UMA DÉCADA SEM O VELHO FRANK
Warner Music lança uma compilação que resume em 22 faixas toda a trajetória musical do lendário Sinatra, morto há 10 anos
Por Fernando de Albuquerque

FRANK SINATRA
Nothing But The Best
[Rhino/ Warner Music, 2008]

Sinatra é um clássico eternizado, hoje, em insidiosas festas de formatura, casamentos e congressos. Interpretado de maneira pueril e inóspitas, sempre por bandas que executam árias que vão do Cavalo Manco de Calypso à New York, New York. Uma pena! A verdade é que há exatos 10 anos, os belos olhos azuis se fecharam para sempre e a Warner, contradizendo toda sorte de coletâneas decidiu lançar Nothing But The Best. Mais uma compilação de sucessos da lenda.

São 22 faixas que procuram percorrer, fora de ordem cronológica toda carreira de Sinatra. Independente da idade, não há quem passe imune aos temas do disco. De setentões saudosos à novíssimna geração que já conheceu a voz, hoje calada, de cabelos brancos. Nothing But The Best incita lembranças. A viagem musical por entre as décadas tem início com “Come Fly With Me”. A segunda faixa, “The Best Is Yet To Come”, faz jus ao título em inglês, antecipando que o melhor ainda está por vir.

E nesse liquidificador temporal que é o disco, Sinatra mostra que, ainda hoje, percorre em suas secas veias (ops!) uma pequena pecha de imoralidade com uma “Garota de Imapena” que prcura privilegiar os vocais de seu amigo e parceiro Tom Jobim. Os grandes hits, que podem ser encontrados em qualquer karaokê, como “Fly Me To The Moon”, “Strangers In The Night”, “That’s Life” ocupam o devido espaço que o sucesso deram a essas músicas. Já mais pro final o disco começa a ficar mais profético com “My Way”, “New York, New York” e “Body and Soul”, que reaparece em novos arranjos do filho Frank Sinatra Jr. Uma excelente surpresa da gravadora.

Sinatra é o homem da voz. E a Warner aqui, aparece como senhora do tempo sem reinventar o músico magistral que viveu o pleno da boemia ianque e teve sua vida transformada em montanha-russa com o tempestuoso casamento com Ava Gardner. F.S. levou ainda o Oscar de ator coadjuvante por A Um Passo da Eternidade, de Fred Zinnerman. Em meados de 60 concretizou a parceria com Tom Jobim e duas décadas depois reuniu 170 mil pessoas no Maracanã em um show que ficou conhecido mundialmente e que, até hoje, figura nos anais do Guiness Book.

O último sucesso fonográfico da lenda foi Duets, de 1993. Nele, grandes canções foram interpretadas com participações especiais do porte de Aretha Franklin, Julio Iglesias, Barbra Streisand e Charles Aznavour. Em 1995, ano de seu octagésimo aniversário, aposentou-se morrendo três anos mais tarde de ataque cardíaco. Foram mais de 1800 gravações, filmes e diversos prêmios. Palmas para Sinatra, sempre!

NOTA: 9,5

Frank Sinatra – New York, New York

Frank Sinatra – Fly Me To The Moon

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