Bruxo continua saga contra ao mal
Resumido e bem cuidado, chega aos cinemas a sexta versão de Harry Potter
Por Lidianne Andrade

HARRY POTTER E O ENIGMA DO PRÍNCIPE
David Yates
[Harry Potter and the Half-Blood Prince, ING/ EUA, 2008]

Rony Wesley ficou magro e esguio. Draco Malfoy continua com a mesma palidez e olhar frio e a Sra. Hermione Granger continua nerd e esperta em solucionar enigmas. Para matar a saudade dos fãs, o grupo de jovens bruxos volta a se reunir em Harry Potter e o Enigma do Príncipe, adaptação de um dos livros mais vendidos de literatura fantástica da última década.

Os fãs literalmente viram seus personagens preferidos crescer nas telas e páginas do best seller de J. K. Rowling, indo desde a compra da varinha de Harry até seu primeiro namoro sério com a pequena Gina Wesley. Um público exigente, diga-se de passagem, muitos conhecedores assíduos de cada movimento e fala dos pequenos bruxos em espera anciosa pela continuação da saga. As adaptações, vale ressaltar, não suscitam muito a espera, pois mantém o bom hiato de um ano e meio entre um longa e outro.

Na nova aventura o mundo dos bruxos está em perigo com a volta do Lord das Trevas. O jovem Draco Malfoy (Tom Felton) deixa Harry para concentrar-se em sua nova missão: matar o velho diretor de Hogwarts, Doubledore (Michael Gambon). Harry começa a se incomodar com a ausência de um inimigo e, aliada à saudade do padrinho Sirius Black (morto em a Ordem de Fênix), desenvolve um comportamento paranóico pelo ex-professor Snap, ex-comensal da morte e Malfoy, atualmente comensal.

Difícil adaptar para o cinema um livro de 510 páginas, por isso o longa deixa uma impressão de pincelar tudo e não se fixar a nada. O filme passa pelas férias de Harry e a visita inusitada de Doubledore, vai para a viagem anual de início das aulas, mostra algumas aulas, uma cena ou outra de solução de enigmas para o mistério e termina. Para quem já leu a obra, fica a saudade de muitos acontecimentos que seriam possíveis origens para boas cenas de ação. Mas não vale desmerecer o roteiro de Steve Kloves, pois este abriu, revelou e encerrou o mistério de modo que fãs e não fãs acompanhassem no mesmo patamar de entendimento.

O enigma do Príncipe escolheu dois vieses dos muitos possíveis através do livro: os dramas adolescentes e a volta do Lord das Trevas ou Aquele-que-não-deve-ser-nomeado, este presente apenas em nome desta vez. Diante de tantos mini dramas como campeonato de Quadribol (alguns fãs vão ficar irritados de só verem trechinhos e treinos), aulas, o novo Ministro da Magia, entre outros, roteirista e diretor fizeram uma ótima escolha para não sacrificar o entendimento do público.

Passando por quatro mãos na direção (Chris Collumbus, Alfonso Cuarón, Mike Newell), pode-se dizer que David Yates foi um dos melhores diretores da saga. Desde a Ordem de Fenix notou-se uma escolha pelo lado dramático e tenebroso da obra, influenciando na direção de arte. As cores foram literalmente escurecendo no avançar dos longas, adotando uma atmosfera sombria e cada vez mais em ritmo de batalha (bem, nem nos livros as lutas são tão focadas). David sabe o desejo do público: duelos com cores e varinhas, sempre realizado.

Sobre as atuações, Daniel Radcliffe continua fraquinho, sem expressão e decorativo, mas nenhuma novidade nisso. Notável seu esforçou. É sabido que ser parecido com o Harry Potter dos livros foi o critério mor de escolha e prio. Do resto do elenco, nada a reclamar: todos evoluíram com o passar dos anos e Rupert Grint, o Rony Wesley, foi o mais notório: deixou seu tom decorativo para expressar mais sinceridade e sua voz está bem menos nasal. Emma Watson é de longe a mais talentosa e sempre dá um show em cena, padrão mantido desde o primeiro longa. Mais velha, sua personagem Hermione agora é uma adolescente apaixonada quase abertamente por Rony, mordendo os lábios de ciúmes em toda cena na presença da louquinha Luna.

Os efeitos visuais também amadureceram. As imagens não estão mais grotescamente ‘fundo azul’ e o ambiente mais realista deixa a narrativa mais agradável, felicitando pais e adolescentes nos cinemas. No geral, Harry Potter abandonou a atmosfera infantil com sabedoria e soube aproveitar o envelhecimento de seus atores e público, podendo ser um bom programa para a família.

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