A segunda edição do Festival Internacional de Cinema de Realizadoras (FINCAR) exibe mais de 70 produções audiovisuais em três cinemas públicos situados no Grande Recife, de 14 a 19 de agosto, com entrada a preços populares.

A programação contempla curtas, médias e longas-metragens de várias partes do mundo exibidos no Cinema São Luiz, no Cinema da Fundação Joaquim Nabuco (ambos no Recife) e no Cine Teatro Bianor Mendonça Monteiro em Camaragibe, na região metropolitana do Recife. O FINCAR tem como proposta ocupar os equipamentos culturais públicos da Grande Recife com uma programação provocativa, política e produzida por mulheres, com debates pós-sessões de cinema para investir na formação de público.

Durante o mês que a convocatória esteve aberta 1168 filmes de realizadoras foram inscritos. O país que mais inscreveu filmes foi o Brasil, com 320 filmes submetidos à curadoria, estritamente formada por mulheres. Na primeira edição, em 2016, o país que mais inscreveu filmes foram os EUA.

“A diversidade de vivências e experiências audiovisuais entre as curadoras é uma das potências políticas do festival. Os debates estabelecidos a partir dos filmes foram muito produtivos e a programação instigante a qual chegamos é resultado direto disso”, afirma Maria Cardozo, idealizadora e diretora de programação do FINCAR. O que ainda ecoa dos debates curatoriais desta edição poderão ser encontrados no catálogo online que será lançado no dia da abertura do FINCAR, terça (14), no Cinema São Luiz.

Destaques deste ano

A realizadora Patrícia Ferreira, a primeira diretora indígena a exibir filme no FINCAR, co-dirigiu o média-metragem Teko Haxy – Ser Imperfeita com Sophia Pinheiro. As duas realizadoras estarão presentes nas sessões do filme no Recife e em Camaragibe.

Na programação de médias e longas encontra-se também o documentário O Caso do Homem Errado (RS – Brasil), de Camila de Moraes, que rompe o hiato de 34 anos sem longa de realizadora negra em circuito comercial, vencedor do 9º Festival Internacional de Cine Latino, Uruguayo y Brasileiro; o documentário Mulheres Rurais em Movimento, direção coletiva do Movimento da Mulher Trabalhadora Rural do Nordeste / MMTR-NE e Héloïse Prévost, vencedor do prêmio do júri do 11º Seminário Fazendo o Gênero; Piripkura (Brasil), de Mariana Oliva, Renata Terra e Bruno Jorge, exibido no forumdoc.bh 2018 e Festival do Rio 2018; Diários de Classe (BA – Brasil), dirigido por Maria Carolina da Silva e Igor Souza, exibido no 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro; Lírios não Nascem da Lei (MG – Brasil), realizado por Fabiana Leite, presente na Seleção oficial para o WomenCinemakers Biennial Edition 2018; Wild Relatives (França, Líbano e Noruega), dirigido por Jumana Manna e estreado mundialmente no 67º Festival Internacional de Cinema de Berlim – Berlinale 2018; Cuatreros (Argentina), dirigido por Albertina Carri, circulou pelo mundo em festivais, a exemplo do Festival Internacional del Nuevo Cine Latinoamericano (La Habana, Cuba) e Mar del Plata Inernational Film Festival (Mar del Plata, Argentina); e Dreamstates (EUA, França e Ruanda), realizado por Anisia Uzeyman, que estreou mundialmente no Los Angeles Film Festival.

Curtas: muitas estreias

Ao todo 65 curtas serão exibidos no II FINCAR, com várias estreias em Pernambuco. Entre as primeiras exibições de filmes de realizadoras pernambucanas nas cidades do Recife e Camaragibe, temos duas diretoras negras e uma indígena: Anna Andrade com Entremarés, documentário que aborda a vida de mulheres pescadoras na Ilha de Deus (Recife); Ayla Oliveira com Entre Pernas, ficção de realismo fantástico sobre a Perna Cabeluda; e Graci Guarani com Mensageiro do Futuro, documentário que fala sobre questões urgentes em uma das aldeias indígenas mais populosas do país. Dos 65 curtas que serão exibidos, 22 são de realizadoras negras e 6 de realizadoras indígenas.

Todo o processo de seleção dos filmes foi feito por uma equipe de curadoras mulheres, são elas: Ana Carvalho, Aurora Jamelo, Cíntia Lima, Elaine Una, Íris Regina Gomes, Maria Cardozo, Mariana Porto, Sabrina Luna, e as curadoras assistentes: Erlânia Nascimento, Júlia Karam, Karla Fagundes, Mariana Souza e Rayanne Layssa.

No site do evento está a programação completa.

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