Os artistas Maurício Silva e Maurício Castro em ação no Gráfica Lenta. (Fotos: Alexandre Figueirôa/OGrito!).

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Por Alexandre Figueirôa

Apesar das Moura Dubeux da vida, nem tudo está perdido no Recife. Quem tiver dúvidas é bom dar uma passada na Galeria Mau Mau, na rua Nicarágua, no bairro do Espinheiro, Zona Norte do Recife. Um quintal, sob a sombra de uma frondosa mangueira, durante todo esse mês de maio está sendo palco de uma experiência artística simples, poética e acolhedora.

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O projeto Gráfica Lenta, coordenado pelos artistas Maurício Castro e Maurício Silva, além de propor uma nova abordagem sobre a arte da impressão, é um espaço de convívio, onde o tempo corre ao sabor do impulso criativo e da conversinha morosa que nos faz lembrar o quanto as trocas de ideias e afetos podem ser bem mais intensas do que os posts banais das redes sociais da internet.

O projeto tem a produção de Clarice Hoffman e e propõe uma vivência coletiva que privilegia um tempo de criação elástico e mais humano. Além de Castro e Maurício Silva, que veio de Paris para uma residência na , oito outros artistas também estão envolvidos com a Gráfica Lenta. Mas, até o final de maio qualquer pessoa que quiser conhecer o trabalho desenvolvido e também se lançar na criação de peças gráficas, usando desde técnicas tradicionais da xilogravura a processos alternativos como carimbos em borrachas escolares, é só aparecer.

Só um bate-papo com Mauricio Silva já vale a pena a visita. O artista é um entusiasta do projeto porque ele tem como principal estímulo a ruptura com um certo “padrão clássico” de confecção de gravuras. “Uma des-samicalização da gravura”, diz Silva rindo e mostrando as inúmeras possibilidades de se fazer gravuras usando diversos materiais para imprimi-las. A espontaneidade do traço, a liberdade da experimentação para ele são fundamentais para re-estimular o interesse pela técnica.

Irmã Brown é uma das coordenadoras do projeto: quintal aberto.

Irma Brown é uma das coordenadoras do projeto: quintal aberto.

Castro e Silva estão sempre disponíveis para orientar quem chega para conhecer a Gráfica Lenta. O terraço, parte do quintal, a garagem e outras salas da Mau Mau se transformaram num ateliê vivo e já estão repletos de gravuras produzidas pelos artistas e visitantes que adoraram o projeto e estão vez por outra aparecendo lá para se iniciarem na arte de imprimir desenhos.

E as conversas sobre arte e outros temas tornam-se ainda mais animadas durante o almoço. Para estender a convivência no ateliê quem estiver pela Mau Mau pode compartilhar a refeição com os artistas e, por apenas dez reais, degustar comidas deliciosas preparadas com alimentos de origem orgânica.

Os trabalhos realizados durante o mês pela Gráfica Lenta serão reunidos e integrarão a exposição que marca a conclusão do projeto. “Colocaremos tanto os desenhos dos artistas conhecidos como os dos gravuristas estreantes. E não haverá diferença nos preços das peças que serão colocadas à venda. Queremos mostrar que a arte da gravura, embora seja uma técnica milenar, continua viva e acessível a todos”, conclui Maurício Silva, enquanto trabalha num pedaço de madeira corroído pelos cupins para transformá-lo em mais uma matriz para novas gravuras.

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