Girl Talk (Foto: Divulgação)

LAPTOP CRIADOR
Girl Talk lança novo disco Feed The Animals remodelando (mais uma vez) os limites da música pop
Por Paulo Floro

GIRL TALK
Feed The Animals
[Illegal Art, 2008]

Se Greg Gillis, o homem por trás do pseudônimo Girl Talk ainda divide opiniões, ao menos sua importância para rever os conceitos de música neste novo século são incontestes. Seu terceiro disco, Night Ripper, particularmente, fez muito barulho ao ser construído todo em cima de colagens, numa época em que usuários de Soulseek são processados por fazer download. Quanto o Girl Talk pagou por todos os samplears? Zero.

Nesta mesma premissa, o novo disco, Feed The Animals chega aos PC’s e ipods de todo mundo esta semana. E mais uma vez, rende discussões para além de suas músicas. Lançado pelo selo Illegal Art, ele foi disponibilizado no esquema “In Rainbows”, onde o usuário paga quanto quiser, inclusive não pagando nada. Na opção “US$ 0,00”, é preciso responder a uma pequena enquete sobre as razões de não pagar nada. Maneira inteligente e até pioneira de se entender como funciona (ou funcionará) as relações comerciais na música daqui em diante.

Gillis parece ter aprimorado sua curiosa técnica copy+paste neste quarto trabalho. As faixas estão mais pop, até. A escolha do repertório (os samplers) ficou ainda mais inusitado, indo de popices como Avril Lavigne (“Girlfriend” em “Shut the Club Down”), passando por clássicos (“Bohemian Rhapsody” no final de “What It’s All About”) indo até indies como Yeah Yeah Yeahs (“Phenomena”). Até o novo Radiohead apareceu, “15 Steps”, na faixa “Still Here”, no meio de Fergie , Kanye West e Beastie Boys.

A base, o fio condutor, ainda continua sendo o Hip Hop. São os rappers que fazem as vezes de vocalistas do Girl Talk. Neste disco ele colou mais participações de R&B, mas suas preferências ainda são nomes conhecidos do rap, entre eles Ludacris e Jay Z (o mais acionado). Esta mistura caótica (Britney e Dr. Dre formando uma só canção?) ainda continua sendo a marca registrada do DJ, mas já se percebe uma melhor produção que torna cada faixa mais memorável que no trabalho anterior.

Mais do que um ícone do mashup, um excêntrico DJ (é reconhecido por se despir em suas discotecagens), Greg Gillis é um artista de relevância no pop atual. Pra completar, fez os 50 minutos mais divertidos num disco de eletrônico, pop, hip-hop, rock, R&B.

NOTA: 8,0

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