Cena de I, Daniel Blake, de Ken Loach. (Divulgação).

Cena de I, Daniel Blake, de Ken Loach. (Divulgação).

O inglês Ken Loach foi o vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes com o filme I, Daniel Blake. O longa é uma crítica sistema de saúde inglês e também às políticas de austeridade na Europa. O júri foi presidido pelo australiano George Miller (de Mad Max).

Aquarius, do pernambucano Kléber Mendonça Filho, era um dos favoritos de acordo com o termômetro da crítica, ao lado do holandês Elle, de Paul Verhoeven, mas ambos saíram sem prêmios. Também eram cotados produções como Toni Erdman e Loving. Aliás, a premiação este ano foi toda de zebras. O júri praticamente ignorou reações de crítica e público vistas ao longo do festival. Longas que foram vaiados ou destroçados pela cobertura da imprensa estrangeira, saíram com troféus.

No entanto, a vitória para Ken Loach foi bem recebida, ainda que este esteja longe de seu melhor momento. Ao receber o prêmio, Loach defendeu a permanência do Reino Unido na União Europeia. Nesta sua 12ª participação em Cannes, esta é a segunda vez que Loach leva a Palma de Ouro para casa. A última vez foi com Ventos da Liberdade, de 2006.

O canadense Xavier Dolan ficou com o Grande Prêmio do Júri, uma espécie de segundo lugar, com It’s Only The End Of The World. Ele volta ao seu tema favorito, as relações familiares, em um trabalho estrelado por Marion Cottilard. A inglesa Andrea Arnold ganhou o prêmio do júri (tipo um terceiro lugar) por American Honey, uma viagem pela América visto pelos olhos de um grupo de garotos que vende assinaturas de revista. É um olhar humano sobre a pobreza nos EUA. Esta é terceira vez que ela leva este mesmo prêmio para casa, depois de Marcas da Vida e Aquário.

Nas interpretações, mais surpresas: a filipina Jaclyn Jose venceu por Ma’Rosa, de Brillante Mendoza, desbancando uma das favoritas, Sonia Braga, por Aquarius. Já o melhor ator foi para Shahab Hosseini, de Le Client, longa do iraniano Asghar Farhadi, que este ano ganhou o prêmio de melhor roteiro. A Palma de Ouro de direção foi dividida entre o francês Oliver Assayas, de Personal Shopper e o romeno Christian Mungiu, de Graduation. O melhor curta foi para Timecode, de Juanjo Giménez.

Aquarius foi bastante elogiado, mas ficou sem a Palma. Foto: M. Petit / FDC.

Aquarius foi bastante elogiado, mas ficou sem a Palma. Foto: M. Petit / FDC.

O Brasil saiu de Cannes com bastante destaque, ainda que Aquarius tenha perdido a Palma de Ouro. Eryk Rocha ganhou o prêmio Olho de Ouro por seu documentário Cinema Novo, um olhar poético sobre o maior movimento cinematográfico brasileiro. Já o curta A Moça Que Dançou com o Diabo, de João Paulo Miranda Maria, ficou com a menção honrosa do júri.

Veja a lista completa:

Palma de Ouro: I, Daniel Blake, de Ken Loach.
Grande Prêmio do Júri: Xavier Dolan, por It’s Only the End of the World.
Prêmio do Júri para Andrea Arnold, por American Honey.
Melhor direção: dividido entre Oliver Assayas, por Personal Shopper, e Christian Mungiu, por Graduación.
Melhor ator: Shahab Hosseini, por Le Client.
Melhor atriz: Jaclyn Jose, por Ma’ Rosa.
Melhor roteiro: Asghar Farhadi, por Le Client.
Melhor curta-metragem: Timecode, de Juanjo Giménez.
Prêmio Câmera de Ouro: Divines, de Houda Benyamina.
Prêmio Fipresci da crítica: Toni Erdmann, de Maren Ade.
Melhor filme em Um Certo Olhar: The Happiest Day in the Life of Olli Mäki, de Juho Kuosmanen.
Melhor filme da Semana da Crítica: Mimosas, de Oliver Laxe.

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