LOIRISIMO DE CARTERINHA
Gwen Stefani é nota 10 com novo CD solo e ensaia volta ao NoT Doubt
Por Fernando de Albuquerque

A primeira coisa que vem à mente quando se pensa em Gwen Stefani é sua loirice e performance de palco. Seu visual é marca registrada, alçada à categoria de ícone. Os cabelos loiros claríssimos e a boca carnuda, sempre com berrante batom vermelho, remetem aos ícones do cinema noir das décadas de 1940 e 1950. E além das peculiaridades físicas, ela é conhecida pelo ecletismo musical e pelas constantes inovações que imprime no panorama do rock norte-americano. Seja sozinha, seja acompanhada do grupo, o No Doubt, que nesta última produção do The Sweet Escape se torna uma mera sombra quase negativa.

Esse álbum é seu segundo disco solo, lançado no início deste ano. E ele não poderia mostrar uma Gwen diferente: a loira mostra uma sonoridade pop com aspecto estranho à primeira audição, mas que confirma o grande talento da artista. Ela se joga nas preferências do mercado e se une à black music e ao hip hop, gêneros que são a sensação das paradas de sucesso ianques há um bom tempo. Para tanto ela se uniu ao The Neptunes, responsáveis por sucessos de produção como a faixa “I’m a slave for you”, de Britney Spears, e “Like I love you”, de Justin Timberlake. Pharell Williams, integrante do duo, contou com a participação de Gwen no primeiro álbum solo. Agora, os dois repetem a parceria na faixa “Yummy”. Entre os que deram contribuição à obra, ainda estão Tim Rice-Oxley, da tão tristinha e ainda pertencente a Coll britania, banda inglesa Keane, e Akon (da Lonely), na faixa que dá nome ao disco.

Os ritmos mudaram em relação os da sua primeira composição solo. O álbum anterior foi dedicado ao dance, um dance despretensioso e até leve. Já Escape tem uma verve mais moderna e que prima pela mistura como base da composição sonora. Isso pode ser um claro reflexo de que ter um filho também foi decisivo para Stefani. Ela se considera mais divertida e profunda após o nascimento de Kingston, o filho com o vocalista do Bush, Gavin Rossdale; pelo menos é o que os tablóides estrangeiros decentes contam. Mas uma coisa fica no ar por, após esse disco, todos os caminhos a levam de volta à banda de origem.

FUTURISTA

GWEN STEFANI
The Sweet Scape
[EMI, 2006]

Experimentar diferentes estilos não é novidade nenhuma para essa californiana de 37 anos. Como vocalista do No Doubt, brincou em Tragic kingdom, misturou reggae e dub em Rock steady e finalmente assumiu o pop como estilo quando alçou um vôo solo e paralelo ao grupo. Em Love, Angel, Music, Baby, Stefani pegou o Japão como inspiração e juntou-se a quatro dançarinas nipônicas em suas incursões no palco. As letras eram recheadas de referências à terra do sol nascente e também às chamadas “harajuku girls”, garotas japonesas que chamam atenção por seu figurino exótico, em estilo sensual e cibernético.

Mas, agora, ela mudou de diva e encarna uma Julie Andrews atualizada em versão futurista de A noviça rebelde. No clipe de “Wind it up”, o primeiro single do novo disco, que pode ser encontrado dando uma boa busca do You Tube, ela aparece tocando violão e dançando com uma moderna e estranha família Von Trapp, loira como ela e vestida com roupas feitas a partir de cortinas. Na faixa, ela ainda aproveita The lonely goatherd, uma das canções do filme, como sample.

Além de The Sweet Escape, Gwen lançou neste mês, nos EUA, o DVD da turnê Harajuku lovers live, com os sucessos de seu primeiro álbum solo. O DVD estará nas lojas do Brasil na próxima semana. Gravado em Anaheim, na Califórnia, o show tem em seu repertório canções como “What you waiting for”, “Rich girl” e também “Wind it up” e “Orange County girl”, de seu novo álbum, quando ainda eram inéditas. Stefani inicia a turnê em abril de 2007, nos EUA, e por enquanto não tem previsão de visitar outros países. Desistam fãs!

NOTA:: 10

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