TEENS CANTORES FEITOS EM MODO DE PRODUÇÃO
Sucesso nos Estados Unidos, a série Hanna Montana chega ao Brasil
Por Lidianne Andrade

Nada de Britney Spears, Cristina Aguilera ou Justin. High School Musical perdeu o reinado entre a galerinha norte-americana. A nova onda da cultura pop do lado de lá é Hanna Montana. Morena de dia e loira de noite, Hanna é uma adolescente como outra qualquer de “sitcom americano”, com um grande diferencial: canta.

Filha de um produtor musical, Miley Cyrus mora com os pais e durante o dia tem uma vida “normal” de uma série de TV, com fatos bizarros como escolha de um time de futebol na aula de ginásticas rendendo dois episódios inteiros ou disfarçar-se de cantor de rock para conhecer o ídolo na gravadora do pai, o cantor country Robby Stewart(pai de Miley também na vida real). À noite Miley vira Hanna Montana, uma pop star musical. Sua melhor amiga é Lilly Truscott (Emily Osment), com quem divide problemas e enfrenta a maior parte das aventuras. O resto dos personagens são secundários e apenas ajudam a desenvolver as “historinhas”.

A fórmula está mais que esgotada. Qualquer semelhança com Friends (aliás, usa a mesma quantidade de cenários, três), My Wife and Kids (Eu, a patroa e as crianças no Brasil), That’s So Raven (As visões da Raven), entre outras não é mera conhecidência. Além da risada pré-gravada, a série resgata elementos já usados e consolidados em outras séries: o formato de montagem, cenários, uso de câmeras (geralmente em plano aberto e close americano) e as piadas clichês. As semelhanças com That’s So Raven (As visões da Raven) são impossíveis de não serem notadas para quem viu os dois sitcons, mas com uma grande explicação: possuem o mesmo criador, Michael Poryes. Para quem pensava no pior quando viu Raven Bexter vestida de homem com barba e tudo, não imaginava ainda a vinda de Hanna.

Exibida de segunda a sexta, às 17h30 no “Zapping Zone” desde 2006, e desde domingo passado na Globo, aos domingos, a série pretendia dar um novo ar à fórmula já gasta do High School Musical, este por sua vez já releitura do antigo Clube do Mickey, responsável por lançar sucessos como a Aguilera e a problemática Spears, citados no início da matéria. Uma releitura digna de observação. Na abertura quase nada merece atenção, com exceção da música, “Best of Both Worlds”, escrita pelo pai da atriz (compositor de todos os hits). Assim como na High School, os personagens cantam por nada. No meio da aula, no banheiro, na quadra, durante o jogo, como no hit “Dança dos Ossos”, bastante acessano no site de vídeos YouTube (pode buscar como Dança dos Ossos ou Hanna músicas). São músicas com refrões fáceis e relacionados ao episódio, mas interpretados por uma ótima voz. Miley Cyrus merece seu crédito. Atriz aparentemente sem grandes destaques na performance dramática, passaria em branco caso não fosse a personagem principal e muito parecida com a cantora pop Hillary Duff, não apenas fisicamente: as duas cantam com voz doce, atuam e são sucesso no mundo teen.

Apesar de lida e relida, a fórmula de Hanna Montana funciona muito bem. Vende tudo o que vê pela frente: cds, dvds, camisetas, chaveiros e equipe está aceitando sugestões de novas lembrancinhas (risos). Já foram lançados quatro CDs: Hannah Montana OST, Hannah Montana 2, Meet Miley Cyrus e Hannah Montana 2 (Non-Stop/Dance Party). Na área de vídeo, o sucesso foi igual: Hannah Montana – Vol.1 – Livin’ Rock Star Life! (Nos Bastidores da Fama), Hannah Montana – Vol.2 – Pop Star Profile (O Perfil da Popstar), Hannah Montana – Vol.3-Life´s What You Make It e Hannah Montana – Vol.4 – One In A Million, os dois últimos sem lançamento ainda no Brasil. Até em videogame vendeu: “Hannah Montana: Spotlight World Tour” e “Hannah Montana: Music Jam”. Se alguém duvida do sucesso, basta contar dos cerca de 12 mil lugares vendidos em quase 15 minutos para serem vendidos e um fã ter comprado um ingresso por US$ 2.565, na Carolina do Norte, EUA.

Depois de tantos pontos negativos, qual a explicação para tanto sucesso? A aproximação com o mundo teen. Diferente da garotada High School Musical, Hannah estuda em uma escola real e seu pai é real, músico de verdade. De dia, estudante. À noite, cantora pop escondida para tentar ter uma vida normal. Miley não ganhou outro nome na série, é Miley mesmo, estratégia dos roteiristas para dar um tom de reality show. A personagem aproxima-se mais do público teen, além de cantar “de verdade”. É um sitcom, todos sabem, mas um sitcom feito com talentos verdadeiros para suscitar a imaginação da galerinha antenada.

No Brasil, espera-se que o fenômeno faça tanto sucesso quanto por lá. Só na estréia nos Estados Unidos, mais de cinco milhões de pessoas estavam com a TV ligada. Na TV aberta, é da Globo o “privilégio” de transmitir a série aos sábados, as 11h30 da manhã. O filmes chegou quase simultaneamente, com estréia marcada para o dia 25 de abril em São Paulo e no Rio o 3D, o filme “Hannah Montana & Miley Cyrus – O melhor dos dois mundos”. Agora é só esperar para ver a contaminação.

Hannah Montana – Who Said

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