Foto: Divulgação/Jose de Holanda

Foto: Jose de Holanda/Divulgação.

Por Renata Arruda

Parafraseando Romulo Fróes, Juçara Marçal não é nenhuma estreante. Com mais de vinte anos de carreira, onde participou de diversos projetos, entre eles o aclamado Metá Metá (ao lado de Kiko Dinucci e Thiago França) além de colaborar com artistas como Rodrigo Campos, Emicida e Criolo, foi apenas em 2013 que bateu a “necessidade artística de propor uma brincadeira, de propor uma nova foto com os companheiros” traduzida em forma de álbum solo.

Encarnado, produzido por Fernando Sanches e lançado de maneira gratuita e independente em fevereiro deste ano, apresenta uma nova faceta de Juçara, em um trabalho diferente dos anteriores onde o fio condutor é a morte. Para o disco, Juçara contou com as participações de Kiko Dinucci (guitarra), Rodrigo Campos (guitarra e cavaquinho) e Thomas Rohrer (rabeca). No repertório, regravações de Siba, Tom Zé, Gui Amabis, Itamar Assumpção e Douglas Germano e canções inéditas de Romulo Fróes, Kiko Dinucci, Rodrigo Campos além da vinheta “Odoya”, faixa composta pela própria cantora que serve de introdução para a pungente “Ciranda do Aborto”, de Dinucci. Ao contrário de outras intérpretes, a voz de Juçara é parte ativa da criação, é peça fundamental para que as composições atinjam outro patamar, quase cortando o ouvinte feito navalha.

Juçara concordou em participar da nossa seção, respondendo a três breves perguntas sobre o álbum e comentando cada uma de suas faixas. Veja abaixo, do jeito que a cantora nos enviou.

Poderia comentar um pouco sobre o Encarnado e a decisão de lançar um disco solo?
foi um processo muito natural. a vontade necessidade artística de propor uma brincadeira, de propor uma nova foto com os companheiros.

Como foi o processo de escolha do repertório?
havia uma série de músicas que queria cantar. ia propondo nos ensaios, a medida q uma tomava forma, escolhia a seguinte…e assim foi.

O que Encarnado representa para você?
um disco, com meus companheiros, com uma sonoridade q me emociona. as guitarras inusuais de kiko e rodrigo e a rabeca arrebatadora do thomas.

jucara

Site oficial: http://www.jucaramarcal.com/

Encarnado, faixa a faixa

01. Velho Amarelo
música inédita de rodrigo campos. num dia de ensaio, ele nos mostrou a canção, feita em princípio para o disco novo q ele está fazendo…achei maravilhosa e pedi pra ele se eu podia cantar. ele deixou.

02. Damião
música de douglas germano. do disco ori. feita a partir do da tragédia (fato verídico) que aconteceu com damião ximenes leite, num hospital psiquiátrico do interior do ceará.

03. Queimando a Língua
parceria de romulo fróes e alice coutinho. acho especial o verso “sua boca, seu dente, e o encarnado que corta e desmente meu samba armado”. tanto q dele tirei o nome do disco.

04. Pena Mais que Perfeita
música do disco de gui amabis, memórias luso africanas. no disco ela marca a entrada do thomas – rabeca. acho especial esse momento.

05. Odoya
vinheta feita por mim, e q por isso tinha vontade de colocar no disco. não sabia se ia fazer sentido. nessa posição, como uma espécie de introdução à ciranda do aborto, fez todo sentido.

06. Ciranda do Aborto
canção maravilhosa de kiko. desde que ele me mostrou, há mais de dois anos, quis cantar. sempre tenho uma vontade imensa de chorar quando a canto. às vezes consigo controlar. às vezes não.

07. Canção Pra Ninar Oxum
música inédita de douglas. ele me mandou email com ela, dizendo q achava q ela ficaria legal comigo cantando. eu adorei a música e também quis cantar assim q ouvi. no disco, ela vem apaziguar, depois da imensa dor revelada pela ciranda.

08. E o Quico?
música de itamar q sempre me intrigou, pelas suas várias camadas, seus personagens paranóicos, extra-terrestres, seus diálogos atormentados.

09. Não Tenha Ódio no Verão
outra q assim q eu ouvi, tive vontade de cantar. adoro a ironia de seus versos.

10. A Velha da Capa Preta
escolhi essa do siba já mais pro final do processo de escolha do repertório. achei q ela casaria bem. acho genial a forma de falar da morte dessa maneira irônica e ao mesmo tempo épica: “quero me aposentar pra ganhar tranquilidade, deixando a humanidade matando no meu lugar.”

11. Presente de Casamento
parceria de thiago frança e romulo fróes. o arranjo ficou curtinho mas denso. e eu escolhi um tom pra deixar a voz mais rasgada no agudo. achei q ficou tudo bem adequado ao tema da canção.

12. João Carranca
é a última canção do disco, vem em forma de exceção num arranjo só voz e cavaquinho. eu escolhi agora um tom bem no extremo grave. também achei q as escolhas casaram bem com o tema e as personagens da canção. esse samba já tinha sido gravado antes, no disco do kiko e bando afromacarrônico.

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