BELEZAS DA GUERRA
por Paulo Floro

FLAMING LIPS At War With Mystics
[Warner, 2006]

Quando é que o futuro chega? Bem, talvez o Flaming Lips não saiba responder a essa pergunta, mas o seu mais novo álbum, At War With Mystics é o mais “presente” da banda.

Depois de lançar a obra-prima Yoshimi Battles The Pink Robots, um dos melhores discos que esse planeta já viu nos últimos anos, o grupo tinha a opção de lançar a obra definitiva que os levaria para as rádios ditas roqueiras, paradas da Billboard e para as audiências médias. Mas depois das loucuras geniais de Yoshimi, com todo o lance conceitual, praticamente uma ópera-rock indie-bizarra, o Flaming Lips traz à Terra basicamente um disco político (ou assim se pretende), ao criticar o abominável George Bush e a também abominável Britney Spears. “Yeah, go tell Britney Spears and Gwen Stefani that their energy and their Prom Queen smiles only go to prove that they don’t emphatize with my sadness”, (“Então vá dizer à Britney Spears e à Gwen Stefani que seus sorrisos de Rainha do Baile não compreendem minha tristeza”) diz Coyne na música “The Sound of Failure”.

Neste disco Wayne Coyne ainda está preso em seu mundo espacial e ele ainda ostenta o seu brio de maluco. O álbum não está mais acessível, como já foi dito em algumas resenhas, a diferença é que a banda deixou de lado por um tempo os robôs japoneses e alienígenas buscando compreensão e buscou ser um pouco mais atual. Mas isso não retirou a genialidade do grupo.

O Flaming Lips ainda é a voz excêntrica da América de Bush. O grupo se encontra à margem do rock e suas conjunturas, por que eles são malucos. Wayne Coyne não irá abrir mãos de suas apresentações esquisitas, as bolhas, as pelúcias no palco. E isso só faz aumentar o culto ao grupo norte-americano. O que nem sempre é bom, por que pode deixar a banda um pouco hermética para novos ouvintes. Mas quem não se rende aos acordes de Yoshimi, com clássicos como “Do You Realize”?, até um fã do Manowar ou Queen of the Stone Age se emociona. Com At War With Mystics, o Flaming Lips precisa mostrar que consegue ser pop sem se render à uma viagem cabeçuda, difícil e conceitual, afinal foram eles que lançaram um disco quádruplo que só podia fazer sentido ouvindo todos ao mesmo tempo (Zaireeka, 1993). E nem foi preciso outro Yoshimi. Por que não se cria obras primas assim, toda hora.


Pagar pau para o Flaming Lips é delicioso e reconfortante. Faz você repensar todo o tempo que você perdeu elogiando discos do Kaiser Chiefs ou The Bravery. Por que existem bandas que tem MORAL, e isso não se consegue com hits badalados. (Pelo menos não SÓ com isso). At War With Mystics começa com o single “The Yeah Yeah Yeah Song”, uma atmosfera meio demente, com um coro meio absurdo, acordes ritmados e bateria meio nervosa e já avisa na letra “Você é louco? É muito perigoso fazer o que se quer (…)”. “Free Radicals” é a continuação de uma viagem que explora um pouco o psicodelismo passado do Flaming Lips. “The W.A.N.D. (The Will Always Negates Defeat)” volta a falar de política. O disco é uma sucessão de gratas surpresas, a culminar na perfeita “Goin On”. Wayne Coyne promete continuar a surpreender o pop com uma viagem a um lado fantástico do rock, mandando às pqp as críticas que certos roqueiros que os acusam de serem neo-hippies floridos; o mundo não precisa deles. O mundo precisa dos Flaming Lips. Pra logo.

NOTA:9,0

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