MIX DE RETRÔ + FUTURISMO
Imaginário espacial e tecnológico foi uma das principais tendências da semana de moda carioca
por Fernando de Albuquerque

De Alcino Leite e Vivian Whiteman à Lílian Pacce quem acompanhou o que foi apresentado na última Fashion Rio ouviu um único comentário: o estilinho brasileiro está buscando referência nos anos 60 e 80. Puro clichê mantido como cultura hype nas principais rodinhas indies e descoladas do eixo Rio – São Paulo, e porque não de Recife também. Isso porque quem freqüenta shows de Moptop e Rdo sabe que é muito fácil achar alguém trajando bolinhas, cintão vermelho, cigarretes e meião enrolado no tornozelo. Tudo muito trivial.

Mas uma coisa é certa: as roupas encurtaram e nada de discrição. O corpo está mais amostra e com mais vibrações. Não houve imposição de tons. Pelo contrário, um mix completo sem deixar as cores da paleta de lado. Os ditames caíram por terra e em tempos de Hugo Chaves nada melhor que democratizar ao cúmulo. Alguns desfiles foram transmitidos na íntegra e outros tem arquivamento marcado no YouTube. A passagem de La Bündchen foi notada por uivos da platéia e o olhar atento de Sérgio Cabral, Governador do Estado. Koolture, Adpac, Renata Veras e Felipe Eiras desfilaram uma inspiração quase coletiva em Darth Vader e os soldados do império galático.

O Fashion Rio, porém seguiu as tendências européias que buscam uma Nova Aristocracia com ideais calcados no futuro de formas e tecnologias. E para confirmar essa tese, bastou ver os desfiles de Balenciaga e Chalayan na última temporada. O círculo editorial da Vogue intitulou esse conceito de novo futurismo em retro-futurismo. Tudo com referências no imaginário espacial e tecnológico do passado. Até o modelito do homem na lua virou hype da estação.

E tudo foi cópia dos modelos europeus. A Sommer foi o exemplo mais claro já que a grife, sempre marcada por um tom acinzentado e sóbrio, buscou referências em um museu de ícones espaciais do passado e da ficção científica. Huxley ficaria passado. O filme de George Lucas também serviu de inspiração à Virzi e a Walter Rodrigues. Este, aliás, associou o retro-futurismo a roupas étnicas, criando uma desinteressante miscigenação de formas. Nossos compatriotas sempre com uma visão “semana de 22” nas composições.

Se é para abordar o futuro, é certo que o elemento esportivo tende a ser uma das chaves da moda nos próximos anos. As tecnologias e formas das roupas feitas para esportes entram cada vez mais para o vocabulário, numa adaptação de “sport luxury”, nas coleções da Redley, Reserva e Mara Mac. Entre a linha esportiva, influências militares ressurgem fortes em mantôs e pelerines, que completam os uniformes das desbravadoras contemporâneas – estejam elas interessadas nas novas tecnologias terrenas ou nos segredos ocultos no espaço. Pode tirar sua calça militar do fundo do guarda-roupa!

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