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PIROTECNIA DA MATURIDADE E DA EMOÇÃO
Saga de Harry Potter se consolida no universo do público teen e dos detendores do complexo de Peter-pan e não deve em nada a outros títulos que exploram medo, amor e efeitos especiais
Por Fernando de Albuquerque

Harry Potter cresceu. Isso é fato. Em meio a uma crise de adolescência apresenta-se de uma forma mais sombria nesse novo filme, sob o título de Harry Potter e a Ordem da Fênix. É admirável notar como a série tem acompanhado o crescimento do rapaz. À medida que vai ficando mais velho, perde a inocência e a narrativa vai ganhando tônus mais grave. Contraditoriamente, o filme perde boa parte de seu charme, instalado na meiguice dos personagens e na puerilidade de situações: é uma satisfação ver a idealizadora, J.K. Rowling preocupar-se em tornar mais denso seu protagonista que, agora, vê-se diante de questionamentos mais vinculados à vida real.

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Dirigido por David Yates, o quinto da série já começa com uma crise de carência do protagonista, bem típica de adolescentes, à seus amigos mais próximos, Rony (Rupert Grint) e Hermione (Emma Watson), pelo fato deles não terem enviado notícias durante as férias. A partir daí o roteiro começa a se apresentar com uma série de situações diversas, que vão acontecendo quase sem pausa. Com o resultado vê-se cenas altamente corridas, algumas nem um pouco emocionantes e até fáceis de serem esquecidas pelo espectador. Um exemplo claro é o ataque dos dementadores -guardiões da prisão de Azkaban – à casa de seus tios trouxas onde Harry é impelido a usar magia para se safar, sendo expulso da escola de magia.

30hr6.jpgPirotecnia é uma palavra que pode traduzir a Ordem da Fênix. Com orçamento de US$ 150 milhões o longa é considerado o mais sombrio da série e também o mais decepcionante. Tudo bem não ser nem um pouco fácil adaptar 700 páginas, relativamente densas. Mas a impressão é que o filme se atropela para dar tempo de contar a história. O brilhante do filme é que os embates não ficam mais a cargo do time de quadribol. Há lutas verdadeiras entre os personagens principais e um verdadeiro exorcismo pelo qual Harry precisa passar no embate com seu maior inimigo. O tão esperado primeiro beijo de Potter com Cho Chang (Katie Leung) e os treinos de lutas do grupo de alunos que se autodenominam a Armada de Dumbledore substituem as emoções dos pífios embates anteriores.

A interpretação mais acalorada de toda saga é a de Imelda Staunton. Ela é uma funcionária do ministério da Magia, chamada Dolores Umbridge, que é nomeada professora de defesa contra ataque das trevas. Não demora muito para que a personagem, que só traja rosa (tão brega quando Monique Evans), demonstre que chegou a Hogwarts com as piores das intenções. Outro destaque fica por conta da atuação de Helena Bonham Carter como a enlouquecida e demoníaca Bellatriz Lestrange.

NOTA: 6,5

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