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OS MEANDROS DE FEIST
Com uma trajetória inusitada, cantora canadense alça a calçada da fama sem se enquadrar numa tipologia musical bem definida
Por Breno Soares

Quem ouve as canções pop e doces da Feist, não imagina que ela teve um início não tão inocente. Do punk ao pop fofinho, Feist experimentou muitas coisas. Passeou pelo eletrônico e pelo indie rock até definir seu som em discos solos e mostrar que o Canadá faz de melhor: exportar música de boa qualidade.

Leslie Feist nasceu em Amherst, Canadá, filha de um pintor expressionista abstrato e de uma estudante das artes cerâmicas. Começou sua carreira artística ainda no colegial, quando adotou apenas o seu sobrenome, Feist. Tocava em uma banda punk rock chamada Placebo (mesmo nome da modernosa banda inglesa da atualidade), a qual foi fundadora e vocalista quando tinha 15 anos, neste tempo morando em Calgary.

Sua banda foi vencedora de um concurso, e o prêmio fez com que o grupo abrisse para o Ramones em shows no Canadá e em mais algumas localidades, possibilitando cinco anos em excursões para o Placebo.

Tanto esforço não fez bem para Feist. Sua voz foi gravemente afetada pelos gritos punk e a cantora foi obrigada a se mudar para Toronto em 1988 para cuidar de sua voz. “Perdi minha voz na primeira turnê que fiz pelo Canadá quando tinha 19 anos.”, afirma a cantora. A suspeita por parte dos especialistas de que não voltasse a cantar a fez comprar uma guitarra para espantar a tristeza e ficar tempos e tempos em no porão fazendo composições enquanto se recuperava dos danos causados a sua voz.

Depois de um tempo, passou a tocar guitarra numa banda de rock chamada By Divine Right e sua participação pode ser conferida no disco Bless this Mess. Em 1999, quando já estava tocando nesse novo conjunto, lançou seu primeiro disco com as composições que fez no porão. O título da estréia chama-se Monarch (Lay Your Jewelled Head Down). Em 2000 Feist fez mais uma experiência musical, quando passou a trabalhar com a também Canadense Peaches, sua companheira de quarto em Toronto.

Riqueza

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No fim do ano 2000, Feist conheceu o músico Chilly Gonzáles, com quem teve uma frutífera parceria em seu segundo disco Let it Die, de 2004. O álbum é uma mistura eficiente de jazz, bossa nova e indie rock, com influência de Jane Birkin e Astrud Gilberto, segundo informações da própria cantora.

Uma curiosidade sobre esse disco: gravado entre 2002 e 2003 na França, onde morou de 2002 até o início de 2007, teve a música “mushaboom” na trilha de um comercial de perfume da Lacoste. Isso tornou Feist conhecida na França e conseqüentemente em toda Europa. A McDonald’s a ofereceu um milhão de dólares pelos direitos autorais da música, mas ela recusou de primeira.

Sempre bem acompanhada, colaborou em 2003 com a banda The New Deals no disco Gone Gone Gone e no ano seguinte com a banda Apostle of Hustle no disco Folkloric Feel. Em suas viagens musicais, fez participação no disco Riot on na Empty Street da banda sueca Kings of Convenience, e no disco do Postal Service.

feist-cd-2.jpgNo lançamento de seu segundo disco solo, Feist passou a integrar outra banda, de grande nome no meio indie, a também canadense Broken Social Scene, com quem lançou dois discos: Feel Good Lost e You Forgot It In People.

Nesse meio tempo, se reuniu mais uma vez com Chilly Gonzáles, Renaud Letang, do Manu Chao e Jamie Lidell e lança um disco de remixes e colaborações no início de 2006, Open Season. Mais uma vez Feist volta à publicidade quando o banco HSBC usa o remix da música “Gatekeeper” em uma campanha publicitária para a TV.

Recentemente Feist fez outra colaboração com a Peaches no disco Impeach My Bush, sendo backing vocal em algumas canções. Ela também emprestou sua voz para as canções “La Meme Histoire” e “We’re all in the Dance”, do filme Paris, Je t’aime.

Cantora e compositora respeitada, Feist tem canções interpretadas por gente como Travis MacRae, e pelas bandas Broken Social Scene, Bright Eyes e Buck 65, com quem já fez uma turnê. Ela fez alguns covers mostrando que tem bem mais fôlego para o trabalho do que pensamos. Já interpretou Bee Gees, Nina Simone, The Kinks e Beatles.

RESENHA DE THE REMIND, NOVO DISCO DE FEIST

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