A GRAÇA DA LEI
Mesmo se apoiando no carisma de Kathy Bates, Harry’s Law mostra lado debochado das séries de tribunais

Por Paulo Floro
Da Revista O Grito!

Com tantas séries sobre tribunais e casos pitorescos da Justiça americana, não era de se espantar que logo teríamos uma visão cínica de todas essas produções. Apesar de algumas tentativas já terem aparecido, nenhuma teve tanto carisma quanto Harry’s Law, que estreou nessa segunda (18) na Warner. Tudo culpa de Kathy Bates, veterana atriz vencedora do Oscar e expert em personagens sarcásticos e falastrões. Criada por David E. Kelley, o mesmo de Ally McBeal e outras séries do gênero como Boston Legal e Justiça Sem Limites, o seriado já foi renovado para mais uma temporada na TV americana e estreia por lá em setembro.

Bates consegue prender atenção do espectador para qualquer roteiro, por mais insípedo que seja. No caso de Harry’ Law é o seu carisma que segura o início da série, que começa sem muito ritmo. Na trama, passada em Ohio, Bates é Harriet, uma conhecida advogada de patentes desiludida com a profissão que é demitida da firma em que trabalha. No mesmo dia ela vive dois momentos que parecem ser obra do destino: é atropelada por um antigo advogado adversário em uma causa e depois é atingida por um homem que tentava se matar ao pular de um prédio.

Depois desses eventos, ela inicia sua nova vida e monta um escritório de advocacia numa antiga loja de sapatos abandonada. Depois de fazer fama em seu antigo ramo, segue como advogada criminal num bairro perigoso da região. A fauna de personagens parece ter fôlego para gerar muitas histórias, com destaque para Adam Brench, interpretado por Nathan Corddry (The Pacific). Ele é um advogado que exagera aquele tipo incisivo, chegando a ter momentos histéricos na corte. Jenna, a secretária que faz bicos de vendedora de sapatos finos na própria firma é um dos papeis mais interessantes de Brittany Snow, sempre acostumada a pontas, mas famosa por ser uma das mulheres mais sexies do mundo segundo várias publicações.

No primeiro episódio temos cenas de tribunais inusitadas como nunca seria possível ver em nenhum Law and Order da vida, como quando Harriet interrompe a declaração da setença diversas vezes ou quando Adam dá seu showzinho numa audiência. Mas, a impressão que fica é que o roteiro poderia ousar mais. Não fosse por Bates, seria um programa sem muita relevância. A experiência da atriz conseguiu mostrar uma nuance da personagem que chega ao espectador de forma muito sutil. Harriet quer mostrar a todo tempo o quanto pode ser rabugenta, mas na verdade é uma pessoa bondosa e sentimental.

A Warner brasileira aposta na série como destaque entre suas estreias. Como outros programas do canal, se esconde entre milhões de reprises de Two And A Half Man e é exibida às segundas, às 21h. Esperamos que faça sucesso para render a segunda temporada por aqui.

HARRY’S LAW – PRIMEIRA TEMPORADA
David E. Kelley
[Warner, Segundas, 21h]

NOTA: 7,5

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