O ACRE ACABOU. VIDA LONGA AO ACRE
Espaço da Rua da Aurora que já foi loja e restaurante, encerra suas atividades com a expectativa de mais uma metamorfose

Por Paulo Floro e Fernando de Albuquerque
Da Revista O Grito!

O predinho balança, mas não cai da rua da Aurora encerrou nessa sexta (16) suas atividades. O lugar era um dos lugares preferidos das festas do circuito alternativo e recebia diversos projetos a cada semana, além de servir de residência artística para artistas plásticos, músicos e quem mais quisesse pousar por ali. O motivo para o fim pode ter sido os altos custos de manutenção, ou mesmo a saturação de sua proposta atual. Ou ainda, como dizem os organizadores, a necessidade de crescer, indo para um novo local ainda indefinido. O fato é que o ACRE representou um momento de amadurecimento da cena indie local e foi destino certo da agenda de muita gente por muito tempo.
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Abertura do ACRE
Catarina Dee Jah no ACRE

O local nasceu como um misto de loja e restaurante, em 2009, projeto do produtor e estilista Cássio Bonfim e do chef Orlando Tej, o Tejinho. Pequeno e intimista, abrigava dezenas de araras de marcas pouco conhecidas, mas bem conceituadas, como Amapô, Alinhada, Carol Azevedo e Soul Seventy. Já o restaurante tinha uma vista para a Rua da Aurora e o Rio Capibaribe, uma máquina de caldo de cana e vendia tapioca com queijo de cabra, berinjela e sanduíche de polvo. Com o passar dos anos, a loja experimentou um formato itinerante, se instalou nos festivais e mostras da cidade e em seguida se transformou num espaço exclusivo para festas.

Entre as que aconteciam por lá, as mais conhecidas – e lotadas – foram a Superingosto, de Guilherme Gatis e da cantora Bê Formiga e a Fogo da Shannah, de Catarina Dee Jah. Mesmo sem ser loja alternativa de roupas e restaurantes, o lugar virou uma metamorfose igualmente interessante tornando-se um espaço para experimentações visuais, mudando toda a decoração e pintura a cada instalação. Também servia de local para exibir sessões de cinema e videoarte.

Nesta sexta, no seu último dia, a proposta foi trazer a maioria dos que já tocaram por lá. Por isso, o som foi uma mistura de indie rock com cumbia, reggae eletrônico e dub. O local estava apinhado de gente e – isso dará saudade – o chão tremeu ainda mais que os outros dias, dando aquela ótima sensação de que poderia cair a qualquer momento. Com a saída do ACRE da Aurora, o lugar perde o vigor que ganhou nos últimos anos, com eventos no Espaço Muda, N.A.V.E. e até mesmo no restaurante Banquete.

Desejamos vida longa a esse projeto e já estamos curiosos com a próxima metamorfose.

A escadaria toda trabalhada no vermelho (Foto: Paulo Floro / RoG!)

Cássio performatiza (Foto: Paulo Floro / RoG!)

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