O 45º Festival Internacional de Quadrinhos de Angoulême, na França, começa nesta quinta (23) e vai até o dia 28 com exposições, eventos para editores, feira, lançamentos/autógrafos, sessão de filmes e masterclasses, mas o grande destaque do evento é sua concorrida premiação que agita o mercado editorial de quadrinhos e que repercute bastante no meio. O mais prestigiado é o troféu de melhor álbum, mas há também prêmios para publicações juvenis, de suspense, além do Grand Prix, entregue a um autor pelo conjunto da obra.

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Este ano três HQs brasileiras estão indicadas ao prêmio de melhor quadrinho alternativo: Maria Magazine, de Henrique Magalhães, Café Espacial e Amor em Quadrinhos, organizada por Milena Azevedo.

A Seleção Oficial contou este ano com uma pré-seleção de 45 obras, dos mais variados gêneros, e chega agora a dez títulos que disputam o “Fauve D’Or”, o gatinho dourado que é símbolo e mascote do festival. Há muitos autores veteranos nessa lista, além de algumas revelações, mas chama atenção o fato de que há poucos trabalhos desses artistas publicados por aqui.

Vamos comentar aqui os indicados ao prêmio e o que podemos encontrar deles aqui no Brasil.

Alors Que J’essayais d’être Quelqu’un de Bien – Ulli Lust
[Ça et Là]

Quadrinista nascida em Viena, na Áustria, Ulli Lust é conhecida por publicar tiras e e-books e tem uma carreira consolidada como quadrinista. Esta obra autobiográfica mostra a relação de Ulli com um jovem imigrante nigeriano, além de mostrar seu cotidiano em Viena enquanto tenta viver como ilustradora. No Brasil a L&PM lançou Hoje é O Último Dia do Resto de Sua Vida, que mostra a adolescência punk da autora.

Ces Jours Qui Disparaissent, de Timothé Le Boucher
[Glenat]

Um trabalho de ficção científica misturado com metafísica, o álbum mostra a vida do Marechal Lubin, um jovem de vinte anos que descobre que uma outra personalidade se apossa de seu corpo todos os dias. Timothé Le Boucher é um jovem autor francês de 29 anos com muita influência do mangá e animação. Também publicou Skin Party. Seus trabalhos são inéditos no Brasil.

Dans la Combi de Thomas Pesquet, de Marion Montaigne
[Dargaud]

Campeã de vendas na França, Marion Montaigne criou essa história de um astronauta de 38 anos e sua dura rotina de treinamento e estudos, além de tratar da grandiosidade que é a exploração espacial. O livro é uma mistura de comédia com reportagem e fez bastants sucesso ano passado. Marion é autora de vários livros, como Panique Organique (2007), mas segue inédita no Brasil.

La Terre des Fils, de Gipi
[Futuropolis]

Nome artístico de Gian Alfonso Pacinotti, o italiano Gipi tem uma longa carreira como quadrinista e já ganhou Angoulême em 2006. Esse seu trabalho indicado este ano conta a história de um pai e seus dois filhos tentando sobreviver em meio a um cataclisma. Também segue inédito por aqui.

1983-1984 – Hip Hop Family Tree, tome 3, de Ed Piskor
[Fantagraphics]

Essa HQ conta em detalhes a história do hip hop desde os primórdios nas festas nos subúrbios de Nova York até sua aclamação como um dos pilares da cultura de massa. Ed Piskor tem um estilo que mescla nostalgia com detalhamento impecável para retratar com realismo e minúcia detalhes da história real. Essa obra saiu aqui em um único volume pela Veneta com o nome de Hip Hop Genealogia.

L’inconnu, de Anna Sommer

A história mostra uma mulher que encontra um bebê abandonado. Ela decide não alertar a polícia e deixá-lo escondido. Com esse gesto inesperado, a autora Anna Sommer consegue criar uma narrativa repleta de suspense. Anna é uma das autoras mais celebradas hoje na Europa e traz um estilo que mescla minimalismo com um estilo narrativo complexo e tenso. É uma pena que sua obra ainda seja inédita no Brasil.

Happy Fucking Birthday, de Simon Hanselmann
[Misma]

Trabalho bastante experimental de Hanselmann que mostra o cotidiano de amigos animais tendo que lidar com um jantar inusitado em uma festa de aniversário. Simon Hanselmann é australiano e um dos mais renomados quadrinistas da cena underground no mundo hoje com indicações ao Ignatz. Megg Mogg and Owl, seus personagens antropomórficos, têm sido usados como uma crítica ácida à sociedade atual. Também segue inédito por aqui.

La Saga de Grimr de Jérémie Moreau
[Delcourt]

Essa HQ de Jérémie Moreau conta a história da Islândia em 1783, um terra inóspita arrasada pela fome e onde um jovem órfão precisa provar seu valor. Com apenas 30 anos, Moreau é uma revelação da atual cena francesa e ganha uma indicação com este seu primeiro álbum em quadrinhos. Esperamos que saia no Brasil, parece bem interessante.

Istrati !, Tome 1 : Le vagabond, de Golo

Essa obra conta a história do escritor romeno Panait Istrati, que escreveu sobretudo em francês. Ficou conhecido por ser um dos primeiros a abordar com franqueza um personagem homossexual na literatura, na virada do século 19. Golo (Guy Nadaud), 70 anos, é um veterano autor francês de quadrinhos com uma produção que remonta aos anos 1970. Sua obra segue inédita por aqui.

Emma G. Wildford, de Zidrou e Edith

Essa obra conta a história de Emma G. Wilford, cujo noivo era membro da National Geographic Society. Após ele ter desaparecido em uma expedição à Noruega ela decide largar tudo para buscar seu paradeiro na Lapônia. Zidrou é um nome veterano na BD francesa, com dezenas de obras publicadas, sobretudo de comédia.

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