GNARLS BARKLEY
St. Elsewhere
[Downtown, 2006]

A música pop é pródiga em criar seus próprios mitos. E rápida também. Danger Mouse após “Crazy”, single de maior sucesso deste St Elsewhere é hoje considerado o midas das melodias e respeitadíssimo produtor musical, com álbuns do Gorillaz e Rapture no currículo. Em 2005, Mouse lançou o maldito Grey Album, um disco que misturava o Black Album do Jay Z com o White Album dos Beatles. Com essa mistura no mínimo excêntrica, não tinha como não chamar atenção. Agora o produtor se uniu ao cantor Cee-lo Green para lançar este disco de estréia de seu novo projeto, que, como se não bastasse ter momentos maravilhosos ainda entrou para a história quando o hit “Crazy” chegou ao topo das paradas comercializado apenas pela internet, na forma de downloads. Em mãos erradas uma música que diz “I Make Your Crazy”, pode se tratar de uma aula de clichê, mas trata-se do hino absoluto de 2006, com melodias que mesclam do gospel ao rap. O Gnarls Barkley arejou a música pop, e entenda por pop a música comercial de alcance imediato, sem precisar de nenhum conhecimento prévio sobre qualquer referência que seja. É ligar o rádio e dançar. Isso numa época em que as rádios brasileiras tocam todo dia, 100% de lixo puro. “Crazy” é a “Hey Ya” deste ano, e assim como o Outkast, conseguiu esparecer as tensões pós-11 de Setembro com um disco explosivo em sua mistura de estilos. A diferença é que o Gnarls Barckley tem o soulman moderno Cee-Lo Green, que consegue dar ritmo às mais diversas misturas do DJ Danger Mouse, com sua voz ao mesmo tempo sacra e poderosa. St Elsewhere é o encontro de todos os afluentes de referências pop, que vai do rap ao electro. Além disso, o projeto e o disco são ícones de um novo momento do entretenimento mundial, quando a internet é o meio e o fim para se definir o sucesso e o prestígio de uma banda. Como um Arctic Monkeys, o GB deve seu hype e sua
história ao modo como soube utilizar a rede para só depois tomar de assalto o mundo “real”. Não há uma única faixa que retire a atenção do disco. É para curtir do início ao fim, apreciando as viagens comandadas por Mouse em suas misturas aparentemente caóticas; o trip-hop com soul em “Just A Thought”, o hip-hop electro em “Transformer”, o rock´n´roll desconstruído sob bases eletrônicas em “Gone Daddy Gone”, a excelente cover do Violent Femmes “Smiley Faces”, sem falar da faixa mais legal do ano, “Crazy”. Em suma, St Elsewhere é o registro mais moderno da música hoje e aponta novos rumos para o pop ao mesmo tempo em que coloca tudo numa encruzilhada, “e agora, para onde?” [Paulo Floro]
NOTA:: 8,5

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