Guizado propõe sinestesia e mistura de gêneros
Por Gabriel Gurman

GUIZADO
Punx
[Urban Jungle, 2008]

A primeira reação que se tem ao se escutar o disco Punx é olhar para o som como se de lá fosse surgir diversas imagens. Esta correlação música-imagem é o aspecto mais vigoroso do disco. Seria muito preguiçoso compará-lo diretamente às obras referentes ao “período elétrico” de Miles Davis, como Big Fun, In a Silent Way e o citado na entrevista, On The Corner. Guizado mistura com grande precisão elementos da música eletrônica e concreta, levadas de hip-hop, acid jazz e muitas outras sonoridades que extrapolam o universo musical, por mais estranha que esta frase pareça.

Dentro deste conceito explorado por Guizado, se destaca, por exemplo, a canção “Der Golem”, que conta com a participação do onipresente M. Takara. Como o próprio nome propõe, a música é densa, sombria e abusa da sobreposição de instrumentos e de barulhos como se fosse uma jam gigantescas de músicos insandecidos. Outro destaque é “Areia”, que possui uma levada menos intensa, com influência de bossa-nova, e permite que Guizado transforme seu trompete em um instrumento fantasmagórico.

Com produção impecável e gravado por músicos de grande capacidade técnica e inventiva, Punx, se não é vanguardista, propõe uma interação diferenciada entre músico-ouvinte que de destaca até mesmo dentro da poderosa cena de música instrumental independente, que conta com bandas como Macaco Bong, Baoba Stereo Club, Hurtmold, entre muitos outros.

NOTA: 7,5

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