FÔLEGO NO HARDCORE?
Relato-resenha do novo disco do Gritando HC e de como ainda pode surgir boas novidades do gênero

Por Paulo Marcondes
Colaboração para a Revista O Grito!

Gritando HC foi uma banda que proporcionou para mim, antes mesmo do Dance of Days e do que viria acontecer depois, o conhecimento do punk. Acho que pessoas da minha idade, 18, 19 anos, provavelmente também tiveram contato com o movimento a partir dessa banda. Ande de Skate e Destrua era um hino, enquanto o pessoal andava pelas ruas ou nas quadras abandonadas dos bairros sobre a madeira e as 4 rodas. Agora, cerca de 5 anos depois de tudo isso, recebi do Wlad Cruz, editor do Zona Punk, o novo lançamento deles, o álbum Fase Adulta.

Depois de um baita hiato, se não me engano o último lançamento da banda foi um show ao vivo, de 2009, o grupo voltou com esse registro, em 2011. São 20 faixas, com o melhor do punk rock nacional, e mesmo que sem o Ronald (descanse em paz, ‘Donald’), a ideia inicial parece continuar viva até hoje: o som rápido e sujo, sem papas na língua.

O disco consegue trazer aquela sensação nostálgica e transportar o ouvinte a um passado e pelo amor de qualquer divindade que você acredite isso não é ruim, muito pelo contrário. O punk rock é do bom, com letras diretas, três acordes, faixas com pouco mais de dois minutos de duração e tudo o que os Ramones e Sex Pistols ensinaram de bom à humanidade.

É claro que, a banda muda, as coisas evoluem e não é tudo como no passado, alguns solos se destacam e a sonoridade deixou de ser crua, para ser razoavelmente mais pesada do que os discos anteriores.

Volto novamente ao assunto que já bati na tecla, no meio desta resenha, as letras continuam muito ácidas, como na quarta música: “os americanos se acham, se acham os donos do mundo”, ou na nona, onde o refrão nada mais é que gritos, tanto da vocalista Elaine, quanto do backing vocal: “impunidade contestável!!”, ou melhor ainda: “nossa pátria vendida, nossa justiça corrompida”. É pedrada na orelha, ou não?

Em suma, Fase Adulta, até no nome, reflete uma maturidade da banda paulistana Gritando HC, porém sem abandonar as raízes e como dito no início do texto, a proposta antiga. Parece que tudo continua ali, com poucas mudanças que refletiram num som um pouco diferente, mas como dito, com aquela velha ideia. Lembram-se de O Hino do Álcool? “O álcool, o álcool, o álcool domina minha mente?”, ouçam a última música e deleitem-se com uma faixa similar.

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