NOVO RETORNO
Em seu segundo livro lançado no Brasil, Marjane Satrapi volta a falar de memórias, desta vez de seu tio-avô
Por Paulo Floro

FRANGO COM AMEIXAS
Marjane Satrapi (texto e arte)
[Cia das Letras, 88 págs, R$ 32]
Tradução: Paulo Werneck

Era notório que, com o sucesso de Persépolis, não demoraríamos a ver outros trabalhos da iraniana radicada na França, Marjane Satrapi. Frango Com Ameixas, lançado em 2004 na França e em 2006 nos EUA chega às livrarias brasileiras com um enorme e notável apelo para o sucesso do livro anterior.

Marjani, de fato tem uma proposta criativa bem definida, que é a busca in loco de suas memórias. Ela precisa estar lá para registrar o que se passou. Sua narrativa quase jornalística, sem juízo de valor e pouca apreciação pessoal joga o leitor bruscamente para dentro de sua intimidade, de sua história e deixa aberto uma interpretação de sua trajetória. Foi assim com Persépolis, sua autobiografia transformada em filme ano passado. Mas, então o que dizer de Frango Com Ameixas, em que a autora conta a história de seu tio, Nasser Ali Khan?

A história se passa em 1958 e conta a história do tio-avô de Marjane que decide morrer depois que sua esposa destroi seu tar (instrumento musical similar a uma cítara indiana). Para Nasser, o instrumento tem um valor simbólico que remete ao seu passado, já que foi herdado por ele ainda no início de seu aprendizado. A busca por outro instrumento parecido com o original é o insight necessário para seguir em frente.

Marjani observa a vida de um parente próximo dialogando com sua própria história. O livro faz referências ao trabalho artístico, levantando questões como talento, técnica, temas que ela, também artista, tem muito a dizer. Para quem gostou de Persépolis, Frango Com Ameixas é um livro envolvente e está inserido no projeto de vida da autora, que é resgatar a sua história e a de seu povo e propor uma nova leitura.

Perde um pouco por se assemelhar tanto ao trabalho mais famoso, já que se poderia ousar mais formas narrativas aqui. Mas o trabalho de Marjane Satrapi, semelhante a xilogravuras tem personalidade forte, e isso é mais importante para autora que qualquer inovação em seu próprio traço

NOTA: 7,5

Sem mais artigos