gui-boratto-1.jpg

GUI BORATTO
Chromophobia
[Kompakt, 2007]

chromophobiacoverzh8.jpgO brasileiro Gui Boratto é um faz-tudo: arquiteto, músico, compositor, produtor e agora um DJ conceituado no mundo todo. Sua consagração veio com o álbum Chromophobia, aclamado pela crítica nacional e internacional como um expoente da música eletrônica, mais especificamente do gênero minimal techno.

Misturando diversas texturas da música eletrônica, como o techno, neo-trance, ambient e o synth-pop, Chromophobia apresenta 13 faixas. A primeira, “Scene 1”, é ruidosa e tem um clima tenso, de urgência. Outras faixas, como “Xilo”, “Hera” e a última, “The Verdict”, seguem essa mesma linha. Já “Mr. Decay” é mais dançante e tem batidas ritmadas em seus quase sete minutos de duração. “Terminal” tem um apelo mais seco e cria um clima futurista com a interferência de ruídos tecnológicos. “Gate 7”, “The Blessing”, “Mala’ Strana”, “Acrostico” (meio “cósmica”) têm texturas mais delicadas, assim como “Shebang”, só que esta possui um clima mais afobado. “Chromophobia”, que dá nome ao disco, parece ser dotada de uma “brasilidade” no ritmo de suas batidas eletrônicas. E “Beautiful Life”, a mais longa do álbum, com mais de oito minutos de duração, chega a lembrar, por trás das batidas eletrônicas, o som da banda islandesa de post-rock Sigur Rós.

O sucesso de Gui Boratto pode parecer repentino, o que é um equívoco. Há muito tempo ele já estava trilhando o caminho da música eletrônica. Nascido em São Paulo, Boratto tem 33 anos e atuou na publicidade desde 1993. Já foi produtor de artistas como Gabrielle, Desiree, Pato Banton, Manu Chao e Steel Pulse. Montou estúdios, envolveu-se em projetos de música eletrônica , trabalhou com gente como Ricardo Guedes, Ferris, Alyssa Cavin, Oswaldo Malagutti, Ramilson Maia (DJ), Zé Pedro (DJ) e Kerry Phillips. Com este último, montou a gravadora Megamusic Brasil, voltada exclusivamente para a música eletrônica. Também já havia remixado grandes sucessos de artistas renomados como Chico Buarque, Gal Costa, Leila Pinheiro, Fernanda Porto e Ana Carolina, entre outros exemplos de destaque, e produziu faixas para a trilha sonora do filme “Cidade de Deus” (2002). Boratto também já emplacou singles no topo das paradas do mundo todo – a música “Sunrise” foi executada, em 2005, pelo DJ Paul Van Dyk, considerado um dos melhores do planeta.

Depois dessa trajetória, explorando diversos níveis das batidas eletrônicas, o DJ acabou caindo no minimal techno, cena que o consagrou em 2007 nas picapes do mundo afora. Boratto tem uma série de EPs e álbuns lançados, mas foi com Chromophobia que seu nome começou a aparecer em line-ups de grandes festivais (como o Mutek, evento canadense de música eletrônica) e nas revistas especializadas do mundo todo, sendo considerado o principal DJ brasileiro. [Mariana Mandelli]

NOTA: 7,0

Sem mais artigos