REPÓRTER MASTER
Autor criador do “new journalism” vem ao Brasil para a Flip num momento em que o Jornalismo é posto em xeque pelas mudanças provocadas pela web
Por Gabriel Marquim, especial para a Revista O Grito!

Provavelmente, o figurino dele vai destoar do da maioria dos passantes das ruas de Paraty, quando, em julho, acontece a Feira Internacional do Livro (Flip). Seu chapéu quase engomado e seu traje fidalgo anunciam que o senhor de 77 anos viveu em uma época áurea, da qual virou ícone. Não pela moda, mas pela escrita. Gay Talese.

Unindo uma cuidadosa e profunda apuração a uma escrita literária, Talese inovou na forma e no conteúdo do jornalismo na década de 1950. Não era simples opinião ou literatura nem muito menos o factual ou factóide que hoje quase imperam nas redações de jornal. Bastava um vírus que abalasse um cantor e, pronto, Talese fazia disso uma obra prima.

Pode parecer ficção e, na época, o jornalista foi muitas vezes acusado de criar pequenos fatos para apimentar suas histórias, como no caso acima que, de fato, aconteceu envolvendo o cantor Frank Sinatra. Seu estilo, amado e controverso ao mesmo tempo, levou-o a escrever para o New York Times, Times, Esquire, The New Yorker, Harper’s Magazine, entre muitas outras publicações.

Começava, então, o que se chamou de “novo jornalismo” ou, no Brasil, jornalismo literário, ainda hoje motivo de discussões, seja em teses de doutorado, seja em conversas de bar depois do expediente no jornal. No momento em que várias empresas de comunicação sentem suas estruturas abaladas pelo terremoto chamado internet, cabe refletir se o simples factual é a melhor opção.

Não precisa de previsão, inclusive, para afirmar que essa será uma das perguntas dirigidas a Talese quando de sua participação na Feira de Paraty. Já agora, o jornalista tem dado inúmeras entrevistas tratando sobre o tema e, boa nova, para o experiente escritor, os jornais não serão extintos, mas precisarão passar por reformulações.

Talese também tem dado claras demonstrações de que não pretende permanecer escritor de uma tecla só, nem muito menos saudosista de sua época. Nos últimos anos, procurou se colocar em questões importantes, como no caso do 11 de setembro ou da invasão ao Iraque. Ao seu estilo, bem riscado como seus paletós, declarou em entrevista à revista Veja que “a imprensa americana caiu na lorota de que havia armas de destruição em massa no Iraque”.

Passam-se os anos, Talese continua afiado.

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