ensaios, o músico faltou, o que criou a oportunidade para Niero assumir o microfone pra cantar. Depois que a banda viu o potencial dele no vocal dele, ficou decidido que ele assumiria o posto. “A gente passou a tocar o Tim Maia Racional, umas coisas de Jorge Ben, Beatles”, relembra Vinícius.

No começo dos trabalhos, em 2006, a banda gravou um EP no Estúdio Flautin (SP). “Nessa temporada em SP, no bairro Perdizes, a gente ensaiava de 8 da manhã até 20hrs, de segunda a sexta, só parando pra almoçar. Eu tinha 20 anos, na época, Niero 19, Heverton (Bilisca) 18 e Pedro (Chainha) Sanchez 17. Fim de semana cada um tinha que ir prum lado! A convivência era intensa. A gente saia de noite, via alguns shows. Mas como em São Paulo tudo é distante, a gente não tinha carro e transporte encerrava de meia-noite, a gente ficava em casa tirando um som e bebendo cerveja. Vivendo música, acordando e dormindo com música”, relembra. Quando voltaram, depois de uns dois meses sem olhar pra cara do outro, por causa da convivência intensa em SP, os músicos alugaram uma sala em Candeias pra ensaiar todo dia, numa rotina que durou por uns 3 anos. “Niero foi fazer faculdade, eu comecei Engenharia de Som. Tocamos intensamente entre 2007 e 2009, em Recife, em Maraca, Pipa, datas fixas no Burburinho, na rua também. O público também por essa época começou a se formar: em boa parte, uma galera que curte surf, mergulho, praia”, conta Vinícius.

Em 2008 a banda participou de uma coletânea nacional em homenagem aos 40 anos do White Album, dos Beatles, com uma versão para a música “Sour Milk Sea”, de George Harrison. Entre shows pelos Estados vizinhos, gravou, em 2010, o programa Oi Novo Som Recife, no estúdio Fábrica, lançando uma versão de Trilha do Sumé, música de Lula Côrtes e Zé Ramalho, do disco Paêbirú. Em 2011, tocou como banda de apoio de Di Melo. No ano passado, o grupo fez uma temporada de 10 dias de shows em Fernando de Noronha.

O ano de 2013 foi o grande marco dos trabalhos da Pé Preto, que está em estúdio finalizando seu primeiro disco. Algumas músicas, como Estudando Uzôto e Galo Véi (duas das músicas de trabalho), já estão disponíveis no SoundCloud (soundcloud.com/pepreto).

Paralelo ao trabalho com a Pé Preto, os músicos levam outras atividades. Heverton ‘Bilisca’ toca em algumas bandas de reggae, e tem projetos de MPB também. Pedro toca com diversas bandas, Niero é engenheiro de pesca, e Vinícius toca o Estúdio Base.

Quando perguntado sobre quem anda fazendo um som por Candeias atualmente, destaca: “La Pedra, uma banda de reggae de Bilisca e Pedro e Felipe Monstrão (ex-Mandala). Também o pessoal da Monomotores e Quarto Astral. Uma galera que faz um trabalho massa, mas as vezes só fica tocando por Candeias.

Neste ano, a Pé Preto fez uma mini-turnê no Rio de Janeiro e, juntamente com Aninha Martins e Sem Peneira para Suco Sujo, foi destaque do Rec Beat Apresenta, uma espécie de prévia do festival pernambucano Rec Beat, que acontece durante o Carnaval. O evento surgiu da necessidade, segundo o próprio produtor Antonio Gutierrez (Gutie), de abrir espaço para bandas novas que não estavam na edição 2014 e da necessidade de celebrar a constante renovação da cena musical local.

Juliano Holanda: Uma novidade veterana

Quando pensamos em música pernambucana, impossível não lembrar de Juliano Holanda. Ele, que tem mais de 20 anos de carreira, deu seu primeiro voo solo em 2013 com a gravação de A Arte de Ser Invisível e Para Saber Ser Nuvem de Cimento Quando o Céu for de Concreto é um verdadeiro às na manga quando o assunto é música autoral. Músico bem sedimentado na cena local, ele já participou de um sem número de shows e conta com mais de 100 músicas gravadas por outros intérpretes. A partir de atuações diversas, já participou dos discos de Mônica Feijó, Geraldo Maia, Cascabulho, Gonzaga Leal, Zeh Rocha, Silvério Pessoa, Alessandra Leão e Academia da Berlinda.

Dono de uma trajetória nada embrionária, ele colhe os louros de anos de estrada e hoje oxigena sua carreira com voos solos. A Arte de Ser Invisível conta com a participação de músicos importantes como Benjamin Taubkin, Jam da Silva e Siba. Para além de ser um neófito quando o assunto é carreira solo, Juliano é músico desde os 13 anos de idade, quando ainda vivia em Goiana, cidade da Mata Norte de Pernambuco. Para se aperfeiçoar e ganhar profissionalismo passou pelo Conservatório Pernambucano de Música (CPM) e também pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e conta no seu currículo participações em eventos importantes – como o Domingo no Campus, Abril pro Rock, Mercado Cultural, Na Mira da Música Brasileira – e em espaços como o Sesc Pompéia, Estação Arte e no Festival Rotas Culturais e Comunidades.

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Sua produção mais notável e reconhecida pela crítica local e nacional, A Arte de Ser Invisível tem 11 composições interpretadas pelo próprio Juliano. Há ainda convidados de peso e estirpe como Marcelo Preto, Tatiana Parra, Carlos Ferreira, Siba, Laya Lopes e Geraldo Maia. A presença de sons locais é uma dos principais diferenciais de Holanda. A música traz uma autoralidade e uma pernambucanidade de fácil identificação. O ouvinte sente-se à vontade com a sonoridade de Juliano.

Essa diversidade de parcerias mostra em uníssono a qualidade do artista cujas composições cabem em qualquer voz. “Kama Sutra” é a música que abre a obra e em tom confessional convida o ouvinte a passear pelas próximas 10 faixas. “Na Primeira Cadeira” também merece atenção especial pela força de afirmação contida em cada verso. Um disco para sedimentar e fincar raízes.

Pra Saber Ser Nuvem de Cimento Quando o Céu For de Concreto chega a ser ainda mais autoral e foi gravado com as participações de Isadora Melo, Tom Rocha e Walter Areia.

Em Cena: Ramonn Vieitez, Panda Eyes e Gabriel Azevedo

Ramonn Vieitez

O artista plástico Ramonn Vieitez é um nome que vem ganhando destaque no cenário artístico local. Com duas exposições realizadas este ano – no Instituto de Arte Contemporânea da UFPE e na Galeria Amparo 60 -, ele reafirma seu interesse pelo suportes clássicos e bidimensionais e no tratamento de questões pessoais na sua obra.

As pinturas e serigrafias de Vieitiz falam sobre o mistério da juventude, suas descobertas e sobre o amor. Boa parte das obras é resultado de uma investigação que ele vem desenvolvendo desde 2011. O artista mostra também uma busca poética sobre temas recorrentes de sua criação com a utilização de um personagem sempre presente nas pinturas.

Diferente de muitos artistas da nova geração, Vieitiz tem preferido aprofundar e explorar o máximo possível as técnicas tradicionais as quais tem se dedicado. Uma aposta corajosa que vem dando resultados positivos no universo onírico presente em suas obras, cujo foco são narrativas que contam coisas de sua própria vida.

Panda Eyes

Acaba de sair o primeiro álbum da banda pernambucana Panda Eyes. O disco está disponível para download com oito músicas compostas pelo grupo com produção de Rafael Borges e Roberto Kramer, integrantes da banda ao lado de Daniel Sultanum, João Penna e Bruno Saraiva.

O Panda Eyes atua na cena independente do Recife desde 2012, ano em que lançou um compacto com três músicas masterizadas por Dave Collins que já trabalhou com o The Police e Weezer.

A banda canta em inglês e tem influências do indie rock americano e do pós-punk inglês. Amigos de longa data, o disco Dream Police reflete a interação dos músicos e traz resultados bem instigantes a partir de arranjos simples, mas com letras e melodias criativas.

Gabriel Azevedo

A exposição Caos Navalha de Gabriel Azevedo foi a oportunidade do público conhecer um dos trabalhos mais instigantes do design a figurar na cena artística do Recife. O artista apresentou cerca de 30 quadros, manuais e digitais, personagens e elementos carnavalescos desconstruídos com texturas, colagens, nanquim, lápis de cor e tinta guache.

Gabriel tem uma carreira de trabalhos como ilustrador e designer gráfico e desenvolveu estampas e coleções para diversas marcas. Nessa sua primeira exposição ele valoriza as cores e texturas em obras que focam na construção e identidade do brasileiro e no nosso gosto pelas festas.

gabriel azevedo

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